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Violência preocupa 71% dos árabes em Israel; voto histórico muda disputa pelo governo
Publicado 30/10/2026 • 13:55 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 30/10/2026 • 13:55 | Atualizado há 50 minutos
KEY POINTS
Nizzan Cohen/Wikimedia Commons — CC BY 4.0
Manifestantes protestam contra a violência e a criminalidade nas comunidades árabes de Israel, em Tel Aviv. A segurança pública foi uma das principais preocupações desse eleitorado nas eleições de outubro.
A participação dos cidadãos árabes nas eleições de Israel cresceu bastante após anos de elevada abstenção e mudou o cenário político do país. Cerca de 76,5% dos eleitores árabes foram às urnas na terça-feira (27), em meio ao aumento da violência em suas comunidades e à busca por maior representação política. Com isso, os partidos árabes conquistaram 19 cadeiras no Parlamento e passaram a ter um papel importante nas negociações para formar o próximo governo.
A mobilização ocorreu em um momento em que a criminalidade se tornou a principal preocupação da população árabe israelense. Uma pesquisa da Universidade de Tel Aviv, divulgada em maio, mostrou que 71,3% dos entrevistados consideravam a violência e o crime os problemas mais urgentes de suas comunidades. Outros 76,9% relataram baixa sensação de segurança pessoal.
O aumento da participação eleitoral também teve consequências diretas para a disputa pelo poder. A coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conquistou 53 cadeiras no Knesset, enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot ficou com 48. Nenhum dos blocos alcançou os 61 deputados necessários para formar maioria, o que ampliou o peso político das legendas árabes nas negociações.
Leia também: Israel sem maioria: partidos árabes viram fiéis da balança na formação do próximo governo
A participação eleitoral árabe chegou a aproximadamente 76,5%, segundo o Center for Israel Education. O percentual se aproxima do comparecimento nacional, estimado em 77,7% na apuração divulgada pela instituição.
A mudança é expressiva em relação às eleições anteriores. Em 2022, a participação em localidades árabes e drusas havia sido de 53,2%, segundo dados reunidos pelo Israel Democracy Institute. Em 2021, o índice ficou em apenas 44,6%, enquanto em 2020 havia alcançado 64,8%.
Embora os levantamentos utilizem recortes diferentes, os números mostram uma mobilização excepcional de um eleitorado que historicamente comparecia menos às urnas do que a população israelense em geral.
O crescimento também se refletiu na composição do Parlamento. A Lista Conjunta conquistou 11 cadeiras e o Raam, oito. Juntos, os partidos árabes passaram de dez cadeiras na legislatura anterior para 19, alcançando uma representação parlamentar histórica.
O aumento da participação ocorreu em meio à escalada da criminalidade nas comunidades árabes de Israel, um problema que se agravou nos últimos anos.
Segundo a organização Abraham Initiatives, 252 cidadãos árabes morreram em episódios de violência e criminalidade em 2025, o maior número anual registrado em seu levantamento.
O crescimento foi acentuado em relação aos anos anteriores. Em 2022, a entidade contabilizou 116 vítimas. Em 2023, esse número mais que dobrou, ultrapassando 240 mortes, e permaneceu elevado em 2024, com 230 registros.
As estatísticas ajudam a dimensionar a crise de segurança que afeta a população árabe, que representa aproximadamente um quinto dos habitantes de Israel.
A preocupação também aparece nas pesquisas realizadas antes da eleição. Além dos 71,3% que apontaram violência e criminalidade como a principal questão enfrentada pela comunidade, o estudo da Universidade de Tel Aviv mostrou que mais de três quartos dos entrevistados tinham baixa sensação de segurança pessoal.
Outra pesquisa do Israel Democracy Institute, realizada entre 31 de agosto e 3 de setembro, identificou que 53,5% dos entrevistados árabes consideravam a posição dos partidos sobre o combate à criminalidade um dos dois fatores mais importantes para decidir o voto.
A economia e o custo de vida apareceram em segundo lugar, mencionados por 46% dos participantes.
Os resultados indicam que a segurança pública ocupava posição central na agenda política dos cidadãos árabes. Não é possível, porém, determinar apenas com esses levantamentos em que medida a preocupação com a violência contribuiu para o aumento da participação eleitoral.
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Siga o Times | CNBCA reorganização dos partidos árabes foi outro elemento importante na eleição. A Lista Conjunta reuniu forças políticas que haviam disputado separadamente em eleições anteriores.
A experiência eleitoral israelense mostra que a união dessas legendas pode favorecer a participação e evitar a dispersão de votos entre partidos que não alcançam o percentual mínimo necessário para entrar no Parlamento.
Pesquisa apresentada pela Universidade de Tel Aviv em maio estimava que uma lista unificada poderia elevar o comparecimento árabe para 67%, acima dos aproximadamente 53% registrados em 2022. O resultado observado em outubro superou essa projeção.
O levantamento também identificou uma demanda por maior participação nas decisões nacionais: 77,2% dos entrevistados defendiam que um partido árabe integrasse a próxima coalizão governista.
O dado ajuda a explicar a importância política da eleição. Além de ampliar sua representação no Knesset, o eleitorado árabe passou a ter mais peso na definição de quem poderá comandar o país.
A pesquisa, entretanto, não permite afirmar que a reunificação partidária ou a preocupação com a segurança foram, isoladamente, responsáveis pelo comparecimento excepcional. A mobilização ocorreu em um contexto mais amplo de insatisfação política e disputas sobre o papel dos cidadãos árabes no governo israelense.
O resultado das eleições deixou os dois principais blocos sem maioria parlamentar.
Netanyahu precisa conquistar o apoio de pelo menos oito deputados além dos 53 que integram sua coalizão. Eisenkot, com 48, necessita de outros 13 para alcançar os 61 assentos necessários.
Uma aliança entre a oposição e os partidos árabes somaria 67 cadeiras. Essa possibilidade, porém, enfrenta resistência de integrantes do próprio bloco oposicionista, que descartaram durante a campanha a participação das legendas árabes no governo.
Outra alternativa seria a formação de um governo minoritário com apoio parlamentar externo dos partidos árabes, sem que eles assumissem ministérios.
Há um precedente de participação formal: em 2021, o Raam integrou a coalizão liderada por Naftali Bennett e Yair Lapid, que permaneceu no poder por aproximadamente um ano.
Mesmo sem integrar o próximo governo, os 19 deputados árabes poderão ter influência em votações parlamentares e negociações sobre políticas públicas, especialmente se os principais blocos não conseguirem construir uma maioria estável.
Os resultados da contagem serão apresentados oficialmente ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro. Depois de consultar os partidos eleitos, ele deverá indicar um parlamentar para tentar formar uma coalizão.
Até que um novo governo seja formado, Netanyahu permanece como primeiro-ministro. Caso as negociações fracassem, Israel poderá enfrentar outra eleição.
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