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Tarifas de Trump sobre o Brasil têm olho no calendário eleitoral, diz estrategista
Publicado 04/06/2026 • 13:15 | Atualizado há 1 hora
Publicado 04/06/2026 • 13:15 | Atualizado há 1 hora
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A nova rodada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros, com sobretaxas de 25% e mais 12,5% anunciadas em dias consecutivos, voltou a agitar o mercado. Para Eduardo Velho, Sócio Estrategista da Equador Investimentos, porém, a ofensiva tem uma leitura que vai além do campo comercial.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (4), Velho avaliou que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump podem ter como pano de fundo o calendário eleitoral brasileiro. “Aparentemente, pode ser também uma estratégia de influenciar a política comercial, mas principalmente o calendário eleitoral brasileiro”, afirmou o estrategista.
O timing reforça a leitura. Com ambos os lados do espectro político brasileiro buscando aproximação com Washington, a pressão tarifária funciona também como instrumento de barganha sobre o cenário doméstico.
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O comportamento do dólar conta uma história diferente da narrativa de alarmismo que cercou os anúncios. Velho lembra que, quando as tarifas de 25% foram comunicadas, a moeda americana chegou a cair para R$ 5,00. Ontem, voltou a R$ 5,06, recuo considerado pouco expressivo pelo estrategista.
“O dólar está caindo quase 8% no ano. O que o mercado está avaliando, na prática, é que o impacto não é tão relevante”, disse Velho.
Parte dessa resiliência vem da composição da própria pauta exportadora brasileira. Café, celulose, carnes e aviões estão fora do escopo das tarifas anunciadas até agora. Além disso, o superávit comercial brasileiro deve crescer mais de R$ 50 bilhões neste ano, impulsionado pelo preço elevado do petróleo, o que amplia a entrada de dólares no país independentemente da pressão americana.
O precedente de 2025 pesa na análise. Quando Trump elevou as tarifas naquele ano, uma série de projeções apontava para perdas de até R$ 50 bilhões no saldo comercial em seis meses. O que aconteceu foi diferente.
O Brasil perdeu cerca de 20% de receita com exportações para os Estados Unidos, mas compensou com vendas para Europa, Oriente Médio e Argentina. Só para o mercado argentino, o país ampliou as exportações em mais de US$ 7 bilhões em relação a 2024, mesmo com as tarifas americanas em vigor.
“O Brasil rapidamente ampliou exportações para outros países. Diversificou a pauta”, resumiu Velho, sugerindo que o mesmo movimento pode se repetir agora.
A resposta do governo brasileiro, na avaliação do estrategista, deve seguir o mesmo roteiro de 2025: negociação primeiro, reciprocidade só se necessário. O Brasil ainda tem prazo antes da implementação efetiva das novas tarifas, o que abre espaço para conversas.
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Seguir no Google“A política vai ser de negociação. Caso o Brasil avalie que há impacto relevante em alguns segmentos, aí pode partir para a reciprocidade”, disse Velho, explicando que a lógica seria espelhar, na mesma magnitude, qualquer tarifa aplicada a produtos brasileiros específicos.
O maior risco, para Velho, não está nas tarifas em si, mas na permanência do conflito entre Irã e Estados Unidos, que mantém o preço dos combustíveis elevado no mercado internacional e segue pressionando os juros globais com mais força do que qualquer medida protecionista de Washington sobre Brasília.
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