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FMI alerta para dilema entre armas e bem-estar social com alta global dos gastos militares

Publicado 16/04/2026 • 19:00 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • FMI afirma que aumento das despesas com defesa força governos a escolher entre segurança, programas sociais e equilíbrio fiscal em várias economias.
  • Estudo aponta que ciclos de forte gasto militar costumam elevar dívida pública e reduzir investimentos em áreas sociais como saúde e educação.
  • Autoridades defendem reforço militar diante de ameaças geopolíticas, mas admitem risco de reação popular e pressão nas contas públicas.

Uma nova era de maiores gastos militares levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a alertar para o retorno do dilema entre “armas versus manteiga”, expressão usada para descrever a escolha entre investir em defesa ou em programas sociais.

No relatório mais recente de perspectivas econômicas globais, o FMI informou que aproximadamente metade dos países do mundo elevou seus orçamentos militares nos últimos anos.

A instituição destacou ainda que as vendas de armamentos das maiores empresas globais do setor dobraram em termos reais nas últimas duas décadas.

Segundo o Fundo, a tendência deve continuar à medida que aumentam as tensões geopolíticas, levantando dúvidas sobre o impacto desses gastos em áreas como assistência social, saúde e educação.

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Mais dívida e menos gasto social

Com base na experiência de 164 países desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o FMI afirmou que períodos de expansão militar costumam enfraquecer as contas públicas e externas.

De acordo com o organismo, esses ciclos geralmente são seguidos por forte aumento da dívida pública e por reduções expressivas nos gastos sociais.

O alerta surge num momento em que diversos governos ampliam investimentos em defesa em resposta a guerras, conflitos regionais e disputas estratégicas.

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França vê risco político

O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, reconheceu que o conflito entre gastos militares e programas sociais pode gerar reação popular antes da eleição presidencial de 2027.

Mesmo assim, ele argumentou que elevar despesas com defesa pode trazer um “duplo dividendo”, ao fortalecer a soberania nacional e criar empregos domésticos.

Precisamos repensar a guerra. Drones e novas formas de combate surgiram, e precisamos lidar com isso”, afirmou à CNBC.

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Lescure também disse que a França mantém elevado nível de gasto social e que isso faz parte do modelo econômico francês.

Segundo ele, se os investimentos militares forem usados também como política industrial, poderão beneficiar regiões que se sentiram excluídas pela globalização e pela digitalização.

“Teremos um duplo dividendo: mais soberania e mais empregos”, declarou.

Banco Mundial defende ajuda externa

O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, afirmou que a defesa se tornou prioridade clara para muitos países, enquanto os recursos destinados ao desenvolvimento internacional diminuíram no mundo rico.

Ainda assim, ele destacou que a instituição conseguiu captação recorde para a IDA21, braço voltado aos países mais pobres.

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A 21ª rodada de financiamento da Associação Internacional de Desenvolvimento garantiu US$ 24 bilhões (R$ 119,8 bilhões) no fim de 2024, gerando US$ 100 bilhões (R$ 499,0 bilhões) em capacidade total de financiamento após alavancagem.

Os recursos serão usados em 78 países de baixa renda, com foco em saúde, educação e resiliência climática.

Ainda tenho fé no sistema”, afirmou Banga.

Ele argumentou que ajudar países em desenvolvimento também interessa aos contribuintes das economias ricas, ao estimular crescimento, ampliar mercados consumidores e reduzir migração ilegal.

Europa acelera rearmamento

A União Europeia passou a tratar segurança e defesa como prioridade estratégica, em parte por causa da invasão da Ucrânia pela Rússia.

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Os gastos militares dos 27 países do bloco devem alcançar 381 bilhões de euros em 2025, equivalente a cerca de US$ 448,8 bilhões (R$ 2,2 trilhões).

O valor representa alta de 11% sobre o ano anterior e avanço de quase 63% em relação a 2020.

Ao mesmo tempo, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã tende a complicar os esforços europeus de rearmamento e apoio à Ucrânia, segundo o Instituto da União Europeia para Estudos de Segurança.

Polônia prioriza segurança

O ministro das Finanças da Polônia, Andrzej Domański, afirmou que o governo monitora de perto o risco de insatisfação social aparecer nas urnas.

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Ele reconheceu que a meta de gastar 5% do PIB com defesa “é muito”.

Mas defendeu a decisão diante do cenário externo.

Putin está nos ameaçando, ameaçando a OTAN e alguns de nossos vizinhos. Precisamos levar a segurança a sério”, declarou.

Segundo Domański, a proteção nacional é hoje a principal prioridade do governo polonês.

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