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Digimais já mostrava fragilidade em ativos e liquidez antes de rebaixamento
Publicado 23/06/2026 • 17:12 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 23/06/2026 • 17:12 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A deterioração da qualidade dos ativos e problemas de liquidez já indicavam sinais de fragilidade no Banco Digimais antes do rebaixamento de sua classificação de risco. É o que avaliou Hudson Bessa, especialista em mercado financeiro, sócio da HB Escola de Negócios e professor da Escola de Administração da ESPM.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (23), Bessa afirmou que havia um descasamento relevante entre os passivos do banco, formados por captações de curto prazo, e ativos de baixa liquidez e prazo mais longo de maturação.
“Você tinha um banco que captava um CDB para pagar daqui a alguns meses ou um ano, enquanto do outro lado havia ativos de liquidez muito longa, como FIDCs e outros ativos de baixa liquidez”, disse.
Segundo ele, também havia dificuldade para precificar parte desses ativos, o que levantava dúvidas sobre a rentabilidade apresentada pela instituição.
“Você começa a ficar desconfiado com aqueles saltos de rentabilidade”, afirmou.
Leia também: Digimais rebate auditoria sobre fundos que renderam R$ 639 milhões
Bessa disse que as preocupações com a situação financeira do Digimais já apareciam em negociações para uma possível aquisição da instituição por outro banco.
Segundo ele, a necessidade de recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizar a operação indicava que o comprador já via riscos na qualidade dos ativos do Digimais.
“Essa própria negociação já demonstrava uma preocupação do banco comprador com a qualidade dos ativos do banco”, afirmou. “O que a gente vê hoje com a operação da Polícia Federal e com o rebaixamento do rating é que essas preocupações foram se confirmando.”
Apesar da repercussão do caso e de outras investigações recentes envolvendo instituições financeiras, Bessa afirmou não ver sinais de crise sistêmica no setor bancário.
Ele citou o caso do Banco Master, que chamou atenção pelo crescimento acelerado e pela estratégia agressiva de captação, mas ponderou que o Digimais tem porte significativamente menor.
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Siga o Times | CNBC“Eu considero que são casos isolados. Não vejo uma crise sistêmica, não vejo nada parecido”, disse.
O especialista defendeu, porém, que episódios como esse sejam usados pelos órgãos reguladores para aprimorar os instrumentos de fiscalização.
“A supervisão não pode ficar parada no tempo. Ela é viva. Você tem que estar sempre atualizando os mecanismos para ser mais efetivo na fiscalização”, afirmou.
Leia também: Entenda por que rating do Digimais acende alerta para investidores
Na avaliação de Bessa, o caso reforça a necessidade de investidores analisarem risco de crédito antes de aplicar recursos, especialmente quando uma instituição oferece retornos muito acima dos praticados pelo mercado.
“Uma rentabilidade muito acima do que os demais estão pagando emite um sinal que não é desprezível”, disse.
Segundo ele, taxas excessivamente elevadas podem indicar necessidade urgente de captação pela instituição ou operações mais arriscadas do outro lado do balanço.
“Se um banco está pagando muito mais, ou ele está desesperado precisando desse dinheiro ou existe alguém do outro lado disposto a pagar uma fortuna por ele. Seja uma opção ou outra, as duas são preocupantes”, afirmou.
Bessa também recomendou que investidores acompanhem notícias, consultem demonstrações financeiras e observem as avaliações das agências de classificação de risco antes de aplicar recursos.
“O risco de crédito talvez seja o principal risco que o investidor tem que observar”, disse. “Se uma instituição possui uma nota baixa de rating, isso indica que emprestar dinheiro para ela tende a ser mais arriscado. O investidor não deveria desprezar esse sinal.”
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