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Por André Amadeus
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Publicado 02/06/2026 • 09:36 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Quanto a Mercedes pode perder sem o mercado americano
Uma proposta que avança no Congresso dos Estados Unidos pode criar um novo desafio para a Mercedes-Benz. A movimentação prevê restrições para montadoras que possuam participação acionária direta ou indireta de governos considerados adversários pelos americanos, como China, Rússia e Coreia do Norte.
Caso a medida avance sem alterações, a fabricante alemã pode enfrentar dificuldades para fabricar, vender ou importar veículos no mercado americano durante um período de cinco anos. O cenário gera preocupação porque os Estados Unidos representam uma das principais operações da empresa fora da Europa.
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O projeto chamado Motor Vehicle Modernization Act of 2026 estabelece restrições para empresas que possuam participação ligada a governos estrangeiros considerados adversários.
A principal questão envolve a BAIC, montadora estatal chinesa que detém 9,98% da Mercedes-Benz. Além disso, o empresário chinês Li Shufu, fundador da Geely, controla outros 9,69% da companhia.
Juntas, as participações chegam a 19,67% da Mercedes-Benz Group AG, percentual superior ao limite de 15% citado em propostas semelhantes que tramitam nos Estados Unidos.
Além da importância da proposta, os números mostram o peso do mercado americano para a montadora. Apenas no último ano a Mercedes vendeu 303,2 mil automóveis de passeio e mais 12,4 mil vans nos Estados Unidos.
Além das vendas, a empresa mantém duas grandes fábricas no país e emprega mais de 11 mil pessoas. A principal unidade fica em Tuscaloosa, no estado do Alabama.
Desde o início das operações, em 1997, a fábrica produziu mais de 4,5 milhões de veículos. Por isso, uma eventual proibição representaria não apenas perda de vendas, mas também impacto sobre produção, empregos, investimentos e participação de mercado.
Leia também: Mercedes-Benz avalia diversificação para defesa enquanto enfrenta tarifas e concorrência chinesa
Mesmo com a atual pressão na montadora, o projeto ainda tramita no Congresso americano e não possui uma versão aprovada no Senado. Além disso, especialistas apontam pontos de divergência no texto que podem gerar diferentes interpretações sobre sua aprovação.
Enquanto isso, representantes da indústria automotiva defendem ajustes na proposta. O objetivo é evitar impactos sobre fabricantes globais que possuem participação chinesa, mas mantêm operações relevantes nos Estados Unidos.
Mesmo sem definição final, o caso já aumenta a pressão sobre montadoras, em especial a Mercedes, com capital chinês, e reforça o movimento dos Estados Unidos para reduzir a influência da China no setor automotivo.
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