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China triplica apostas na mineração brasileira e coloca país no topo do ranking global de investimentos

Publicado 09/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 5 dias

KEY POINTS

  • Investimentos chineses no Brasil somaram US$ 6,1 bilhões em 2025, maior volume desde 2017 e alta de 45% sobre o ano anterior.
  • A mineração recebeu US$ 1,76 bilhão em aportes chineses, impulsionada por aquisições de ativos de ouro, ferroníquel e cobre.
  • O interesse chinês pela mineração brasileira tem motivação clara. A China lidera a fabricação de produtos ligados à transição energética, de painéis solares a carros elétricos, mas depende de importações para abastecer a demanda por matéria-prima.
  • Projeto aprovado na Câmara dos Deputados pode ampliar a análise estatal sobre mudanças de controle societário em empresas ligadas a minerais críticos e estratégicos.

Divulgação/Sigma Lithium

Máquina de mineração da Sigma Lithium

Os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 6,1 bilhões em 2025, maior volume desde 2017 e alta de 45% sobre o ano anterior, segundo levantamento do Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O desempenho foi muito superior ao dos investimentos estrangeiros como um todo no país, que avançaram 4,8% no mesmo período, e ao crescimento dos aportes da China no mundo, de apenas 1,3%.

Infográfico 1 — Evolução dos investimentos chineses no Brasil

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Investimentos chineses no Brasil atingem maior patamar desde 2017

Fluxo anual de investimentos diretos chineses no Brasil, em US$ bilhões (2010–2025)

Outros anos
2025
Investimentos chineses no Brasil: 2010: 13bi, 2011: 8bi, 2012: 2,9bi, 2013: 3,4bi, 2014: 1,7bi, 2015: 7bi, 2016: 8,4bi, 2017: 8,8bi, 2018: 3,3bi, 2019: 5,6bi, 2020: 1,9bi, 2021: 5,9bi, 2022: 1,3bi, 2023: 1,97bi, 2024: 4,18bi, 2025: 6,1bi.

Fonte: CEBC — Conselho Empresarial Brasil-China. Elaboração: Tulio Cariello.

O grande destaque de 2025, porém, não é o volume total, mas para onde o dinheiro foi. Os aportes chineses no setor de mineração mais que triplicaram, passando de US$ 557 milhões em 2024 para US$ 1,76 bilhão, o equivalente a 29% de todo o capital chinês que entrou no Brasil no ano. O resultado colocou a mineração tecnicamente empatada com o setor de eletricidade, historicamente o principal destino dos investimentos do gigante asiático no país, que ficou com 29,5% do total.

Infográfico 2 — Divisão setorial dos investimentos chineses no Brasil em 2025

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Mineração empata com eletricidade pelo topo dos investimentos chineses

Divisão setorial dos investimentos chineses no Brasil em 2025, por valor (US$)

Setores: Eletricidade 29,5%; Mineração 29%; Automotivo 15,8%; Petróleo 13,3%; TI 6,3%; Infraestrutura 3,5%; Eq. elétricos 2,4%.

Fonte: CEBC — Conselho Empresarial Brasil-China. Elaboração: Tulio Cariello.

O movimento se deu sobretudo por fusões e aquisições. A CMOC comprou minas de ouro da canadense Equinox Gold em Minas Gerais, Bahia e Maranhão por cerca de US$ 1 bilhão. A MMG adquiriu os ativos de ferroníquel da Anglo American no Brasil por US$ 500 milhões. A Baiyin Nonferrous, recém-chegada ao país, pagou US$ 243 milhões pela Mineração Vale Verde, em Alagoas, com foco em cobre. As três operações têm um denominador comum: empresas ocidentais vendendo ativos para compradores chineses.

Leia também: Da CBMM à Vale: quem domina os minerais estratégicos que colocam o Brasil no centro da disputa global

O que muda quando a China compra uma mina

Para Henrique Costa de Seabra, advogado especialista em Direito Minerário e Ambiental, comprar uma operação já em funcionamento tem vantagens e riscos. “O investidor compra velocidade, considerando que entra em uma operação que já produz, já tem licenças, contratos, empregados, fornecedores e mercado. Mas, juridicamente, ele também compra um pacote de riscos”, afirma. Do ponto de vista regulatório, o Brasil não cria obstáculos pela origem do capital. “O Brasil não distingue, em regra, investidor chinês, europeu ou americano”, diz Seabra.

Esse cenário pode estar prestes a mudar, ao menos para os chamados minerais críticos. Na quarta-feira (6), a Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, abrindo caminho para que o Estado revise mudanças de controle societário envolvendo estrangeiros em empresas com direitos minerários sobre esses recursos. “O projeto introduz uma camada nova de análise estatal. Esse movimento aproxima o Brasil de uma tendência internacional, mas com um desenho ainda em construção”, avalia o advogado. O texto ainda depende de aprovação no Senado.

O interesse chinês pela mineração brasileira tem motivação clara. A China lidera a fabricação de produtos ligados à transição energética, de painéis solares a carros elétricos, mas depende de importações para abastecer sua demanda por matéria-prima. O Brasil, por sua vez, detém 26,5% das reservas globais de grafite e é o segundo maior detentor de terras raras do mundo, com 23% do total, atrás apenas da própria China, segundo dados da Cepal citados no relatório do CEBC. O país também figura como terceiro maior detentor de reservas de níquel e tem a quarta maior reserva global de bauxita e alumina.

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Carros elétricos

O setor automotivo completou em 2025 um ciclo que havia começado anos antes com a aquisição de plantas industriais ociosas. A GWM, que comprou em 2021 a antiga fábrica da Mercedes em São Paulo, inaugurou sua linha de produção de veículos eletrificados no país. A Geely, por sua vez, adquiriu 26,4% da Renault do Brasil, criando a Renault Geely do Brasil e anunciando investimentos de R$ 3,8 bilhões para o período 2025-2027. No total, o setor automotivo recebeu ao menos US$ 965 milhões em investimentos chineses em 2025, alta de 66% sobre o ano anterior.

O Brasil não chegou ao topo do ranking por acaso, nem pela primeira vez. Nos últimos cinco anos, o país foi o único a aparecer consistentemente entre os cinco maiores receptores de investimento direto da China no mundo, tendo liderado o ranking também em 2021.

Infográfico 3 — Ranking global dos destinos do capital chinês

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Brasil é o único país presente entre os 5 maiores destinos do capital chinês nos últimos 5 anos

Principais receptores de investimentos chineses no mundo entre 2021 e 2025

Posição20212022202320242025
Brasil Arábia Saudita Indonésia Reino Unido Brasil
Países Baixos Indonésia Hungria Hungria EUA
Colômbia Singapura R.D. Congo Brasil Guiana
EUA EUA Peru Indonésia Indonésia
Reino Unido Brasil Brasil Malásia Cazaquistão

Fontes: CEBC e China Global Investment Tracker (AEI). Elaboração: Tulio Cariello.

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