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China triplica apostas na mineração brasileira e coloca país no topo do ranking global de investimentos
Publicado 09/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 5 dias
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Publicado 09/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 5 dias
KEY POINTS
Divulgação/Sigma Lithium
Máquina de mineração da Sigma Lithium
Os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 6,1 bilhões em 2025, maior volume desde 2017 e alta de 45% sobre o ano anterior, segundo levantamento do Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O desempenho foi muito superior ao dos investimentos estrangeiros como um todo no país, que avançaram 4,8% no mesmo período, e ao crescimento dos aportes da China no mundo, de apenas 1,3%.
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Fluxo anual de investimentos diretos chineses no Brasil, em US$ bilhões (2010–2025)
Fonte: CEBC — Conselho Empresarial Brasil-China. Elaboração: Tulio Cariello.
O grande destaque de 2025, porém, não é o volume total, mas para onde o dinheiro foi. Os aportes chineses no setor de mineração mais que triplicaram, passando de US$ 557 milhões em 2024 para US$ 1,76 bilhão, o equivalente a 29% de todo o capital chinês que entrou no Brasil no ano. O resultado colocou a mineração tecnicamente empatada com o setor de eletricidade, historicamente o principal destino dos investimentos do gigante asiático no país, que ficou com 29,5% do total.
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Divisão setorial dos investimentos chineses no Brasil em 2025, por valor (US$)
Fonte: CEBC — Conselho Empresarial Brasil-China. Elaboração: Tulio Cariello.
O movimento se deu sobretudo por fusões e aquisições. A CMOC comprou minas de ouro da canadense Equinox Gold em Minas Gerais, Bahia e Maranhão por cerca de US$ 1 bilhão. A MMG adquiriu os ativos de ferroníquel da Anglo American no Brasil por US$ 500 milhões. A Baiyin Nonferrous, recém-chegada ao país, pagou US$ 243 milhões pela Mineração Vale Verde, em Alagoas, com foco em cobre. As três operações têm um denominador comum: empresas ocidentais vendendo ativos para compradores chineses.
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Para Henrique Costa de Seabra, advogado especialista em Direito Minerário e Ambiental, comprar uma operação já em funcionamento tem vantagens e riscos. “O investidor compra velocidade, considerando que entra em uma operação que já produz, já tem licenças, contratos, empregados, fornecedores e mercado. Mas, juridicamente, ele também compra um pacote de riscos”, afirma. Do ponto de vista regulatório, o Brasil não cria obstáculos pela origem do capital. “O Brasil não distingue, em regra, investidor chinês, europeu ou americano”, diz Seabra.
Esse cenário pode estar prestes a mudar, ao menos para os chamados minerais críticos. Na quarta-feira (6), a Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, abrindo caminho para que o Estado revise mudanças de controle societário envolvendo estrangeiros em empresas com direitos minerários sobre esses recursos. “O projeto introduz uma camada nova de análise estatal. Esse movimento aproxima o Brasil de uma tendência internacional, mas com um desenho ainda em construção”, avalia o advogado. O texto ainda depende de aprovação no Senado.
O interesse chinês pela mineração brasileira tem motivação clara. A China lidera a fabricação de produtos ligados à transição energética, de painéis solares a carros elétricos, mas depende de importações para abastecer sua demanda por matéria-prima. O Brasil, por sua vez, detém 26,5% das reservas globais de grafite e é o segundo maior detentor de terras raras do mundo, com 23% do total, atrás apenas da própria China, segundo dados da Cepal citados no relatório do CEBC. O país também figura como terceiro maior detentor de reservas de níquel e tem a quarta maior reserva global de bauxita e alumina.
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O setor automotivo completou em 2025 um ciclo que havia começado anos antes com a aquisição de plantas industriais ociosas. A GWM, que comprou em 2021 a antiga fábrica da Mercedes em São Paulo, inaugurou sua linha de produção de veículos eletrificados no país. A Geely, por sua vez, adquiriu 26,4% da Renault do Brasil, criando a Renault Geely do Brasil e anunciando investimentos de R$ 3,8 bilhões para o período 2025-2027. No total, o setor automotivo recebeu ao menos US$ 965 milhões em investimentos chineses em 2025, alta de 66% sobre o ano anterior.
O Brasil não chegou ao topo do ranking por acaso, nem pela primeira vez. Nos últimos cinco anos, o país foi o único a aparecer consistentemente entre os cinco maiores receptores de investimento direto da China no mundo, tendo liderado o ranking também em 2021.
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Principais receptores de investimentos chineses no mundo entre 2021 e 2025
| Posição | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Brasil | Arábia Saudita | Indonésia | Reino Unido | Brasil |
| 2º | Países Baixos | Indonésia | Hungria | Hungria | EUA |
| 3º | Colômbia | Singapura | R.D. Congo | Brasil | Guiana |
| 4º | EUA | EUA | Peru | Indonésia | Indonésia |
| 5º | Reino Unido | Brasil | Brasil | Malásia | Cazaquistão |
Fontes: CEBC e China Global Investment Tracker (AEI). Elaboração: Tulio Cariello.
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