CEO da Digitra afirma que inteligência artificial tornou golpes de engenharia social mais sofisticados e difíceis de identificar.
Segundo Batista, ataques recentes exploram funcionários de empresas de cripto, e não necessariamente falhas na própria blockchain.
Executivo diz acreditar que Binance tem capacidade financeira para ressarcir clientes afetados pelo ataque.
O avanço da inteligência artificial deve manter alto o risco de ataques hackers contra corretoras e plataformas de criptomoedas ao longo de 2027, avaliou Rodrigo Batista, CEO da Digitra e do Token DGTA, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Batista, ferramentas de IA estão permitindo que criminosos construam abordagens mais convincentes contra executivos e funcionários de empresas do setor, inclusive com falsas propostas de emprego, entrevistas e arquivos aparentemente legítimos.
“A gente está vendo muitos ataques de hackers acontecendo com plataformas como a Binance e várias plataformas financeiras e eu acredito que isso deve continuar acontecendo pelo menos pelo próximo ano”, afirmou.
Para ele, as instituições precisarão rever seus protocolos de segurança diante da evolução dessas ferramentas.
“A Binance, como todas as instituições, vai ter que rever os sistemas de segurança à luz do que a IA está permitindo agora”, disse.
Ataques miram funcionários
Batista afirmou que um dos principais vetores de ataque atualmente é a chamada engenharia social, em que criminosos tentam convencer funcionários a instalar programas ou abrir arquivos capazes de comprometer seus computadores.
O executivo relatou que ele próprio recebe com frequência contatos falsos de pessoas que se apresentam como investidores interessados em comprar ou investir em suas empresas.
“Eu recebo praticamente toda semana mensagens e e-mails falando que querem investir na empresa, que querem comprar a empresa e são, na verdade, hackers”, afirmou.
Segundo Batista, essas estratégias ficaram mais sofisticadas com o uso de inteligência artificial.
Criminosos podem, por exemplo, simular entrevistas de emprego com imagens e vozes geradas por IA e depois convencer o funcionário a baixar um arquivo ou software malicioso como parte de um suposto processo seletivo.
“Antes da inteligência artificial já acontecia, só que era mais difícil para o hacker conseguir simular tanta coisa. Hoje em dia está muito mais fácil”, disse.
Batista cita possível envolvimento norte-coreano
Ao comentar o ataque contra a Binance, Batista afirmou que a invasão teria ocorrido por meio do computador de um funcionário da empresa, e não por uma quebra da própria blockchain.
Ele disse ainda que havia indicações de possível participação de hackers ligados à Coreia do Norte.
“Nesse caso específico, parece que eles pegaram os computadores de um funcionário, de um engenheiro de computação da Binance”, afirmou.
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Segundo ele, grupos especializados nesse tipo de ataque já utilizaram estratégias semelhantes contra outras plataformas de criptomoedas.
Binance pode ressarcir clientes, diz executivo
Questionado sobre a promessa da Binance de cobrir as perdas provocadas pelo ataque, Batista disse acreditar que a empresa tem capacidade financeira para cumprir o compromisso.
“Acredito, sim. A Binance tem uma estrutura financeira muito robusta”, afirmou.
Ao todo, cerca de US$ 6 bilhões teriam sido desviados, dos quais aproximadamente US$ 3 bilhões já teriam sido recuperados ou bloqueados.
Batista disse ainda que a Binance dispõe de um fundo superior a US$ 1 bilhão destinado justamente a situações envolvendo perdas de clientes e poderia complementar os valores com recursos próprios.
“Ela é uma geradora de caixa bem significativa desde a fundação. Então, acredito que eles tenham esses recursos”, afirmou.
Risco continua mesmo fora das corretoras
Batista ponderou que retirar criptomoedas de uma corretora e manter os ativos sob custódia própria também não elimina os riscos.
Segundo ele, armazenar os ativos diretamente exige conhecimento técnico e pode levar a perdas caso o investidor cometa erros na administração das chaves de acesso.
“Parte do risco é justamente esse. Tanto guardando, fazendo o que a gente chama de custódia própria, quanto deixando em uma plataforma, acaba tendo seus riscos”, afirmou.
Para quem busca exposição ao Bitcoin sem administrar diretamente a custódia das moedas, Batista apontou os ETFs negociados em bolsas reguladas como uma alternativa.
“Se você não quer só participar do mercado e eventualmente dos lucros, do ganho que você pode ter dele, melhor ir de ETF negociado em bolsa”, afirmou.
O executivo disse considerar o Bitcoin uma possível ferramenta de diversificação, mas ressaltou que o ativo continua apresentando risco elevado.
“Acredito que o Bitcoin, como estratégia de diversificar os investimentos, faz sentido. Acredito, sim, que ele tem um risco muito alto”, disse.
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