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Trump chega mais frágil à China e enfrenta pressão interna crescente, diz especialista

Publicado 22/02/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Trump deve chegar à China em posição mais frágil, após perder capacidade de usar tarifas como principal instrumento de pressão nas negociações.
  • A disputa institucional interna e a possibilidade de reembolsos bilionários ampliam a incerteza econômica e aumentam o estresse político nos EUA.
  • A instabilidade na política externa americana pode favorecer a China, que mantém estratégia mais previsível e consistente nas relações internacionais.

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar parte das tarifas impostas por Donald Trump muda o equilíbrio de forças na disputa comercial com a China e cria um novo fator de pressão interna sobre o presidente americano. A avaliação é do professor de Direito Internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), Evandro Carvalho, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o especialista, Trump deve chegar à próxima viagem à China em uma posição mais frágil do que a prevista inicialmente, após a Suprema Corte retirar sua principal ferramenta de pressão comercial: as tarifas. 

“Eu acho que ele vai chegar à China com uma relativa posição de fraqueza inesperada por ele”, afirmou o professor.

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Para Evandro, a política tarifária de Trump não produziu os resultados econômicos esperados. Ele destacou que, enquanto os Estados Unidos cresceram 2,2% no último ano, a China avançou 5%, atingindo a meta estabelecida por Pequim. Além disso, o superávit comercial chinês com o mundo chegou a US$ 1,2 trilhão.

Nesse contexto, a derrubada das tarifas pela Suprema Corte retira de Trump um instrumento relevante de barganha diplomática às vésperas de encontros com o presidente Xi Jinping.

“Dentro do próprio Estado americano, há uma discussão intensa entre os poderes”, observou, apontando que a instabilidade institucional reduz previsibilidade e dificulta negociações externas.

Risco fiscal e efeito prolongado

O professor também chamou atenção para outro efeito potencial da decisão: a abertura de uma onda de disputas judiciais por parte de empresas que podem buscar restituição das tarifas consideradas ilegais.

Na avaliação dele, isso amplia o estresse interno e pode gerar impactos fiscais e políticos que ultrapassem o atual mandato.

“Isso cria uma situação que não favorece os Estados Unidos”, disse. “Até que isso se resolva, é um componente de estresse interno importante.”

Para o especialista, a instabilidade jurídica e política tende a afetar o ambiente de negócios, já que empresas evitam cenários de elevada incerteza.

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China ganha previsibilidade

Ao comparar os dois modelos, Evandro destacou que a China apresenta maior estabilidade estratégica.

“Você tem uma política externa mais estável, mais uniforme, mais constante, mais previsível”, afirmou, acrescentando que esse fator favorece o país asiático nas relações internacionais.

Ele também destacou que, além do PIB nominal, é relevante analisar a distribuição de renda e o fortalecimento do mercado interno. Segundo o professor, a ampliação da classe média chinesa, estimada em cerca de 400 milhões de famílias, reforça o poder de consumo do país e sua atratividade comercial.

Taiwan e sinais ambíguos

Sobre Taiwan, tema sensível na relação entre Washington e Pequim, Evandro avaliou que Trump não tem demonstrado colocar a ilha como prioridade central de sua política externa.

“Tudo dá sinais de que o Trump não me parece estar colocando Taiwan como uma grande prioridade”, afirmou.

Para ele, resta saber como a China poderá explorar essa percepção no avanço de seus próprios objetivos estratégicos.

“Resta saber como é que a China irá tirar proveito dessa situação para levar adiante o objetivo da República Popular da China”, concluiu.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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