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Classificação de PCC e CV como terroristas pode afetar turismo corporativo no Brasil

Publicado 29/05/2026 • 23:35 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Especialista diz que Brasil vive melhor momento histórico do turismo, com 9,3 milhões de visitantes internacionais em 2025.
  • Para Gustavo Goes, empresas americanas podem acionar políticas automáticas de risco de viagem após a classificação.
  • Comunicação proativa e separação entre destinos urbanos e regiões premium são medidas necessárias para conter danos de imagem.

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode afetar a imagem do Brasil no exterior e pressionar especialmente o turismo corporativo, afirmou Gustavo Goes, fundador da São Roque Invest e especialista em turismo.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Goes disse que a medida ocorre no melhor momento histórico do turismo brasileiro. Segundo ele, o país recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, alta de 37% em relação ao ano anterior, quando o setor já havia crescido 14%.

“Essa classificação como terrorista chega exatamente nesse pico”, afirmou.

Para o especialista, o impacto mais imediato pode não estar apenas no turista de lazer, mas em executivos, investidores e participantes de feiras e eventos corporativos. Goes afirmou que empresas estrangeiras, especialmente americanas, costumam ter políticas automáticas de risco para viagens.

“O CFO americano que ia vir para São Paulo para uma reunião de investimentos, o executivo que ia participar de uma feira setorial, esse é o primeiro a cancelar”, disse. “Quando sobe um alerta consular, o sistema mesmo bloqueia.”

Leia também: Classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA traz risco econômico ao Brasil

Goes afirmou que a classificação também pode aumentar custos de compliance para investidores estrangeiros que avaliam negócios no Brasil. Segundo ele, empresas podem precisar reforçar controles para evitar qualquer exposição indireta a redes associadas ao crime organizado.

“Essa impressão que a gente leva agora, através desse comunicado, é um tanto quanto negativa”, afirmou.

Na avaliação do especialista, a reação do setor deve envolver três frentes. A primeira é uma comunicação proativa de autoridades e destinos turísticos, antes que alertas internacionais se consolidem como manchetes negativas no exterior.

“A narrativa não pode ser muito reativa”, disse.

A segunda frente, segundo Goes, é diferenciar os destinos brasileiros. Ele afirmou que a atuação do crime organizado está mais concentrada em grandes centros urbanos, enquanto cidades do interior, a Serra Gaúcha e destinos premium no Nordeste precisam reforçar uma identidade própria ligada à segurança.

“Um dos motivos pelos quais as pessoas procuram esses destinos é pela segurança também”, afirmou.

Goes também defendeu maior articulação do setor privado em conversas diplomáticas. Para ele, o tema não deve ser tratado apenas como pauta de governo.

Do lado do poder público, o especialista disse que o Brasil pode se inspirar em estratégias adotadas por países como Portugal, Colômbia e Costa Rica, que passaram a incluir segurança como argumento central na construção de imagem turística.

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“É o momento da Embratur e do Ministério do Turismo se movimentarem para começar a posicionar o Brasil dessa forma”, afirmou.

Goes avaliou que o Brasil precisa deixar claro ao mercado internacional que a classificação dos grupos criminosos não equivale ao risco associado a organizações terroristas com motivações políticas ou religiosas.

“O Brasil precisa saber agora passar essa imagem para o exterior: de que o Brasil possui segurança, sim, e não é isso que vai atrapalhar o turismo aqui”, disse.

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