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Senior Living no Brasil: mercado em crescimento e modelos em construção
Publicado 27/04/2026 • 11:40 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 27/04/2026 • 11:40 | Atualizado há 3 horas
Como Naara, Vitacon e DOM estão construindo o mercado de moradia para longevidade no Brasil.
Por Gilmara Espino
Joseph Nigri visitava a avó com frequência. Ela tinha 92 anos e morava num apartamento de cerca de 600 metros quadrados, com uma estrutura inteira ao redor: colaboradores, cuidados e conforto. Toda vez que ele a visitava, fazia a mesma pergunta: o que a senhora fez hoje? A resposta era sempre a mesma: nada.
Foi essa experiência que o fez entender que estrutura, sozinha, não basta. E que também confirmou o que ele já vinha estudando lá fora: o Brasil precisava de soluções de moradia que Estados Unidos e Europa já conheciam e que por aqui ainda não existiam.
“Vivemos a terceira idade de forma completamente errada. As pessoas estão em imóveis maiores que o necessário, custando caro. E ainda assim, estão mais solitárias e inativas do que deveriam”, sintetiza Joseph Nigri, que na época ocupava a posição de CEO na Tecnisa, uma das maiores incorporadoras no País.
Hoje, 11,97% da população brasileira tem 65 anos ou mais. Em 2030, o país terá mais idosos do que crianças. É o que especialistas chamam de economia prateada e, embora os Estados Unidos tenham mais do que o dobro da população idosa brasileira, seu mercado de senior living — moradias projetadas para quem envelhece com autonomia — é centenas de vezes maior. O contraste revela uma oportunidade de negócio ainda pouco explorada no Brasil.
Senior living costuma ser confundido com casa de repouso, e muita gente reage com um reflexo quase automático: ainda não preciso disso. Mas a proposta é outra. Não nasce para quem já perdeu autonomia. Nasce para prolongá-la.
A diferença começa na arquitetura: tomadas em altura acessível, corredores mais largos, menos degraus. O que se desenha para o idoso facilita a vida de qualquer pessoa, em qualquer idade. O senior living antecipa necessidades sem transformar a moradia em ambiente hospitalar.
O diferencial mais relevante está na convivência. Aulas, coral, dança, ginástica e áreas comuns ajudam a reduzir um dos riscos mais silenciosos do envelhecimento: o isolamento. O ganho está em voltar a ter rotina compartilhada, vínculos e circulação social.
A conveniência completa o modelo e resolve um problema que vai além do morador. Limpeza, lavanderia, manutenção, ambulatório, telemedicina, fisioterapia, cuidadores, segurança. Um restaurante onde moradores recebem filhos e familiares, sem o ambiente de refeitório que marca o imaginário das casas de repouso. O senior living não alivia só quem mora. Alivia quem cuida.
É nessa lacuna que o empresário Joseph Nigri, está apostando. A Naara Longevity Residences chega ao mercado paulistano com um empreendimento em Higienópolis: 70 apartamentos de 100 a 145 metros quadrados, duas suítes, vaga, ambulatório e emergência 24 horas. O valor médio é de R$ 28.500,00 mil por m2, com valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 160 milhões. Os serviços complementares funcionam sob demanda, em parceria médica com o True Health Group.
“O país precisa de locais onde as pessoas desejam morar”, diz Nigri. “Para viver mais e melhor.” A aposta dele não é apenas imobiliária, é também cultural.
A Vitacon chegou à mesma conclusão por outro caminho. Em pré-lançamento, também em Higienópolis, o Vitacon Senior by Housi terá 400 unidades, com valores entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão, condomínio estimado em R$ 2.500,00 por mês e VGV de R$ 400 milhões, com consultoria do Hospital Israelita Albert Einstein. Se a Naara aposta em apartamentos maiores para um nicho de altíssima renda, a Vitacon mira um espectro mais amplo. Para Ariel Frankel, CEO da empresa, o que surpreende é a dimensão da demanda reprimida: “Há um público cada vez mais ativo, independente e exigente, que busca segurança, conveniência e qualidade de vida, mas sem abrir mão da autonomia.”
O terceiro caso está fora de São Paulo e já tem moradores. O LOMA Pedra Branca, em Palhoça, Santa Catarina, é a primeira residência sênior da DOM Senior Living em operação, desde março de 2026. A empresa não é incorporadora. É operadora, em parceria com a Hurbana, e seu negócio é gerir a experiência de moradia em regime de locação.
São 110 apartamentos privativos, investimento de R$ 70 milhões e ticket médio mensal de R$ 13.500,00, com condomínio e serviços incluídos. Paula Lunardelli Guimarães, cofundadora da DOM, conta o que começou a ouvir: “Pessoas dizendo que voltaram a ter rotina, que redescobriram o prazer das pequenas coisas do dia a dia, que passaram a se sentir mais leves, mais conectadas e, em muitos casos, com um novo propósito de vida.”
Os três exemplos mostram um mercado em movimento, com modelos distintos disputando espaço. A DOM opera e loca. A Naara vende para um nicho de altíssima renda. A Vitacon aposta em escala e parceria hospitalar. Ainda não se sabe qual formato será o mais viável. O que é certo é que a oferta ainda é pequena diante da demanda que se desenha. Esse é exatamente o espaço em aberto.
O que já está claro: a demanda existe, o imaginário começa a mudar e o tema deixou de ser periférico.
Senior living é uma escolha ativa. Uma forma de morar que reduz esforço, amplia suporte e preserva autonomia. O imóvel continua sendo endereço. Mas passa a ser também infraestrutura para viver melhor.
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