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Tarifas surpresa dos EUA abrem juros futuros e pressionam inflação no Brasil

Publicado 04/06/2026 • 15:16 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • Tarifas adicionais de 12,5% dos EUA pegaram mercado de surpresa e abriram curvas de juros futuros no Brasil.
  • Primeiro anúncio de sobretaxas americanas teve mais de mil produtos isentos e chegou a empurrar bolsa para cima.
  • Economista da Valor Investimentos vê espaço para negociação diplomática até 15 de julho antes de qualquer reciprocidade.

O mercado brasileiro teve duas reações opostas em dois dias. Quando os Estados Unidos anunciaram a primeira rodada de tarifas sobre produtos brasileiros, a bolsa subiu pouco mais de 1%. O motivo: mais de mil produtos ficaram de fora da lista, o que foi lido como um sinal de moderação por parte de Washington.

A segunda rodada mudou o tom. A sobretaxa adicional de 12,5%, anunciada na sequência e estendida também à União Europeia e a países do Oriente Médio, pegou investidores de surpresa. Para Ian Lopes, economista e sócio da Valor Investimentos, o efeito foi imediato e negativo. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (4), ele avaliou que a medida pressionou de forma direta o custo de capital das empresas exportadoras e as expectativas de inflação.

“Era algo inesperado. De imediato, tem um efeito muito negativo no custo de capital das empresas que dependem de exportações para os Estados Unidos”, afirmou Lopes.

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Juros futuros abrem e inflação entra na conta

O impacto das tarifas não ficou restrito ao câmbio. As curvas de juros futuros abriram e as expectativas de inflação subiram, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O mecanismo é simples: tarifas encarecem produtos importados, o que alimenta a inflação no país que as impõe e gera incerteza nos mercados que dependem dessas exportações.

“A tarifa é por si só inflacionária. É um imposto em cima do produto que vai aumentar o preço dele”, resumiu Lopes, reforçando que o efeito sobre os preços é imediato no curto e médio prazo, independentemente do desfecho das negociações.

O prazo para uma saída negociada vai até 15 de julho. Lopes avalia que ainda há espaço para um acordo antes dessa data, lembrando que em 2024 as tarifas foram implementadas e depois retiradas ao longo do ano. A volatilidade, porém, deve permanecer alta enquanto o desfecho seguir incerto.

Motivação política, não econômica

Por trás dos anúncios, Lopes enxerga uma lógica que não é comercial. Os Estados Unidos fecharam 2024 e 2025 com superávit comercial de aproximadamente US$ 7,5 bilhões com o Brasil, o que esvazia a justificativa econômica das sobretaxas.

“Essa tarifa no momento não tem um sentido econômico. Tem um sentido mais político ou é um meio de negociação”, avaliou o economista, apontando que o interesse real de Washington está no acesso aos minerais de terras raras brasileiros e na abertura de espaço para empresas americanas no país.

Esse argumento, segundo Lopes, é também o principal que o Brasil pode colocar à mesa nas negociações: mostrar que o saldo comercial favorece os americanos e que as tarifas prejudicam a própria economia dos Estados Unidos ao pressionar a inflação interna.

Reciprocidade ainda não é o caminho

Lopes descarta a lei de reciprocidade como resposta imediata. Na avaliação do economista, acionar esse instrumento agora seria precipitado, dado que ainda existe margem para uma solução diplomática que beneficie os dois lados.

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“Acho que não precisa devolver na mesma moeda. Podemos tentar negociar de uma maneira mais diplomática”, disse Lopes, sinalizando que o custo de uma escalada tarifária seria maior do que o de uma concessão negociada.

A alternativa de buscar novos mercados também recebe ponderação do especialista. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Substituir esse volume de comércio exige tempo, rodadas de negociação diplomática e um processo de maturação que não acontece do dia para a noite.

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