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IA não causa psicose, mas pode atuar como gatilho em pessoas vulneráveis
Publicado 31/03/2026 • 14:35 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 31/03/2026 • 14:35 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Um mês após o avanço do debate sobre os efeitos da inteligência artificial na saúde mental, cresce a discussão sobre os chamados casos de “psicose por IA”. Apesar da repercussão internacional, o fenômeno ainda levanta dúvidas sobre sua origem e natureza clínica.
Segundo o professor Álvaro Machado, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a expressão não corresponde a um diagnóstico médico reconhecido. “Psicose por IA não existe como diagnóstico clínico”, afirmou nesta terça-feira (31), em participação no programa Real Time, destacando que o termo não está presente nem no DSM-5 nem nas classificações da OMS.
De acordo com ele, não há evidências de que sistemas de inteligência artificial sejam capazes de causar transtornos como transtorno bipolar ou esquizofrenia, considerados os principais quadros psicóticos. “Não há nenhum indício de que a IA tenha capacidade de atuar como fenômeno causal”, disse.
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Apesar disso, Machado aponta que a IA pode funcionar como um fator precipitante, ou seja, um gatilho para pessoas já vulneráveis. “Ela pode atuar como a privação de sono, uso de substâncias ou estresse intenso, que são fatores conhecidos por desencadear episódios psicóticos”, explicou.
Segundo ele, o mecanismo envolve o que pesquisadores descrevem como um “loop bidirecional de amplificação de crenças”, em que o usuário alimenta ideias e o sistema responde de forma a reforçá-las.
“A IA é treinada para manter o usuário engajado e para responder de forma confirmatória, o que faz com que percepções iniciais retornem como validação e até expansão dessas ideias”, afirmou.
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O notável lembra que esse processo pode levar à intensificação de delírios, especialmente de perseguição ou grandeza, ainda que os temas permaneçam semelhantes aos já conhecidos na psiquiatria.
Por outro lado, estudos indicam que chatbots podem ter efeitos positivos quando utilizados de forma controlada. Um ensaio clínico citado pelo notável mostrou que um chatbot terapêutico reduziu sintomas de depressão em 51% em oito semanas.
Para Machado, a diferença está no treinamento desses sistemas. “Chatbots terapêuticos passam por um pós-treinamento que os torna menos confirmatórios e mais capazes de oferecer alternativas de interpretação da realidade”, explicou.
Além disso, segundo ele, esses sistemas são projetados para manter contexto das interações e identificar situações de risco, como possíveis comportamentos suicidas, evitando respostas inadequadas.
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O notável também criticou a restrição ao uso desses recursos no Brasil, apontando que muitas pessoas ficam sem acesso a atendimento. “Há uma parcela da população entre o zero e a máquina – e a máquina está proibida”, afirmou.
Na avaliação dele, o desafio está em encontrar um equilíbrio entre segurança, regulação e acesso, diante de uma tecnologia que já faz parte da rotina de milhões de usuários.
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