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Parceria entre Stellantis e Leapmotor sinaliza aposta mais ampla, e mais arriscada, da indústria automotiva

Publicado 13/05/2026 • 10:10 | Atualizado há 17 minutos

KEY POINTS

  • O acordo entre Stellantis e Leapmotor é visto como um marco para o futuro da indústria automobilística europeia.
  • A Stellantis ampliará sua parceria estratégica com a montadora chinesa, permitindo que a Leapmotor produza um modelo voltado ao mercado europeu a partir de 2028.
  • Especialistas avaliam que a parceria traz ganhos no curto prazo, mas pode aumentar os riscos competitivos para as montadoras tradicionais no futuro.
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Foto: reprodução/Stellantis.

A parceria entre a Stellantis e a chinesa Leapmotor é vista como um momento decisivo para o futuro da indústria automobilística europeia.

A recente parceria entre a fabricante da Jeep, Stellantis, e a chinesa Leapmotor está sendo vista como um momento decisivo para o futuro da indústria automobilística europeia.

Em acordo anunciado no fim da semana passada, a Stellantis informou que ampliará sua parceria estratégica com a Leapmotor, abrindo caminho para que a montadora chinesa inicie, em 2028, a produção de um modelo voltado ao mercado europeu.

A Leapmotor também trabalhará com o conglomerado multinacional — dono de marcas como Jeep, Dodge, Fiat e Chrysler — no desenvolvimento conjunto de um SUV elétrico sob a marca Opel. A produção ocorrerá na fábrica da Stellantis em Zaragoza, na Espanha.

O movimento parece ter sido desenhado para fortalecer as operações europeias da Stellantis, ao mesmo tempo em que oferece à Leapmotor uma plataforma para contornar as metas de fabricação “Made in Europe” da União Europeia e evitar tarifas sobre veículos elétricos importados da China.

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A Stellantis não é a única montadora ocidental considerando alianças com fabricantes chineses. A americana Ford estaria em negociações com a chinesa Geely para criar uma parceria na Europa, enquanto a alemã Volkswagen afirmou estar aberta a compartilhar fábricas europeias subutilizadas com marcas chinesas, como parte de um esforço para reduzir custos.

O conceito dessas parcerias não deve se limitar apenas às montadoras chinesas, afirmou o CEO da Stellantis, Antonio Filosa, durante o evento FT Future of the Car Summit, realizado em Londres na terça-feira.

“Obviamente, as montadoras chinesas são players fortes que estão chegando com muita força à Europa… mas também podemos olhar para outros parceiros”, disse Filosa.

“A Leapmotor é uma parceira chinesa que realmente valorizamos. Foi por isso que levamos essa relação a outro nível, mas existem muitas outras possibilidades”, acrescentou.

A CNBC entrou em contato com Ford e Volkswagen e aguarda resposta.

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Pressão sobre montadoras tradicionais

A tendência crescente de parcerias ocorre em um momento em que gigantes ocidentais do setor automotivo enfrentam crises em diversas frentes.

As principais montadoras lidam simultaneamente com aumento dos custos de produção, tarifas dos Estados Unidos, competição intensa, problemas nas cadeias de suprimentos, pressões regulatórias e uma transição desafiadora para veículos elétricos.

A Stellantis foi uma das primeiras montadoras ocidentais a firmar uma parceria com uma fabricante chinesa ao adquirir cerca de 21% da Leapmotor em 2023.

O CEO da Leapmotor, Zhu Jiangming, afirmou na sexta-feira que a combinação entre o conhecimento tecnológico da companhia chinesa e o alcance global, presença regional e reconhecimento de marca da Stellantis cria “uma parceria singularmente poderosa”.

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“Um ponto sem retorno”

Analistas do setor afirmam que, embora as parcerias entre marcas europeias e chinesas possam gerar benefícios mútuos no curto prazo, as montadoras tradicionais precisam ficar atentas aos riscos de longo prazo.

Para fabricantes ocidentais — especialmente aquelas atrasadas em eletrificação e software — essas alianças são vistas praticamente como a única alternativa “para continuar no jogo na Europa”, segundo Julia Poliscanova, diretora sênior de veículos e cadeias de suprimentos de eletromobilidade da organização Transport & Environment.

“No curto prazo, as montadoras europeias precisam otimizar suas fábricas e as chinesas querem entrar no mercado, então faz sentido. Mas me preocupo com o que isso significa no longo prazo”, disse Poliscanova à CNBC.

“Quando ajudam as marcas chinesas a ganhar reconhecimento e os consumidores percebem que os carros não são ruins, isso pode se tornar um ponto sem retorno”, afirmou.

“Existe um risco real. Embora seja uma boa estratégia de curto prazo, é fundamental que as montadoras europeias que ainda querem existir em 2030 não tirem o pé do acelerador no desenvolvimento paralelo de seus próprios modelos elétricos.”

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