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Brasileiros são presos por fraude de US$ 20 milhões contra imigrantes nos EUA

Publicado 23/04/2026 • 17:25 | Atualizado há 2 semanas

KEY POINTS

  • Quatro brasileiros suspeitos de envolvimento em um esquema de fraude e extorsão de imigrantes foram presos nos EUA.
  • A Legacy Imigra se apresentava como uma agência de serviços de imigração que tinha, em sua maioria, clientes brasileiros.
  • Segundo investigação, o grupo obteve mais de 20 milhões de dólares por meio de manipulação e extorsão.

Uma operação das autoridades do Condado de Orange, nos Estados Unidos, prendeu quatro brasileiros suspeitos de envolvimento em um esquema de fraude e extorsão ligado à empresa Legacy Imigra. De acordo com as autoridades, o esquema pode ter movimentado mais de US$ 20 milhões nos últimos três anos.

Segundo a investigação, a companhia se apresentava como uma agência de serviços de imigração que tinha, em sua maioria, clientes brasileiros. “Nossos parceiros no Departamento de Segurança Interna acreditam que este pode ser o maior caso de fraude migratória já visto”, disse o xerife John Mina, responsável pelo caso, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (23).

“Por anos, a Legacy Imigra se promoveu como uma agência de serviço completo, cujos advogados cuidavam de processos de imigração e asilo para imigrantes que buscavam status legal nos Estados Unidos”, afirmou.

Vagner Soares De Almeida, sua esposa Juliana Colucci e seus colaboradores Ronaldo De Campos e Lucas Felipe Trindade Silva são acusados de fraude organizada, associação criminosa, extorsão e exercício ilegal da advocacia. Além dos quatro principais suspeitos, outras dez pessoas foram detidas durante a operação e encaminhadas às autoridades de imigração por estarem em situação irregular no país.

 Juliana Colucci, Ronaldo Decampos, Vagner De Almeida, Lucas Trindade Silva (Foto: Orange County Jail)

“A Legacy criava contas de e-mail em nome das vítimas sem o conhecimento delas e depois retinha documentos, informando que só entregaria a papelada mediante novos pagamentos”, descreve o xerife. 

Segundo a investigação, o grupo usou o medo da deportação como principal meio de chantagem. “Sete vítimas se apresentaram – cada uma perdeu entre US$ 2.500 e US$ 26.000. E acreditamos que poderia haver centenas de mais”, afirmou Mina.

A ação foi conduzida pelo Gabinete do Xerife do Condado de Orange em conjunto com o Departamento de Investigações de Segurança Interna (HSI) e o Gabinete do Procurador-Geral da Flórida.

As investigações apontam que a empresa criava contas de e-mail em nome dos clientes sem autorização e retinha documentos, exigindo pagamentos adicionais para dar continuidade aos processos.

“Todo mundo que tinha processo com eles está doido, e eu sou uma deles. Tomei um calote deles e fiz várias pessoas tomarem também. Mas, na época, eu não tinha conhecimento. Eu também sou vítima”, diz Roberta Rodrigues, brasileira que mora nos EUA, em publicação no Instagram.

“As vítimas disseram aos nossos agentes que, uma vez comprometidas financeiramente e após iniciarem os pagamentos, a Legacy Imigra passou a ampliar seu controle”, afirmou o xerife.

O caso começou a ser investigado após a denúncia de um advogado, que relatou múltiplas reclamações de clientes que pagaram por serviços que não foram executados ou foram conduzidos de forma irregular.

Segundo o xerife, o fundador da empresa também estava nos Estados Unidos de forma ilegal, após permanecer além do prazo do visto. 

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