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Conflito no Oriente Médio

Bloqueio em Ormuz pode agravar maior crise energética global e elevar risco de escalada

Publicado 13/04/2026 • 06:59 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz para novamente após anúncio de Trump.
  • Petróleo dispara acima de US$ 100, ampliando pressão sobre oferta global e inflação.
  • Analistas veem medida como tática de negociação, mas alertam para risco de escalada e disputas legais.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou no domingo (12) um bloqueio naval do Estreito de Ormuz, reduzindo as expectativas de uma solução rápida para o conflito no Oriente Médio e intensificando o impasse com o Irã, já responsável pelo que analistas classificam como a pior crise energética da história.

Segundo o Comando Central dos EUA, a medida entra em vigor às 10h (horário do leste dos EUA) desta segunda-feira e terá como alvo embarcações de todas as nacionalidades que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo regiões do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã.

O impacto foi imediato: o tráfego de petroleiros no estreito voltou a parar poucas horas após o anúncio, de acordo com a Lloyd’s List Intelligence, com pelo menos duas embarcações revertendo o curso.

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No mercado, o movimento elevou os preços do petróleo. O WTI para maio saltou mais de 8%, para US$ 104,40 (R$ 525,1) por barril, enquanto o Brent avançou mais de 7%, para US$ 101,86 (R$ 512,4).

A decisão veio após 21 horas de negociações entre Washington e Teerã no fim de semana, que terminaram sem acordo sobre o programa nuclear iraniano, o controle do estreito e os ataques de Israel ao Hezbollah no Líbano.

Aprofundamento da crise energética

Antes dos ataques iniciais de EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, cerca de um quinto do petróleo mundial passava pelo Estreito de Ormuz. Desde então, o fluxo caiu drasticamente, afetando cadeias de suprimento globais de energia, fertilizantes, vestuário e bens industriais.

Um bloqueio total tende a intensificar a pressão. Para Trita Parsi, do Quincy Institute, a retirada de mais petróleo do mercado pode elevar os preços para cerca de US$ 150 por barril (R$ 754,5).

O próprio Parsi pondera, no entanto, que nenhum dos lados declarou o fim das negociações ou do cessar-fogo, sugerindo que os movimentos atuais podem ser táticas dentro do processo diplomático.

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Além do petróleo, fertilizantes e hélio – insumos essenciais para produção de alimentos e semicondutores também devem registrar alta, pressionando ainda mais a inflação global, segundo Ben Emons, da Fed Watch Advisors.

O FMI e o Banco Mundial já indicaram que devem reduzir projeções de crescimento global e elevar estimativas de inflação, com impacto mais intenso sobre mercados emergentes.

Segundo o Barclays, os danos a instalações energéticas e portos no Irã e no Golfo podem prolongar o estresse na oferta, sem clareza sobre a rapidez da normalização da produção e do transporte.

A disrupção já levou a alertas de uma escassez energética mais grave que a crise do petróleo dos anos 1970, quando um embargo quadruplicou os preços e levou ao racionamento em grandes economias.

O diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, classificou o cenário como o pior choque energético já registrado, mais severo que as crises dos anos 1970 e a guerra na Ucrânia combinadas.

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Para Daniel Yergin, da S&P Global, trata-se de uma disrupção sem precedentes históricos, superando episódios como a guerra Irã-Iraque, a invasão do Kuwait e as crises do século passado.

Apesar disso, a reação econômica pode ser mais moderada. David Lubin, da Chatham House, destaca que a economia global atual é menos dependente de petróleo, com maior participação de energias renováveis e nuclear.

Ainda assim, ele alerta que, em caso de escalada, o impacto energético pode se aproximar do choque negativo da década de 1970.

China no centro das tensões

O bloqueio pode ampliar o conflito ao atingir a China, maior compradora de petróleo iraniano, que continuou recebendo cargas mesmo após o início da guerra.

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Uma proibição ampla ao transporte de petróleo iraniano pode interromper esse fluxo e reacender tensões entre Washington e Pequim, às vésperas de uma viagem de Trump ao país.

Parsi avalia que uma escalada desse tipo pode não interessar aos EUA e não descarta uma eventual revisão da postura americana.

O governo Trump também ameaçou impor uma tarifa adicional de 50% à China caso Pequim forneça equipamentos militares ao Irã.

Países como Índia e Paquistão, que negociaram passagens seguras com Teerã, também podem ser afetados pelo impasse.

Tática ou erro estratégico?

Parte dos analistas interpreta o bloqueio como instrumento de pressão nas negociações, e não necessariamente como uma escalada definitiva do conflito.

Brian Jacobsen, da Annex Wealth Management, vê possibilidade de isenções para embarcações de países aliados, enquanto outros alertam para riscos relevantes.

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Para Ben Emons, a estratégia pode sair do controle: uma tentativa de pressionar o Irã pode desencadear retaliações militares e nova escalada do conflito.

A Guarda Revolucionária do Irã já sinalizou que considerará qualquer presença militar no estreito como violação do cessar-fogo, com risco de reação direta.

Base legal contestada

Especialistas apontam que o bloqueio enfrenta questionamentos legais, já que nem EUA nem Irã têm autoridade para restringir o trânsito no Estreito de Ormuz.

Segundo Emons, o direito internacional não permite fechar ou limitar a navegação em estreitos internacionais, e mesmo países costeiros, como Irã e Omã, não podem suspender esse trânsito.

Além disso, armadores enfrentam riscos adicionais, como sanções ocidentais ao Irã, que podem gerar penalidades severas para empresas envolvidas no transporte.

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