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Caso Master: Vorcaro recebeu dados de processos sigilosos acessados em sistemas do Ministério Público Federal
Publicado 11/09/2026 • 08:45 | Atualizado há 57 minutos
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Publicado 11/09/2026 • 08:45 | Atualizado há 57 minutos
KEY POINTS
Vorcaro
A Polícia Federal identificou indícios de que pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro tiveram acesso a informações de processos sigilosos do Ministério Público Federal (MPF) por meio de contas funcionais de servidores do órgão. As apurações também apontam que dados internos teriam sido usados para acompanhar investigações envolvendo o Banco Master e o BRB.
O caso aparece em relatório encaminhado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os investigadores, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário e chamado de Felipe Mourão em mensagens analisadas, teria repassado a Vorcaro resultados de consultas feitas em sistemas internos.
Mourão era apontado pela investigação como integrante de um grupo chamado “A Turma”, suspeito de atuar no monitoramento e na intimidação de pessoas consideradas adversárias ou relacionadas às apurações sobre o banco. Ele morreu em março, pouco depois de ser preso durante uma operação.
Sicário foi encontrado desacordado em uma cela da Superintendência da PF em Minas Gerais. A suspeita é de suicídio.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês por atividades que incluiriam obtenção de dados sigilosos, produção de dossiês e ações de coação.
Leia também: Caso Master: PF vê indícios de que Vorcaro custeou viagens de servidores do Banco Central
De acordo com o relatório, Mourão oferecia a possibilidade de pesquisar pessoas e empresas e compartilhava documentos relacionados a investigações em andamento. Parte desse material estava protegida por sigilo judicial ou institucional.
Em junho de 2024, ele teria encaminhado uma relação de nomes e empresas e informado que novos alvos poderiam ser incluídos nas consultas. Em outra conversa registrada pela PF, Mourão perguntou quais documentos deveriam ser obtidos, e Vorcaro respondeu que queria todos os disponíveis.
No dia seguinte, Mourão afirmou ter acesso amplo aos sistemas do MPF e indicou que poderia realizar novas buscas enquanto as credenciais permanecessem disponíveis.
A investigação constatou que parte das consultas aparecia vinculada ao login funcional de uma servidora do Ministério Público. A mesma conta teria sido usada repetidamente para acessar processos, inclusive aqueles classificados como sigilosos.
Em julho de 2024, outra busca foi feita com o CPF de Vorcaro. Segundo a PF, a consulta localizou 15 procedimentos relacionados ao então banqueiro, sendo 11 deles protegidos por sigilo. O acesso ficou registrado na conta de outro servidor.
A Polícia Federal afirma que ainda não foi possível determinar como as contas funcionais foram utilizadas. Entre as hipóteses consideradas estão o uso direto pelos servidores, o compartilhamento das credenciais ou o acesso sem conhecimento dos titulares.
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Siga o Times | CNBCO relatório não atribui, até o momento, participação consciente aos servidores cujos logins aparecem nos registros. Em um dos casos, porém, os investigadores mencionam indícios de possível tentativa de dificultar a identificação do responsável pela consulta.
Em julho de 2025, Mourão teria enviado uma nova consulta feita nos sistemas do MPF com referência ao BRB e ao Banco Master. Segundo as mensagens reunidas no relatório, Vorcaro demonstrou interesse em receber todo o material relacionado ao tema, e Mourão respondeu que providenciaria uma busca mais ampla.
Outro episódio analisado pela PF ocorreu em janeiro de 2025, após Vorcaro relatar que um helicóptero havia sobrevoado sua residência na Bahia por cerca de 40 minutos.
O ex-banqueiro enviou a Mourão uma imagem da aeronave e afirmou que pretendia procurar a polícia. A partir disso, Mourão teria dito que seria necessário identificar quem havia contratado o voo e quem estava a bordo.
Ainda no mesmo dia, ele encaminhou a Vorcaro um documento com brasão e identificação do MPF, classificado como urgente e sigiloso. O ofício era destinado a uma empresa de serviços aéreos e solicitava informações sobre o contratante da aeronave, itinerários, horários de voo e possíveis passageiros.
O documento também pedia que a pessoa responsável pela contratação não fosse informada sobre a requisição, sob a justificativa de preservar uma investigação.
A PF observou, porém, que o ofício não apresentava assinatura manuscrita nem digital. Para os investigadores, esse ponto levanta dúvidas sobre a regularidade e a autenticidade formal do documento.
Dias depois, Mourão encaminhou a Vorcaro uma resposta atribuída à empresa aérea. O texto fazia referência ao número do ofício e informava que a solicitação havia sido recebida anteriormente.
A empresa teria fornecido dados sobre voos realizados, incluindo informações sobre contratante e trajetos. Na sequência, Mourão perguntou se também deveria buscar os nomes dos passageiros.
Leia também: Documento revela ordem de Toffoli ao BC para seguir apenas decisões do STF no caso Master
Para a Polícia Federal, a resposta da empresa indica que o documento atribuído ao MPF chegou a ser encaminhado. O material analisado, entretanto, não apresenta confirmação do Ministério Público sobre a autenticidade da requisição nem demonstra autorização expressa de Vorcaro para o envio.
Na conclusão do relatório, os investigadores afirmam ter identificado um padrão recorrente de acesso irregular a procedimentos sigilosos do MPF e de outros órgãos. Segundo a PF, o grupo utilizava contas funcionais de terceiros, extraía documentos e realizava consultas sem autorização em sistemas restritos.
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