Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Algoritmos das redes passam a priorizar conversas infinitas – e mudam a lógica do engajamento digital
Publicado 25/03/2026 • 13:12 | Atualizado há 3 meses
De Macron a Modi, governos estendem o tapete vermelho para os gigantes da IA
Principais banqueiros da Europa alertam que a IA está avançando mais rápido do que a regulamentação
Ações da Kuaishou disparam após a Tencent participar de uma rodada de financiamento de US$ 2,8 bilhões para a subsidiária Kling AI
American Express e Chase levam disputa por clientes de alta renda para além dos aeroportos
Compras de ações da SpaceX por membros do Congresso dos EUA vêm à tona após IPO recorde
Publicado 25/03/2026 • 13:12 | Atualizado há 3 meses
As redes sociais vivem uma transformação silenciosa, mas profunda: o que antes era medido por curtidas agora passa a ser definido pela capacidade de gerar conversas contínuas. A mudança, já perceptível em plataformas como X e Instagram, altera não apenas os algoritmos, mas também o tipo de conteúdo que ganha visibilidade – e, possivelmente, o comportamento dos usuários.
Esse novo modelo se apoia em uma lógica simples: interações mais complexas e duradouras têm mais valor do que reações rápidas. Curtidas, que podem ser automatizadas ou realizadas sem grande envolvimento, perdem relevância diante de cadeias de comentários que se desdobram ao longo do tempo.
O valor da conversa em cadeia
A priorização de discussões prolongadas responde a um problema antigo das plataformas: a baixa confiabilidade de métricas como curtidas e seguidores. Essas interações são facilmente inflacionadas por robôs ou por ações pouco refletidas dos usuários, o que reduz seu valor como indicador real de atenção.
Já o comentário exige mais esforço cognitivo e engajamento ativo. Quando esse comentário gera resposta, e essa resposta gera uma nova interação, cria-se uma cadeia que mantém o usuário por mais tempo na plataforma – exatamente o objetivo central das redes.
Leia também: IA inspirada no cérebro busca maior eficiência energética
Esse tipo de dinâmica, no entanto, não é facilmente replicável por sistemas automatizados, ao menos nos moldes tradicionais. Isso aumenta o valor dessas interações para os algoritmos, que passam a privilegiar conteúdos capazes de gerar debates contínuos.
Conteúdo pensado para não se fechar
Com a mudança nos critérios de engajamento, o conteúdo também se transforma. Em vez de mensagens completas, que apresentam começo, meio e fim, ganham espaço publicações propositalmente abertas – que convidam o público a participar, corrigir ou complementar.
A lógica é baseada em um princípio conhecido da psicologia: a tendência humana de buscar completar informações incompletas. Quando uma ideia parece inacabada, surge o impulso de intervir, opinar ou corrigir.
Esse mecanismo pode ser explorado de diferentes formas, desde listas deliberadamente incompletas até conteúdos com erros intencionais, criados para estimular respostas. A consequência é um ambiente em que o engajamento nasce da sensação de que algo precisa ser resolvido coletivamente.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCA entrada dos agentes artificiais
Essa transformação se conecta a outra mudança estrutural: a entrada de agentes artificiais nas redes sociais. Com a evolução da inteligência artificial, torna-se possível criar perfis capazes de interagir, responder e sustentar conversas de forma contínua.
Como o custo de resposta para sistemas automatizados é muito menor do que para humanos, esses agentes podem ampliar significativamente o volume de interações. Isso favorece um modelo em que o engajamento é, em parte, impulsionado artificialmente.
Na prática, esses sistemas tendem a estimular conversas abertas, muitas vezes mantendo um grau de ambiguidade ou incompletude que incentive novas respostas. A lógica se aproxima de estratégias já conhecidas no ambiente digital, como conteúdos que provocam reações ou exploram dúvidas.
Impactos sobre o comportamento e o debate público
A mudança levanta questionamentos sobre seus efeitos mais amplos. Se, por um lado, há um uso sofisticado de princípios da psicologia cognitiva para aumentar o engajamento, por outro, cresce a preocupação com a qualidade das interações.
Ambientes que priorizam a continuidade da conversa, em vez da construção de conclusões, podem favorecer conteúdos menos assertivos e mais voltados à provocação do que à informação. Nesse cenário, a lógica da síntese – típica de áreas como o jornalismo – perde espaço para dinâmicas que incentivam o debate constante, mas nem sempre produtivo.
O resultado pode ser a formação de um comportamento mais reativo, com grande volume de opiniões, mas menor disposição para consolidar entendimentos ou buscar conclusões.
Ao privilegiar a conversa que não termina, as redes sociais inauguram uma nova fase do engajamento digital – mais intensa, mais contínua e, possivelmente, mais complexa em seus efeitos sobre a sociedade.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Álvaro Machado Dias é um neurocientista e futurista de reputação internacional. Ele é professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo, membro do Painel Global de Tecnologia do MIT e fellow da Brain & Behavioral Sciences (Cambridge).
Maiores Audiências
1
Paraguai x França pode entrar para a história como uma das partidas mais quentes da Copa
2
CBF exclui CazéTV da disputa pelos direitos da Copa do Brasil até 2030
3
Robô realista que promete “amor eterno” é lançado na China por até R$ 753 mil
4
Empresas da família Poncio somam mais de R$ 2,9 bilhões em dívidas com a União
5
Campeões do Penta: dos 20 carros mais vendidos em 2002, apenas 6 seguem em linha