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Desaceleração da inflação abre espaço para valorização da bolsa de valores

Publicado 10/07/2026 • 23:00 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Ian Lopes afirma que desaceleração da inflação fortaleceu expectativa de corte da Selic e impulsionou o Ibovespa.
  • Economista destaca recuperação de varejo e bancos e vê espaço para novas altas da Bolsa.
  • Cenário externo e política fiscal seguem entre os principais riscos para os mercados.

A desaceleração da inflação abriu espaço para uma nova valorização da Bolsa brasileira e reforçou as expectativas de redução da taxa Selic, afirmou o economista da Valor Investimentos, Ian Lopes, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (10). Segundo ele, a melhora dos indicadores permitiu que o Ibovespa voltasse a se aproximar dos 178 mil pontos, patamar que não era visto desde maio.

“Foi uma notícia extremamente positiva. A inflação veio abaixo do esperado e isso abriu margem para mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. O mercado reagiu muito bem e esperamos que outras boas notícias apareçam até o fim do ano”, afirmou.

O economista destacou que o índice chegou a superar os 178 mil pontos durante o pregão antes de perder parte dos ganhos no fechamento, movimento impulsionado principalmente pela melhora das perspectivas para os juros.

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“Uma alta próxima de 3% era algo que não víamos havia bastante tempo. Esse movimento mostra como o mercado responde rapidamente quando o cenário para os juros melhora”, disse.

Varejo e bancos lideram

Segundo Ian Lopes, empresas mais sensíveis aos juros foram as principais beneficiadas pela melhora das expectativas para a política monetária.

“As empresas de varejo e outras companhias de crescimento tiveram um desempenho muito interessante. Os bancos também apresentaram uma valorização importante, acompanhando esse movimento de maior otimismo”, explicou.

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Ele observou que a Petrobras teve desempenho mais moderado, apesar da alta recente do petróleo. “Quando os juros caem, a tendência é a Bolsa subir. Foi exatamente isso que vimos, principalmente nas empresas mais dependentes do crédito”, ressaltou.

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Dólar e cenário externo

Na avaliação do economista, a queda do dólar refletiu tanto fatores domésticos quanto internacionais. “A perspectiva de uma Selic menor influencia o câmbio, mas também tivemos um ambiente externo mais favorável, com o petróleo recuando e um tom mais moderado de Donald Trump em relação ao Irã”, afirmou.

Segundo ele, a combinação desses fatores levou a moeda americana para perto de R$ 5,11. “Foi uma combinação de fatores internos e externos que ajudou tanto o câmbio quanto os ativos de risco”, acrescentou.

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O que acompanhar

Para os próximos dias, Ian Lopes afirmou que o mercado continuará atento principalmente ao cenário internacional. “A política monetária americana continuará sendo determinante. A ata do Fed mostrou um comitê mais dividido e isso ainda pode gerar volatilidade”, disse.

Ele também destacou que os desdobramentos das tensões no Oriente Médio e a política fiscal brasileira seguirão no radar dos investidores. “Além do cenário externo, será importante acompanhar a discussão sobre os subsídios aos combustíveis e a evolução das contas públicas. Esses fatores podem mexer bastante com o humor do mercado”, explicou.

Apesar da recuperação recente, o economista avalia que ainda existe espaço para novas altas da Bolsa caso o ambiente econômico continue evoluindo de forma favorável. “Se tivermos boas notícias sobre a política monetária dos Estados Unidos e uma melhora na política fiscal brasileira, o Ibovespa pode continuar avançando. Ainda é cedo para cravar esse cenário, mas o potencial existe”, concluiu.

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