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Como advogado ‘ostentação’ e empresário de seguros atuavam no esquema de fraudes do INSS, segundo a PF
Publicado 12/09/2025 • 15:06 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 12/09/2025 • 15:06 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
A operação contra fraudes em aposentadorias e pensões do INSS trouxe à tona dois personagens que ajudaram a sustentar a rede de desvios além do lobista conhecido como “Careca do INSS”, segundo a Polícia Federal.
As investigações apontam que o empresário Maurício Camisotti, ligado ao setor de seguros e planos de saúde, e o advogado Nelson Wilians, fundador de um dos maiores escritórios do país, também são peças relevantes no esquema que usava associações de fachada para descontar valores indevidos de aposentados e pensionistas.
No caso de Camisotti, preso nesta sexta-feira (12), os investigadores o apontam como sócio oculto da Ambec, entidade que teria movimentado R$ 178 milhões em cinco anos. Ele também é suspeito de controlar outras associações comandadas por parentes e funcionários de suas empresas, que juntas movimentaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021. Parte desses recursos teria sido canalizada para empresas do grupo Total Health, de sua propriedade.
Wilians, alvo de mandado de busca e apreensão também nesta sexta, entrou na mira da PF após o Coaf identificar movimentações suspeitas entre 2019 e 2023 ligadas ao seu escritório. Conhecido por sua presença nas redes sociais — com 1,5 milhão de seguidores no Instagram e postagens sobre viagens, carros e vida pessoal —, o advogado é investigado por sua relação com Camisotti e com a Ambec. Ambos foram alvos da Operação Cambota, que prendeu o empresário em São Paulo e realizou buscas no escritório e na casa do advogado.
Leia mais:
Como o “Careca do INSS” usava 22 empresas para garantir esquema de fraudes bilionárias
Nova fase de operação contra fraudes no INSS mira advogado celebridade e empresários suspeitos de fraude bilionária
Dono de companhias do setor de seguros e planos de saúde, Camisotti é apontado como uma das principais figuras no esquema. A Polícia Federal afirma que ele controlava três entidades que faturaram juntas mais de R$ 1 bilhão desde 2021. Só em 2023, o faturamento chegou a R$ 580 milhões. Entre as entidades sob seu controle estavam a Ambec, a Unsbras (União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil) e o Cebap (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas).
Relatórios revelaram que quatro empresas do grupo Total Health, ligado a Camisotti, receberam R$ 43 milhões dessas associações. A Ambec sozinha repassou R$ 30,1 milhões. Para sustentar a rede, familiares próximos e funcionários eram colocados como dirigentes das entidades ou sócios de empresas, funcionando como “laranjas”. Uma ex-presidente da Ambec, por exemplo, se apresentava como auxiliar de dentista em documentos oficiais, mas aparecia como dirigente da associação.
Camisotti já havia sido citado na CPI da Covid, em 2021, por transferir R$ 18 milhões para a Precisa Medicamentos, empresa investigada na tentativa de venda da vacina indiana Covaxin ao governo federal. O episódio reforçou o perfil do empresário como alguém com trânsito em Brasília e conexões em diferentes setores.
O advogado Nelson Wilians é fundador de um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do país. Segundo documentos obtidos pela PF, o Coaf identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas e ligadas a repasses feitos por entidades controladas por Camisotti.
Wilians também é conhecido por sua atuação pública e estilo de vida exposto nas redes sociais. No Instagram, onde reúne 1,5 milhão de seguidores, e no TikTok, publica vídeos que mostram rotinas de trabalho, viagens e passeios de lancha. Nas postagens, exibe carros de luxo e um cotidiano de ostentação que ajudou a projetar sua imagem para além da advocacia.
Ele já atuou em campanhas políticas: em 2024, prestou serviços jurídicos para a candidatura de Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo, recebendo R$ 10 mil. Durante as buscas realizadas pela PF, nesta sexta, em sua residência e escritório, em São Paulo, foram encontradas dezenas de obras de arte.
A defesa de Nelson Wilians afirma que ele tem colaborado integralmente com as autoridades e que a investigação demonstrará sua inocência. Ressalta que sua relação com Camisotti foi estritamente profissional e ligada à compra de um terreno vizinho à sua residência. Diz ainda que os valores envolvidos referem-se a essa transação e que a medida é investigativa, sem implicar culpa.
A defesa de Maurício Camisotti classificou sua prisão como arbitrária e destacou que o empresário teve seu celular apreendido no momento em que falava com seus advogados, o que violaria garantias constitucionais. Afirmou que irá adotar todas as medidas legais cabíveis para reverter a prisão e assegurar o respeito a seus direitos.
De acordo com a PF e a CGU, as entidades investigadas ofereciam propina a servidores do INSS para obter dados de beneficiários e inseriam assinaturas falsas em autorizações de descontos. Aposentados eram cadastrados em associações sem consentimento e tinham valores debitados diretamente na folha de pagamento.
Em muitos casos, os mesmos segurados foram filiados em mais de uma associação no mesmo dia, com erros idênticos nas fichas, evidenciando a fraude. O dinheiro arrecadado era repassado a consultorias e empresas ligadas aos investigados. Estima-se que o esquema tenha causado um prejuízo de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

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