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Às vésperas de decidir sobre tarifaço, EUA podem ampliar exceções à sobretaxa de 25% contra o Brasil

Publicado 13/07/2026 • 21:33 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Ex-diretor-geral da OMC afirma que as perguntas do governo americano foram mais objetivas do que na audiência anterior.
  • Comitê buscou entender se há fornecedores capazes de substituir o Brasil e qual seria o impacto da tarifa sobre consumidores dos EUA.
  • Azevêdo avalia que a decisão tem caráter de política industrial e fiscal, com menor peso de questões político-ideológicas.

O Brasil dificilmente escapará da tarifa adicional de 25% proposta pelos Estados Unidos, mas os argumentos apresentados nas audiências públicas podem ampliar a lista de produtos isentos. É o que avalia Roberto Azevêdo, diplomata e ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Azevêdo afirmou que as discussões realizadas em Washington deram razões para “algum otimismo” em relação à inclusão de novos produtos na lista de exceções.

“Não aplicar a tarifa ou dizer que o Brasil está bem e deixar isso para lá eu não acho provável. Acho altamente inviável, na verdade”, afirmou.

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O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, tem até quarta-feira (15) para concluir a investigação da Seção 301 e decidir se adota a sobretaxa contra produtos brasileiros.

Azevêdo ressaltou que as audiências não foram uma mesa de negociação, mas uma etapa do processo de investigação sobre práticas que os Estados Unidos consideram desleais, discriminatórias ou injustas.

“Não houve negociação nenhuma. A audiência pública é uma etapa apenas do processo de investigação da Seção 301”, disse.

Segundo o diplomata, tanto as apresentações dos setores envolvidos quanto as perguntas feitas pelo comitê americano foram mais objetivas do que na primeira audiência, realizada em setembro do ano passado.

Os participantes detalharam quais produtos e setores deveriam ser excluídos da tarifa. O comitê, por sua vez, questionou se existiriam fornecedores nos Estados Unidos ou em outros países capazes de ocupar o espaço deixado por produtos brasileiros.

“Se não tiver nem no território americano, nem fora do território americano, e nós aplicarmos a tarifa de toda forma, qual o impacto que isso teria na cadeia produtiva, no preço final dos produtos? Qual o impacto que isso teria sobre o consumidor americano?”, questionou Azevêdo.

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Para o ex-diretor-geral da OMC, o teor das perguntas mostra que o governo americano está avaliando os efeitos econômicos da medida sobre suas próprias empresas e consumidores.

“Isso me leva a crer que nós temos razões para algum otimismo com relação à possibilidade de que novos produtos sejam incluídos na lista de exceção”, afirmou.

Azevêdo disse que a investigação específica contra o Brasil deve ser analisada dentro de uma política comercial mais ampla dos Estados Unidos. Segundo ele, Washington tem adotado medidas tarifárias contra um grande número de países.

Na avaliação do diplomata, a possível sobretaxa tem componentes de política industrial e fiscal. Além de estimular a produção doméstica, a elevação das tarifas pode aumentar a arrecadação americana e ajudar a compensar incentivos concedidos a empresas no país.

“É política industrial e podemos até argumentar que é política fiscal, porque um objetivo adicional é aumentar a arrecadação”, disse.

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Azevêdo avaliou que questões político-ideológicas ligadas ao Brasil têm menos peso atualmente na condução do processo pelo USTR, o qual classificou como um órgão predominantemente técnico.

Segundo ele, esse tipo de consideração pode ter maior influência no Departamento de Estado ou na Casa Branca, mas aparece em menor intensidade na análise comercial.

“Seguramente, é uma dosagem bastante mais baixa de componente político dessa natureza”, concluiu.

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