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Caso Digimais pode abalar confiança em bancos médios e baratear custos de captação dos grandes, diz economista

Publicado 23/06/2026 • 21:25 | Atualizado há 23 minutos

KEY POINTS

  • Economista-chefe da Garantia Capital afirma que investigação contra o Digimais é grave por envolver suspeitas sobre patrimônio e balanço do banco.
  • André Perfeito diz que o Banco Central tende a estar mais vigilante após o caso Master.
  • Para ele, não há sinal de risco sistêmico, mas investidores podem migrar recursos de bancos médios para grandes instituições.

A operação da Polícia Federal contra o Banco Digimais é grave por envolver suspeitas de fraudes contábeis e financeiras que podem afetar a leitura sobre o patrimônio da instituição. A avaliação é de André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Perfeito afirmou que, pelas informações divulgadas até agora, a investigação aponta para possíveis alterações patrimoniais usadas para sustentar o funcionamento do banco.

Segundo ele, esse tipo de suspeita acende alerta no Banco Central, especialmente depois do caso Banco Master.

“É justamente isso que o Banco Central não quer mais ver no sistema financeiro depois de tudo que a gente passou com a história do Banco Master”, disse.

Leia também: Digimais já mostrava fragilidade em ativos e liquidez antes de rebaixamento

Banco Central mais vigilante

Perfeito afirmou que o Banco Central tem papel central na supervisão da solidez das instituições financeiras. A autoridade monitora a relação entre ativos, passivos e patrimônio líquido dos bancos, indicador essencial para avaliar a capacidade de alavancagem.

Esse acompanhamento está ligado ao índice de Basileia, métrica usada para medir a suficiência de capital das instituições financeiras.

“Esse patrimônio líquido tem que ser suficientemente alto para permitir a alavancagem, porque os bancos alavancam esse dinheiro”, afirmou.

Na avaliação do economista, quando há dúvidas sobre a forma de contabilização de ativos, prejuízos ou lucros, a situação real de um banco pode parecer melhor do que de fato é.

“O Banco Central identifica esses problemas e pede explicações à instituição. Se já caiu no colo da Polícia Federal, talvez tenha extrapolado isso ou tenham descoberto algo mais grave”, disse.

Rating e risco para investidores

O rebaixamento do rating do Banco Digimais por uma agência de classificação de risco indica que foram identificados pontos de preocupação no balanço ou na situação financeira da instituição, afirmou Perfeito.

Segundo ele, o problema pode estar na qualidade dos ativos, na liquidez ou na forma como esses ativos foram marcados no balanço.

“O banco pega recursos de terceiros ou próprios e aloca em ativos que entende que vão render mais do que o lado do passivo”, disse. “Se esses ativos não estão bem marcados ou não têm liquidez clara e certa, isso pode gerar descasamento.”

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Para o economista, a persistência de dúvidas pode corroer a confiança na instituição.

“Banco é confiança. Se você não confia, não acontece”, afirmou.

Sem risco sistêmico

Apesar da gravidade da investigação, Perfeito disse que o caso Digimais tende a ficar restrito à própria instituição e não representa, por ora, risco sistêmico para o setor bancário.

“Aparentemente vai ficar restrito ali. Enquanto proporção do mercado bancário, não é tão relevante”, afirmou.

Ele ponderou, porém, que casos envolvendo bancos médios e pequenos podem gerar um movimento defensivo de investidores. Na prática, parte dos recursos aplicados em CDBs de instituições menores pode migrar para bancos grandes.

“Quando as pessoas começam a ter medo de instituições médias ou pequenas, intuitivamente sacam dinheiro do CDB de um banco médio e colocam no CDB de um banco grande”, disse.

Segundo Perfeito, esse movimento pode baratear o custo de captação dos grandes bancos, que passam a atrair mais demanda por seus títulos.

Leia também: Digimais rebate auditoria sobre fundos que renderam R$ 639 milhões

FGC e proteção ao investidor

Perfeito afirmou que investidores com CDBs e outros produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) contam com proteção de até R$ 250 mil por CPF, dentro das regras do fundo.

Ele destacou que o Brasil tem uma estrutura de proteção relevante para correntistas e investidores, embora o episódio reforce a necessidade de atenção ao risco de crédito.

“A gente tem no Brasil uma coisa que não é todo país do mundo que tem. Temos que nos orgulhar de ter um FGC com esse poder e essa capacidade de articular e salvar”, afirmou.

Para o economista, o Banco Central tende a ser mais criterioso após os estresses recentes no sistema financeiro.

“Dado o estresse que gerou no sistema por conta do caso Banco Master, eles não vão deixar passar mais incongruências ou incapacidades dessa relação do patrimônio líquido com o total alavancado no ativo”, disse.

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