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Genérico de semaglutida deve ampliar acesso e acelerar mercado de canetas no Brasil
Publicado 18/08/2026 • 21:10 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/08/2026 • 21:10 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A chegada do primeiro genérico nacional de semaglutida deve reduzir preços, ampliar o número de consumidores e acelerar a expansão do mercado brasileiro de medicamentos à base de GLP-1, segundo Ramon Coser, especialista da Valor Investimentos. Para ele, o aumento da concorrência tende a favorecer o consumidor, embora as grandes farmacêuticas devam continuar ocupando posições relevantes no setor.
Em entrevista nesta terça-feira (18) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Coser afirmou que o medicamento produzido pela EMS deverá chegar ao mercado com valor 35% inferior ao produto de referência. “Ele vai ter acesso mais barato, a partir da data do Diário Oficial, com 35% de desconto, e deve fazer com que o preço chegue de forma mais acessível aos consumidores”, explicou.
A Anvisa autorizou o registro de duas novas canetas de semaglutida no Brasil, uma delas o primeiro genérico nacional, fabricado pela EMS, e outra produzida pela Germed. Os medicamentos à base de GLP-1 são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2, enquanto produtos dessa classe também estão presentes no mercado de tratamento da obesidade.
Para Coser, a EMS larga em posição favorável porque o mercado de genéricos tem uma dinâmica diferente daquela dos medicamentos de marca, especialmente em relação à publicidade e à decisão de compra no ponto de venda.
“No genérico você não pode fazer propaganda. Então, quando uma pessoa for ao médico, tiver a prescrição de usar a semaglutida, ela vai ter acesso ao genérico”, explicou.
Nesse cenário, a disponibilidade do medicamento nas farmácias ganha importância. “Quando ele for à farmácia, vai simplesmente falar: ‘Eu aceito o genérico’. E quem é a empresa que está mais bem preparada para isso? É a fornecedora, que é a EMS. Então ela sai na frente, assim como a Germed”, afirmou Coser.
O especialista acredita que a maior oferta deve contribuir para a popularização desse tipo de medicamento. Além das novas canetas, o mercado acompanha o desenvolvimento de novas formas de administração, incluindo versões orais.
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“Cada vez mais a gente está tendo mais produtos. Há expectativa de que sejam lançados até via oral em um futuro breve”, destacou.
A disputa por esse mercado já está levando grandes farmacêuticas a ampliarem seus investimentos, segundo Coser. Ele citou como exemplo um aporte de aproximadamente R$ 1 bilhão em uma unidade em Minas Gerais.
“Essa concorrência, mais a aprovação de genéricos, é benéfica para os consumidores, porque vai ter produtos tanto para diabetes quanto para obesidade que devem ter um preço mais acessível mais para a frente”, avaliou.
Apesar da entrada de novos concorrentes, Coser não espera uma perda significativa de espaço das maiores companhias farmacêuticas. Para ele, essas empresas continuarão investindo no desenvolvimento de novas moléculas e tratamentos.
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“Acho que as grandes farmacêuticas vão estar sempre bem posicionadas. Elas vão estar procurando cada vez mais moléculas”, afirmou. Na avaliação do especialista, “essas empresas vão ser as grandes controladoras desse mercado”.
O impacto dos medicamentos à base de GLP-1 já começa a aparecer nos resultados das grandes redes de farmácias brasileiras, segundo Coser. Dados acompanhados pelo especialista indicam que o desempenho do setor teria sido significativamente menor sem as vendas desses produtos.
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Siga o Times | CNBC“Já foi mostrado que, se não tivesse ocorrido o lançamento das canetas emagrecedoras, a receita teria sido 3% menor”, afirmou.
Coser disse que indicadores recentes apontaram uma aceleração relevante nas receitas das farmácias. “Saiu de 8,6% a receita das farmácias para aproximadamente 12%. Então são quase três pontos tanto de receita quanto de lucro”, destacou.
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O crescimento das canetas também pode provocar mudanças em outros mercados à medida que altera hábitos de consumo. “Empresas de proteínas já estão projetando algumas quedas em sua receita final devido ao menor consumo. Quem deve ser bastante impactado realmente é bebida alcoólica”, avaliou.
Segundo ele, empresas já começam a reagir a essa transformação. “Não à toa, nós já vemos uma grande propaganda de bebidas não alcoólicas e alguns alimentos que contêm mais proteína para atender esse tipo de público”, acrescentou.
O tamanho potencial do mercado brasileiro é um dos fatores que sustentam as expectativas de expansão. Segundo Coser, as projeções indicam a comercialização de 26 milhões de unidades de canetas entre 2025 e 2029.
“Estão falando que de 2025 até 2029 podem ser lançadas 26 milhões de unidades de canetas no Brasil. É bastante grande esse mercado e cada vez mais vai ter mais investimentos e mais pessoas utilizando o produto”, afirmou.
A redução dos preços tende a reforçar esse movimento. “Sem dúvida nenhuma, ainda mais com redução de preço”, acrescentou o especialista.
Para Coser, a lógica é de ganho de escala: quanto mais acessível o medicamento se tornar, maior tende a ser a quantidade comercializada. “A partir do momento que você tem um preço mais acessível, você vai ter mais quantidade, e a gente fala de escala”, explicou.
O especialista acredita que a busca por tratamentos relacionados ao controle do peso e à saúde metabólica deve sustentar a expansão do segmento nos próximos anos.
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“É um mercado em que cada vez mais as pessoas querem ter mais saúde. Então, não tem para onde correr: esse mercado só vai ser crescente, com mais pessoas usando”, afirmou.
Coser também citou a investigação de possíveis efeitos desses medicamentos em outras condições como um fator que pode ampliar sua utilização no futuro. Ao relatar sua própria experiência, afirmou que utiliza uma caneta e mencionou efeitos observados no tratamento de gordura no fígado.
“Tem muitas questões em que estão vendo que os efeitos das canetas podem ajudar em muitos outros tratamentos”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a combinação de novos produtos, redução de preços, escala e investimentos das farmacêuticas torna a expansão desse segmento praticamente irreversível. “É um caminho sem volta. Ele só vai ser crescente”, concluiu.
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