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“Espaço de negociação é restrito”, aponta pesquisador sobre crise entre Brasil e EUA
Publicado 31/07/2026 • 11:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 31/07/2026 • 11:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A renovação do estado de emergência contra o Brasil pela Casa Branca coloca o país em alerta para a possibilidade de novas sanções. Embora a medida recente não crie penalidades diretas, especialistas apontam que o cenário reflete um endurecimento político e eleitoral da gestão de Donald Trump em relação à América Latina.
Em entrevista ao Real Time, o consultor e pesquisador da Temple University Lucas de Souza Martins analisou os impactos econômicos, os desafios para a retomada do diálogo bilateral e o reposicionamento estratégico do Brasil no cenário global.
“É muito difícil pensar em uma resolução nesta confusão que vivemos hoje na relação entre Brasil e Estados Unidos. O espaço de negociação se restringe a exercer pressão sobre produtos que impactam diretamente a inflação e a rotina diária do cidadão americano, como carne e suco de laranja, enquanto a pauta política e eleitoral se impõe e dificulta qualquer margem de acordo técnico mais amplo”, avalia.
Neste mês de julho, o Brasil recebeu duas sobretaxas: de 25% e de 12,5%.
Leia também: Agronegócio vive combinação inédita de fatores de crise, avalia vice-presidente da ABAG
As movimentações da política externa dos Estados Unidos em direção ao Brasil e à América Latina revelam uma estratégia estruturada em áreas de influência e em uma releitura histórica das relações continentais. De acordo com o consultor e pesquisador da Temple University Lucas de Souza Martins, a atuação da Casa Branca está diretamente conectada à forma como o governo atual projeta o seu poder no cenário global.
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Siga o Times | CNBC“Hoje o governo Trump enxerga o mundo de acordo com áreas de influência e pensando precisamente na nova doutrina Monroe inspirada na antiga. A América Latina faz parte da influência norte-americana de um ponto de vista até para isolar completamente a presença da China na região”, explicou.
Martins destaca que, enquanto a Casa Branca adota uma política de maior coação para tentar afastar os países latino-americanos de Pequim, a China tem consolidado sua posição por meio de investimentos práticos.
“Diferente, por exemplo, daquilo que os chineses têm feito ao longo das últimas décadas, com investimentos em questões de infraestrutura, se tornando, por exemplo, o principal parceiro comercial do Brasil hoje, maior do que os Estados Unidos, maior do que a União Europeia”, afirmou.
Esse contraste de posturas reflete-se diretamente na percepção dos mercados e da população. O especialista aponta que pesquisas realizadas no Brasil demonstram que há uma predileção e um reconhecimento de confiabilidade na relação com a potência asiática, que é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009.
“As pesquisas que são realizadas no Brasil com relação a esta questão mostram que pelo menos há uma predileção maior, não somente dos operadores de mercado, dos empresários, há uma posição variada de vários atores comerciais e também da população brasileira que sinalizam, por exemplo, que a China hoje é um parceiro mais confiável do que a questão americana, do que possibilidades de maior conexão com os Estados Unidos”, concluiu.
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