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QUANTUM: IA vai criar era de desigualdade exponencial, diz Walter Longo

Publicado 30/10/2026 • 22:15 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Walter Longo avalia que a IA ampliará a distância entre profissionais que usam a tecnologia para aprender e os que a tratam como muleta.
  • No QUANTUM, especialista afirma que a meritocracia só é justa quando as pessoas têm oportunidades semelhantes no ponto de partida.
  • Para Longo, empresas devem combinar competição e colaboração, enquanto países equilibram liberdade econômica e distribuição de riqueza.

A inteligência artificial tende a inaugurar uma “nova era da desigualdade exponencial”, na qual a distância entre as pessoas dependerá cada vez mais da curiosidade e da capacidade de usar a tecnologia para aprender, afirmou Walter Longo no QUANTUM, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Em conversa com Vivianne Brafmann, o especialista defendeu que a meritocracia só pode ser considerada justa quando as oportunidades iniciais são equivalentes.

“Pessoas que usarem a IA de maneira eficiente como escada fatalmente vão subir muitos degraus na sua eficiência e na sua competência”, disse Longo. Para ele, quem recorrer à ferramenta apenas como “muleta” corre o risco de ficar para trás, mesmo em um cenário de acesso cada vez mais amplo à informação.

O episódio discutiu os limites da meritocracia, os incentivos dentro das empresas e a tensão entre liberdade econômica e igualdade. Longo sustentou que a competição pode estimular a produção de riqueza, mas também aprofundar diferenças quando não há mecanismos de equilíbrio.

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Meritocracia depende do ponto de partida

Ao analisar a relação entre igualdade e liberdade, Longo afirmou que a vida é marcada por diferenças, mas que a civilização construiu valores e regras para impedir que elas se transformem em situações socialmente inaceitáveis. “A evolução não busca justiça, a evolução busca eficiência”, afirmou, ao distinguir a lógica da natureza das escolhas feitas em sociedade.

“A meritocracia, Vivi, ela pode ser uma verdade que devemos perseguir ou pode ser uma injustiça disfarçada”, declarou. Segundo ele, reconhecer o mérito individual pressupõe oferecer oportunidades comparáveis: “Se eu der a mesma oportunidade para duas pessoas, a meritocracia é verdadeira”.

O especialista observou que indivíduos chegam ao mercado com condições e capacidades diferentes. Por isso, comparou a disputa por resultados a uma corrida: “Ninguém ganha uma prova de corrida se um partir a 100 metros, 200, 400… Tem que partir do mesmo ponto”.

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Empresas não devem ser selva nem aquário

No ambiente corporativo, Longo defendeu que o reconhecimento de desempenhos diferentes é necessário para preservar o engajamento. Ele citou dois profissionais de atendimento com os mesmos recursos, mas atitudes opostas diante dos clientes. “Se os dois ganharem igual, é muito mais provável que o competente se torne incompetente do que o contrário”, avaliou.

O outro extremo também traz riscos, acrescentou. Empresas que transformam a remuneração variável e a disputa por resultados em regras absolutas podem criar diferenças excessivas e um ambiente tóxico. A saída, para ele, é conciliar estímulo individual e colaboração entre equipes.

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Longo resumiu a ideia na metáfora da selva, do aquário e do jardim. A selva representa a competição sem limites; o aquário, um ambiente tão controlado que elimina os conflitos e os incentivos. “Cabe, portanto, à organização procurar ser não uma selva, não um aquário, mas um jardim”, afirmou. Nesse jardim, há disputa, mas o resultado coletivo também importa.

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IA como escada ou muleta

No segundo bloco, Longo disse que a expansão do acesso à informação representa um avanço histórico. Mas ponderou que a disponibilidade do conhecimento não significa que todos tenham o mesmo interesse em adquiri-lo. “Nós equalizamos o acesso ao conhecimento, mas não o interesse e a vontade”, afirmou.

A consequência, segundo ele, é uma nova divisão entre pessoas curiosas e aquelas que deixam de buscar aprendizado. “O mundo não será mais dividido entre ricos e pobres ou brancos e negros, e sim entre curiosos e descuriosos”, declarou, ao apresentar sua visão sobre os efeitos da IA na produtividade e nas competências individuais.

Longo alertou ainda para o risco de terceirizar todo o raciocínio à tecnologia. “Se o conhecimento não estiver embarcado, você vai ter indigência cognitiva”, disse. Ele defendeu a integração entre pessoas e máquinas para ampliar capacidades, em vez de substituir a formação de repertório e a construção de ideias próprias.

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Liberdade, produtividade e distribuição de riqueza

Ao tratar das consequências econômicas da tecnologia, Longo avaliou que a IA deve concentrar ganhos inicialmente, embora também possa ampliar o acesso a produtos e serviços ao elevar a produção e reduzir preços. “Em princípio, ela será concentradora, mas está na nossa mão fazê-la ser também distributiva”, afirmou.

O desafio, em sua avaliação, é preservar o incentivo à inovação sem aceitar disparidades extremas. “O equilíbrio vem da força criadora da liberdade, junto com o freio moral da igualdade”, disse. Ele comparou esse movimento à sístole e à diástole do coração: em alguns momentos, é necessário favorecer a iniciativa econômica; em outros, ampliar mecanismos de distribuição.

Longo acrescentou que não existe uma proporção universal entre liberdade e igualdade. As escolhas dependem das condições econômicas e culturais de cada sociedade, assim como ocorre com os incentivos dentro de empresas e famílias. “A palavra certa é equilíbrio”, concluiu, defendendo uma meritocracia que reconheça o esforço sem ignorar as diferenças no ponto de partida.

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