CNBC
Anthropic

CNBCReceita anualizada da Anthropic supera US$ 65 bilhões às vésperas do IPO

Notícias do Brasil

Crise que atinge Casas Bahia e Marabraz pode se espalhar pelo varejo até 2027

Publicado 17/08/2026 • 21:09 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Dificuldades de Casas Bahia e Marabraz combinam juros elevados, crédito caro e demora na adaptação às mudanças estruturais do varejo.
  • Crise deve se prolongar e alcançar mais empresas, enquanto companhias capazes de equacionar dívidas terão melhores condições de sobrevivência.
  • Recuperação judicial pode ganhar espaço entre pequenas e médias empresas e funcionar como instrumento para preservar negócios em dificuldades.

A crise enfrentada por Casas Bahia e Marabraz não deve ficar restrita às duas varejistas e tende a atingir um número maior de empresas até 2027, diante da combinação entre juros elevados e transformações estruturais no setor, segundo Claudio Damasceno, sócio da RGF Bizdoc e especialista em reestruturação.

Em entrevista nesta segunda-feira (17) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele avaliou que o crescimento recente das vendas no comércio não elimina as dificuldades de companhias que chegaram ao atual cenário com estruturas pesadas, crédito caro e atraso na adaptação às novas formas de consumo.

Para Damasceno, o problema ultrapassa o cenário econômico brasileiro e não pode ser explicado apenas pelo nível dos juros. “É um fenômeno internacional. A gente tem o varejo sofrendo já há algum tempo no mundo inteiro e não é uma mudança cíclica, é uma mudança estrutural por conta da disrupção causada pela tecnologia”, avaliou.

Leia também: Recuperação judicial de Casas Bahia, Marabraz e Tok&Stok escancara os gargalos do varejo

Nesse ambiente, as taxas elevadas acabam agravando problemas que já existiam nas companhias. “O varejo que não se preparou nos últimos anos está sofrendo as consequências e o juro ataca justamente as empresas com maior vulnerabilidade”, ressaltou.

Casas Bahia demorou a se adaptar

No caso específico das Casas Bahia, Damasceno considera que parte das dificuldades atuais está relacionada à demora para promover mudanças que outras varejistas começaram a implementar anteriormente. “É um caso típico de atraso na lição de casa”, definiu.

Segundo ele, empresas do setor vêm adotando há anos o chamado omnichannel, modelo que integra diferentes canais de venda. “Algumas empresas de varejo estão se remodelando, se reinventando e incorporaram o que a gente chama de omnichannel, que são vários canais de venda. E Casas Bahia foi um pouco mais lenta nesse processo e depois tentou recuperar o atraso”, observou.

Leia também: Marabraz: entenda como ruptura familiar afetou crédito e levou grupo à recuperação judicial

A tentativa de recuperação extrajudicial realizada em 2024 já indicava, na avaliação do especialista, a necessidade de transformações mais profundas. “Ela colocou em pauta uma série de mudanças urgentes que ainda não haviam sido feitas e não houve tempo de colocar em prática nesses últimos dois anos”, recordou.

Por isso, Damasceno considera que as dificuldades atuais não surgiram repentinamente. “Foi um problema anunciado. Ela convive com caixa apertado, crédito muito caro e uma infraestrutura pesada para o conceito atual de varejo”, pontuou.

Estoque vira desafio após recuperação judicial

Embora Casas Bahia e Marabraz tenham estruturas empresariais diferentes, Damasceno vê semelhanças importantes nas dificuldades enfrentadas pelas duas companhias. “São muito semelhantes”, comparou.

Leia também: Marabraz diz que manterá operação, empregos e que recuperação judicial servirá para reestruturar empresa

Uma diferença importante poderá surgir na capacidade de cada empresa de negociar com seus fornecedores e manter produtos disponíveis para venda. “O que a gente vai observar na sequência é o quanto cada uma delas vai ter poder de barganha para manter o suprimento de estoques”, indicou.

Esse é um ponto especialmente delicado após um pedido de recuperação judicial. “O que acontece quando a gente tem uma RJ, no primeiro momento, é que os fornecedores se afastam. Na verdade, já vêm se afastando”, advertiu.

Nas Casas Bahia, segundo Damasceno, esse movimento já aparece nos estoques. “A queda de estoque, por exemplo, da Casas Bahia foi de 20% nos últimos três meses”, destacou.

Leia também: Consumidor também pode virar credor em recuperação judicial das Casas Bahia

A redução pode alimentar um ciclo de deterioração da operação. “Ela começou a ter menos produto para vender, portanto, menor faturamento, menor capacidade de honrar os compromissos financeiros”, assinalou.

Com a recuperação judicial, parte da pressão financeira imediata é contida, mas surge outro desafio. “Agora estanca a saída financeira. Por outro lado, ela passa a uma queda de braço para ver se os fornecedores continuam suprindo, alimentando o fluxo de produtos a serem vendidos”, ponderou.

Crise pode alcançar mais empresas

Damasceno prevê que a combinação entre juros elevados, desaceleração econômica e dificuldades de crédito deve prolongar os problemas enfrentados pelo setor. “Nosso entendimento é que haverá uma ampliação dessa crise, não só no tempo, mas também na quantidade de empresas”, projetou.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Leia também: Quem são os credores da Casas Bahia?

Na avaliação do especialista, um período prolongado de taxas elevadas deverá provocar uma redução do número de participantes em alguns segmentos. “Esse problema de juro muito alto e por longo prazo vai exigir que o mercado todo tenha um enxugamento”, frisou.

Nesse processo, a capacidade de reorganizar as dívidas será determinante. “Vão sobrar menos empresas e as que conseguirem equacionar o endividamento vão sobreviver”, avaliou.

Ao mesmo tempo, a recuperação judicial tende a deixar de ser um instrumento associado predominantemente a grandes companhias. “A gente tem o fenômeno, o instituto da recuperação judicial, que passa a ser usado por médias empresas e pequenas empresas em volume maior”, salientou.

Isso não significa necessariamente que o aumento dos pedidos represente apenas fechamento de negócios. “A solução de dívida passa por uma RJ que pode preservar empresas”, argumentou. Na avaliação de Damasceno, “um aumento da RJ pode significar um aumento da sobrevida do varejo”.

Leia também: Casas Bahia: queda nas ações chega a 18% com prejuízo de R$ 10,1 bilhões e pedido de recuperação judicial

Magazine Luiza mostra efeito da adaptação

Enquanto algumas empresas enfrentam dificuldades, outras chegam ao atual cenário em posição mais resistente. Damasceno citou o Magazine Luiza como exemplo de companhia que iniciou anteriormente sua transformação para um modelo integrado de varejo.

O mercado olha o segmento, olha o setor e vê os players que estão fortalecidos”, comentou. Para ele, “Magazine Luiza é um caso emblemático no Brasil, que começou a mudança há décadas”.

Damasceno relatou ter acompanhado essa transformação há mais de uma década, quando a companhia já trabalhava na migração para o modelo omnichannel. “Há 12, 15 anos, eles já estavam fazendo a transição para o modelo omnichannel”, lembrou.

Leia também: Casas Bahia: diretor e conselheiros renunciam após pedido de recuperação judicial

Essa antecipação ajuda a explicar, na avaliação do especialista, a posição atual da empresa. “Eles estão colhendo o resultado disso nos últimos anos”, enfatizou.

Mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor, Damasceno vê maior resistência da companhia. “Com o varejo sofrendo essa pressão toda que a gente falou, eles estão resilientes e fortes. E o mercado reconhece isso”, acrescentou.

Poucos segmentos escapam da pressão

Apesar das diferenças entre os diversos tipos de comércio, Damasceno considera que o varejo como um todo permanece pressionado. Há, porém, segmentos em condições relativamente melhores.

Um deles é o de farmácias, beneficiado por características específicas de demanda. “Tem uma situação um pouco diferente, porque tem uma demanda não só constante, mas até crescente”, diferenciou.

Leia também: Lucro ajustado da Magazine Luiza recua para R$ 124,7 milhões no 4º trimestre, tombo anual de 10,5%

O especialista também apontou mudanças estruturais ocorridas nesse mercado. “É um setor que teve uma grande concentração, uma oligopolização e uma gestão muito eficiente”, analisou.

Para a maior parte do comércio, entretanto, continuam pesando os custos financeiros associados à própria operação. “A gente está convivendo com um custo muito caro de carregamento do estoque, por um lado, e um custo muito caro da infraestrutura de PDV”, enumerou.

Por isso, mesmo quando determinados segmentos apresentam desempenho relativamente melhor, Damasceno evita caracterizar o cenário como favorável. “Se a gente for estratificar isso entre os demais setores, a gente tem setores com menor crise, mas não setores que estão propriamente bem”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil