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2 milhões de pessoas trabalham por aplicativos no Brasil; o que está por trás?

Publicado 08/09/2026 • 16:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Trabalho por aplicativo cresce no Brasil junto com a informalidade.
  • Modalidade já é vista como trabalho principal entre milhares de brasileiros.
  • Regras e faturamento dependem diretamente da plataforma, de acordo com os trabalhadores.
Entregador

Foto: Unsplash

2 milhões de pessoas trabalham por aplicativos no Brasil o que está por trás

O trabalho por aplicativos ganhou ainda mais espaço no mercado brasileiro nos últimos anos. Motoristas, entregadores e profissionais de diferentes áreas passaram a usar plataformas digitais como principal fonte de renda.

Os dados mais recentes do IBGE ajudam a entender o tamanho desse fenômeno e também revelam diferenças em jornada, renda, informalidade e dependência das plataformas.

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Força dos aplicativos

Em 2025, 1,959 milhão de pessoas trabalharam por meio de plataformas digitais, segundo a Pnad Contínua do IBGE. Esse grupo representou 1,9% do total de empregados no país.

Dessa forma, cerca de 1,2 milhão de pessoas usavam aplicativos para transporte de passageiros, o equivalente a 58,9% do total. Já os entregadores somavam 376 mil trabalhadores, enquanto outros 313 mil atuavam em serviços gerais ou profissionais por meio das plataformas.

2 milhões de pessoas trabalham por aplicativos no Brasil; o que está por trás?
Foto: Agência Brasil

Dificuldade para encontrar emprego

Entre motoristas de aplicativos e entregadores, o principal motivo apontado para entrar em trabalhos por aplicativos foi a dificuldade para conseguir outro emprego. Flexibilidade e possibilidade de obter renda maior do que em outras opções disponíveis também apareceram entre as razões citadas.

Além disso, considerando a categoria como a opção principal de trabalho, o número chegou a 1,8 milhão em 2025. Esse total representa alta de 9,1% em um ano e de 36,8% em três anos, de acordo com a Agência Brasil.

Jornada e valores recebidos

O rendimento mensal médio dos trabalhadores por aplicativos ficou em R$ 3.147 em 2025, praticamente o mesmo valor dos demais trabalhadores do setor privado. Dessa forma, a principal diferença aparece na jornada.

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Os trabalhadores por aplicativo cumpriam, em média, 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas dos trabalhadores comuns. Com isso, o rendimento médio por hora ficou em R$ 16,20, cerca de 12% abaixo dos R$ 18,40 registrados entre trabalhos fora das plataformas.

Informalidade também pesa na decisão

A pesquisa do IBGE também mostra uma diferença grande na formalização. Entre os trabalhadores de aplicativos, 72,1% estavam na informalidade, ou seja, sem registro oficial, e apenas 34% mantinham cobertura previdenciária.

Entre os demais trabalhadores, a informalidade atingia 42,7%, enquanto 63% contavam com proteção previdenciária. Além disso, 86,8% dos trabalhadores em plataformas trabalhavam por conta própria.

Regras das plataformas

Apesar da classificação como autônomos, muitos trabalhadores afirmam que as empresas controlam pontos importantes da atividade. Entre motoristas de aplicativos, 80,2% disseram que o valor de cada corrida depende totalmente da plataforma.

Entre entregadores, 78,3% deram a mesma resposta, apontando que a renda é incerta. O IBGE também identificou dependência em relação a prazos e formas de pagamento, o que diferencia esse grupo do trabalhador autônomo tradicional.

Leia também: Pesquisa revela endividamento e ansiedade financeira em 95% dos trabalhadores no Brasil

Empresas contestam as informações do IBGE

A Amobitec, associação que reúne empresas do setor de entrega e serviços por aplicativo, reconheceu a importância do estudo, mas questionou a metodologia utilizada. A entidade afirma que alguns resultados não refletem com precisão a realidade do setor e citou pesquisas de outras instituições com números diferentes.

Mesmo assim, os dados do IBGE reforçam que o trabalho por aplicativos cresce no Brasil, mas continua marcado por jornadas longas, informalidade elevada e forte dependência das regras definidas pelas plataformas.

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