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CEO do Itaú alerta que corte forçado da Selic pode elevar juros de longo prazo

Publicado 04/11/2026 • 13:28 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Maluhy cita estimativas de alguns economistas que apontam inflação de até 6% em 2027, diante de pressões como câmbio, combustíveis e reforma tributária.
  • O presidente do Itaú afirma que o mercado aguarda propostas concretas para a política econômica e a definição da equipe do próximo governo.
  • Para 2027, o executivo vê risco de menor crescimento econômico, aumento do desemprego e manutenção dos juros elevados por mais tempo.

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, alertou nesta quarta-feira (4) que tentar reduzir a taxa básica de juros, a Selic, sem melhorar as condições econômicas pode ter o efeito contrário ao desejado e elevar os juros de longo prazo.

Segundo o executivo, uma queda forçada da Selic não garante financiamentos mais baratos para famílias e empresas. Isso porque as taxas de longo prazo, usadas como referência em diversas operações de crédito, também dependem das expectativas em relação à inflação e à economia.

As declarações foram feitas durante a teleconferência pública sobre os resultados do terceiro trimestre do Itaú. A avaliação ocorre no dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia uma nova decisão sobre a Selic.

Leia também: Itaú Unibanco lucra R$ 12,6 bilhões no 3º trimestre, alta de 6,7% em um ano

Corte de juros pode ter efeito contrário

Maluhy defende que uma redução sustentável dos juros depende de condições que permitam a queda das taxas cobradas em operações de prazo mais longo.

“O risco que a gente corre é imaginar que a queda de juros de curto prazo […] possa ser feita na força bruta”, afirma.

Segundo o executivo, uma tentativa de reduzir a Selic sem melhorar as expectativas econômicas pode levar os investidores a exigir juros mais altos em operações de longo prazo.

Na prática, isso poderia encarecer empréstimos e financiamentos, mesmo com a redução da taxa básica.

Maluhy também aponta riscos para a inflação, como a desvalorização do real, a alta dos combustíveis, os efeitos da reforma tributária e possíveis mudanças na jornada de trabalho.

O executivo também cita estimativas de alguns economistas que apontam inflação de até 6% em 2027, diante de pressões sobre os preços.

Mercado espera propostas concretas

O presidente do Itaú também comenta as incertezas sobre a política econômica após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Segundo ele, os investidores aguardam a definição de quem comandará o Ministério da Fazenda e quais serão as prioridades econômicas do próximo mandato.

“O mercado, por definição, ele não tem partido, né? Ele olha pra propostas concretas”, declara.

Maluhy avalia que ainda existem especulações sobre possíveis mudanças na política fiscal, mas que o mercado precisa conhecer as propostas efetivas do governo.

O executivo também defende que o país busque recuperar o grau de investimento, classificação concedida por agências de risco a países considerados mais seguros para receber investimentos.

Segundo ele, essa condição ajudaria o Brasil a ampliar o acesso a recursos e reduzir os custos de financiamento.

Maluhy ressalta ainda que a preocupação com as contas públicas não deve ser tratada separadamente das políticas sociais.

“Tão importante quanto o social é o fiscal, ou tão importante quanto o fiscal é o social”, afirma.

Itaú vê cenário mais difícil em 2027

O presidente do Itaú avalia que o Brasil poderá enfrentar um cenário econômico mais difícil no próximo ano, com crescimento menor, possível aumento do desemprego e manutenção dos juros elevados por mais tempo.

Na avaliação do executivo, a inflação será um dos principais fatores para determinar quando as taxas poderão cair de forma sustentável.

Juros elevados por períodos prolongados encarecem o crédito e podem dificultar o pagamento de dívidas por famílias e empresas. Também tendem a reduzir o ritmo de novos investimentos.

As declarações ocorrem um dia depois de o Itaú divulgar lucro recorrente gerencial de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 6,7% na comparação anual. A rentabilidade recorrente sobre o patrimônio líquido ficou em 23,6%.

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