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A guerra dos algoritmos: IA transforma conflito no Irã em espetáculo voltado para a monetização
Publicado 11/03/2026 • 22:28 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/03/2026 • 22:28 | Atualizado há 2 meses
O avanço da inteligência artificial (IA) introduziu uma dinâmica sem precedentes na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, onde a desinformação deixou de ser apenas uma ferramenta ideológica para se tornar um modelo de negócio altamente lucrativo.
Segundo o neurocientista Álvaro Machado Dias, comentarista do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, a combinação de armas autônomas e narrativas sintéticas cria um fenômeno cuja força ultrapassa os impactos isolados de cada tecnologia.
Em análise, Dias aponta que o Irã tem utilizado a IA para inundar plataformas externas com vídeos de vitórias militares fictícias, enquanto os EUA e Israel saturam o espaço informacional com narrativas de "precisão e legitimidade" frequentemente questionáveis. No entanto, o elemento mais disruptivo não vem dos governos, mas de criadores de conteúdo independentes no YouTube, Instagram e TikTok.
"Criadores que não têm afiliação nenhuma com os dois lados passaram a usar ferramentas como Sora ou VO3 para fabricar um espetáculo de guerra simplesmente orientados à monetização. O jogo se torna muito parecido com outros jogos de narrativa das redes sociais: vídeos construídos para que as pessoas cliquem", explica o neurocientista.
Um dos pontos centrais da discussão é como o engajamento digital ignora a veracidade dos fatos. De acordo com Dias, sistemas de verificação já identificaram conteúdos falsos sobre a guerra que acumulam centenas de milhões de visualizações. Até mesmo ferramentas de validação por inteligência artificial, como o chatbot Grok (do X), chegaram a validar vídeos forjados como autênticos.
O especialista ressalta que o sucesso dessas fake news não é apenas um erro técnico das plataformas, mas um reflexo do comportamento humano. Os algoritmos priorizam o volume de interações, independentemente de serem críticas ou elogios.
"Não importa se o sujeito está sendo criticado ou elogiado, se o engajamento aumentou, aquele conteúdo vai ser exposto a mais gente. O grande lance é que as pessoas gostam mais, na média, de odiar do que de amar. O ódio traz motivação para você se posicionar", afirma Álvaro Machado Dias.
A estratégia de guerra informacional evoluiu para ciclos de automação completa. Sistemas de IA agora monitoram em tempo real as narrativas do lado oposto para gerar contrapropostas automáticas.
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O modelo, inspirado em operações russas anteriores como a Operation Overload, divide-se em três etapas: identificação da narrativa adversária, recomendação de construção de resposta e geração automática de conteúdos via prompts.
A tese atual das máquinas não foca na perfeição do conteúdo, mas na saturação do mercado de ideias.
De acordo com o comentarista, a estratégia prioriza jogar grandes quantidades de vídeos na rede para testar quais viralizam mais rápido. O objetivo é fazer com que o usuário encontre contradições constantes, mesmo que as narrativas sejam visualmente simples ou contenham erros óbvios.
"O sistema remove automaticamente o que não engaja e impulsiona o que gera conflito, criando um ciclo infinito de desinformação", completa o comentarista.
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