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Ciesp vê viés político em tarifa de 25% dos EUA e cobra nova ofensiva diplomática
Publicado 16/07/2026 • 16:56 | Atualizado há 55 minutos
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Publicado 16/07/2026 • 16:56 | Atualizado há 55 minutos
KEY POINTS
Prédio da Fiesp, em São Paulo.
Foto: Egil Fujikawa Nes for Connection Consulting
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) afirmou que a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros tem “forte evidência de motivação política” e prejudicará empresas e consumidores dos dois países.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), a entidade manifestou “indignação” com a decisão e estimou que a medida atingirá US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio. Segundo o Ciesp, a sobretaxa reduzirá a competitividade brasileira diante de fornecedores de outros países.
O governo americano oficializou na quarta-feira (15) a tarifa adicional de 25% sobre as importações brasileiras, com uma lista de produtos isentos. A cobrança começará a valer em 22 de julho. O USTR justificou a medida com base em práticas relacionadas a comércio digital, pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
Leia também: Tarifaço: do mel orgânico fica de fora; setor celebra decisão, mas defende fim das taxações
O Ciesp argumentou que problemas apontados pelos Estados Unidos, como pirataria e desmatamento ilegal, também existem em outros países que não foram submetidos às mesmas barreiras comerciais.
A entidade também contestou as alegações relacionadas ao Pix. Segundo o Ciesp, o sistema de pagamento é moderno, eficaz e não afeta, na prática, o comércio internacional.
Sobre plataformas digitais americanas, a entidade afirmou que todas as companhias com atuação no Brasil devem cumprir as leis e as normas regulatórias nacionais, independentemente do país de origem.
Presidente do Ciesp e primeiro vice da Fiesp, Rafael Cervone alertou que fornecedores de outros países poderão ocupar o espaço perdido pelas empresas brasileiras no mercado americano.
“As novas tarifas, que posicionam o Brasil como um dos países com barreiras comerciais mais severas nos Estados Unidos, afetam muito nossa competitividade num dos maiores mercados globais, pois numerosas outras nações não têm restrições semelhantes e ganharão espaço no vácuo deixado por nossos produtos”, afirmou.
Cervone defendeu que o governo brasileiro faça uma nova tentativa de negociação com os Estados Unidos, com foco em argumentos econômicos e técnicos.
“É fundamental que o governo brasileiro, sem reações de cunho político e num tom sereno, seguro e de bom senso, empreenda um novo esforço diplomático no sentido de buscar a reversão da medida”, disse.
O USTR afirmou que negociou com o governo brasileiro ao longo do último ano, mas que as conversas não solucionaram as preocupações americanas. O órgão disse, no entanto, que permanece aberto à continuidade das negociações. O processo recebeu mais de 360 manifestações escritas e ouviu 77 participantes nas audiências públicas de 6 e 7 de julho.
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Siga o Times | CNBCNa avaliação de Cervone, a associação da disputa comercial ao calendário eleitoral brasileiro dificulta a construção de uma saída.
“A radicalização do discurso e as analogias do tema com o calendário eleitoral brasileiro alimentam as polêmicas comerciais e não ajudam na construção de soluções técnicas e justas”, afirmou.
O Ciesp colocou-se à disposição para participar das negociações e avaliou que a atuação de entidades empresariais brasileiras e americanas pode contribuir para reduzir ou reverter as tarifas.
A entidade também afirmou que o Brasil precisa acelerar medidas para reduzir o chamado “Custo Brasil”, citando reforma administrativa, queda dos juros, equilíbrio fiscal, segurança jurídica e melhoria da infraestrutura.
“Não podemos controlar decisões comerciais de outros países, mas devemos cuidar para que nossa competitividade não seja afetada pelos nossos problemas internos, que se tornam mais agudos diante de tarifaços como o que passaremos a enfrentar agora nas exportações aos Estados Unidos”, disse Cervone.
Leia também: Tarifa de 25% reduz competitividade das exportações brasileiras
“O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) expressa sua indignação e lamenta a confirmação do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O mais grave é a forte evidência de motivação política da medida, que atinge exportações de US$ 11 bilhões da indústria e do agro e é prejudicial à própria população norte-americana, que pagará mais caro pelos bens, mercadorias e alimentos produzidos no Brasil.
As alegações para a imposição das tarifas referem-se a problemas que não são exclusivos do Brasil, como a pirataria e o desmatamento ilegal. São fatores presentes em numerosos países, que seguem isentos de barreiras comerciais adicionais. Também parece ter um tom mais retórico do que concreto a alegação sobre o PIX, sistema de pagamento moderno, eficaz e que, em termos práticos, não afeta o comércio internacional. Quanto à moratória de quatro anos sem multas e tarifas para plataformas digitais norte-americanas, cabe ponderar que todas as empresas que operam no Brasil precisam respeitar normas, leis e todo o arcabouço regulatório nacional. Aliás, os distintos setores de atividade sempre defenderam essa isonomia.
“As novas tarifas, que posicionam o Brasil como um dos países com barreiras comerciais mais severas nos Estados Unidos, afetam muito nossa competitividade num dos maiores mercados globais, pois numerosas outras nações não têm restrições semelhantes e ganharão espaço no vácuo deixado por nossos produtos”, avalia Rafael Cervone, presidente do Ciesp e primeiro vice da Fiesp Para ele, “é fundamental que o governo brasileiro, sem reações de cunho político e num tom sereno, seguro e de bom senso, empreenda um novo esforço diplomático no sentido de buscar a reversão da medida”.
Para Cervone, “a radicalização do discurso e as analogias do tema com o calendário eleitoral brasileiro alimentam as polêmicas comerciais e não ajudam na construção de soluções técnicas e justas. Por isso, é pertinente uma postura diplomática baseada apenas em argumentos econômicos e técnicos”. O Ciesp coloca-se à disposição no sentido de contribuir nas negociações, entendendo que a participação de entidades de classe, inclusive norte-americanas, possa ter um peso positivo no processo.
Por outro lado, na expectativa de que será possível reverter as duras medidas impostas pelos Estados Unidos, o Ciesp alerta para a urgência de reduzir o “Custo Brasil”, como a reforma administrativa, juros menores, mais segurança jurídica e pública, equilíbrio fiscal e melhoria da infraestrutura. “Não podemos controlar decisões comerciais de outros países, mas devemos cuidar para que nossa competitividade não seja afetada pelos nossos problemas internos, que se tornam mais agudos diante de tarifaços como o que passaremos a enfrentar agora nas exportações aos Estados Unidos”, afirma Cervone.“
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