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Governo prepara reciprocidade contra tarifas dos EUA; Durigan sobe o tom e Galípolo defende Pix
Publicado 16/07/2026 • 17:44 | Atualizado há 2 minutos
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Publicado 16/07/2026 • 17:44 | Atualizado há 2 minutos
KEY POINTS
O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (16) que prepara medidas de apoio aos setores atingidos pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos e avalia retomar o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica. A resposta incluirá reforço ao Plano Brasil Soberano e ações para ajudar exportadores a buscar novos mercados.
Em coletiva de imprensa, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida americana como “extremamente injusta” e afirmou que o governo terá um programa de apoio às empresas prejudicadas. ApexBrasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) deverão ampliar a atuação na diversificação dos destinos das exportações.
“O governo terá um programa de apoio aos que aqui dentro estão trabalhando e que tenham problemas”, afirmou Alckmin.
O USTR oficializou na quarta-feira (15) a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções. A cobrança entrará em vigor em 22 de julho. A medida foi adotada após a investigação da Seção 301 sobre comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
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Alckmin contestou a justificativa comercial da decisão e afirmou que os Estados Unidos mantêm superávit, e não déficit, nas relações com o Brasil. Segundo ele, a tarifa média aplicada pelo país a produtos americanos é de 3,1%.
“A medida é extremamente injusta, descabida, porque os argumentos levantados na Seção 301 partem de uma base totalmente falsa, não têm a menor justificativa”, disse.
O vice-presidente também citou os resultados recentes do comércio exterior para sustentar que o Brasil ampliou a diversificação de mercados. Segundo ele, as exportações somaram US$ 347,8 bilhões no ano passado e US$ 184,8 bilhões no primeiro semestre deste ano.
Ao tratar de uma eventual resposta comercial, Alckmin lembrou que a Lei da Reciprocidade foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional e afirmou que o governo saberá implementá-la “no momento adequado”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, elevou o tom contra a decisão americana e classificou a tarifa como uma interferência externa de motivação política e econômica.
“É inadmissível, do ponto de vista do governo, essa interferência externa, seja ela política, seja ela econômica, seja ela uma forma qualquer de afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”, afirmou.
Durigan disse que a política econômica brasileira deve atender aos interesses da população do país, e não a prioridades de autoridades estrangeiras. Ele também acusou setores da oposição de usarem a disputa comercial com finalidade eleitoral.
“Essa medida, baseada em motivação falsa, fere o senso mais básico do nosso patriotismo, em especial quando a oposição brasileira usa isso de muleta eleitoral sem considerar os interesses do nosso povo”, disse.
Segundo o ministro, as tarifas são ilegítimas e terão impacto tanto sobre exportadores brasileiros quanto sobre consumidores americanos. Durigan afirmou que a ampliação da lista de exceções pelos Estados Unidos confirma que produtos do Brasil são essenciais para cadeias produtivas americanas.
O ministro disse ainda que o governo não prevê abalo na estabilidade macroeconômica, embora reconheça que setores específicos poderão sofrer impactos.
“A nossa estabilidade macroeconômica está mantida e estará mantida, a despeito da interferência externa dos Estados Unidos”, declarou.
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Durigan afirmou que o governo já tem mecanismos preparados para proteger empresas e empregos. Segundo ele, os setores atingidos serão chamados para novas conversas, e o Plano Brasil Soberano será ampliado.
“Não há país estrangeiro que interfira no destino do nosso povo”, afirmou.
O ministro confirmou que o grupo levará a Lula a proposta de retomada do processo de reciprocidade previsto na legislação brasileira. A decisão sobre o avanço da medida caberá ao presidente.
Ao final da fala, Durigan reforçou que o governo continuará aberto ao diálogo, mas disse que o Brasil não aceitará imposições externas.
“Nós seguiremos sem baixar a cabeça, sem nos dobrar a interesses estrangeiros”, disse.
O ministro também afirmou que o governo continuará protegendo o Pix, que chamou de “maior símbolo da nossa soberania financeira”, além dos recursos e das instituições do país.
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Siga o Times | CNBC“Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem vira-latice e nós seguiremos protegendo a nossa democracia contra interferência internacional indevida”, afirmou.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a inclusão do Pix entre as justificativas para a tarifa representa uma tentativa de construir um argumento para sustentar a medida comercial.
“Os argumentos contra o Pix são algum tipo de desculpa para tentar criar algum tipo de lógica para aplicar uma tarifa”, afirmou.
Galípolo disse que, desde a implantação do Pix, o mercado de cartões de crédito cresceu 150%. Segundo ele, o sistema retirou espaço principalmente de cheques e dinheiro físico, e não dos meios de pagamento oferecidos por empresas americanas.
O presidente do BC comparou a crítica ao Pix à alegação de que a criação de saneamento básico prejudicaria empresas de caminhões-pipa.
Segundo Galípolo, o Banco Central já assinou acordos de cooperação técnica com mais de 47 autoridades monetárias interessadas em sistemas de pagamento instantâneo. Ele afirmou que a instituição continuará desenvolvendo o Pix sem alterar suas características centrais.
“O Banco Central vai seguir sempre fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo”, disse.
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil manteve mais de 30 reuniões com autoridades americanas desde março de 2025, nos níveis presidencial, ministerial e técnico.
Vieira rejeitou a alegação de que o governo brasileiro teria evitado o diálogo. Segundo ele, Lula demonstrou desde o início disposição para negociar, mas o país não aceitou demandas consideradas incompatíveis com seus interesses.
“O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”, afirmou.
O chanceler classificou como “inaceitáveis e ofensivas” as declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre o Brasil. Apesar das críticas, disse que o governo continuará aberto à negociação com Washington.
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O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que a tarifa da Seção 301 atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões quando considerada a pauta comercial de 2024. Com base nos números de 2025, o impacto seria de US$ 5,8 bilhões, ou 15% das vendas ao mercado americano.
Segundo ele, 57% das exportações brasileiras continuarão sem tarifa adicional. Outros 24% estão sujeitos às medidas da Seção 232, que atingem áreas como aço, alumínio e setor automotivo.
Madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar estão entre os segmentos mais atingidos e terão atendimento prioritário do governo.
O ministro disse que 2,4 mil empresas brasileiras exportam para os Estados Unidos e que 74% delas já acessam outros mercados, embora a substituição do mercado americano seja uma tarefa difícil.
Segundo Márcio Elias, o Brasil realizou cinco reuniões de alto nível com o representante comercial americano, Jamieson Greer, nas últimas cinco semanas, além de encontros técnicos. A última conversa ocorreu na terça-feira (14).
O ministro afirmou que os Estados Unidos buscavam, entre outros pontos, a abertura do mercado químico brasileiro, a redução a zero das tarifas sobre bens industriais e maior acesso ao setor automotivo. Segundo ele, o governo rejeitou propostas que poderiam causar prejuízos à indústria nacional ou atingir temas considerados de soberania, como o Pix.
Integrantes do governo também contestaram as alegações americanas sobre desmatamento e combate à corrupção. O ministro João Paulo Capobianco afirmou que os dados ambientais usados pelos EUA são improcedentes. Já a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, disse que informações encaminhadas pelo Brasil durante a investigação não foram consideradas.
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