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“Como cheguei aqui, vou levar para o túmulo”, diz Flávio Bolsonaro ao NYT sobre fuga do Brasil
Publicado 05/11/2026 • 16:02 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 05/11/2026 • 16:02 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
RICARDO ARDUENGO/AFP
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende levar “para o túmulo” os detalhes de como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva.
Em sua primeira entrevista desde que saiu do país, concedida ao The New York Times, o senador disse que organizou a viagem por conta própria e negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros. O jornal, porém, afirma ter apurado com autoridades americanas que um funcionário da Casa Branca participou da organização do voo que o levou a Miami e que sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.
“Como cheguei aqui, vou levar para o túmulo”, disse Flávio.
Segundo o relato, a decisão de deixar o Brasil foi tomada na manhã seguinte à derrota eleitoral. Flávio afirmou que estava saindo do condomínio onde o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre prisão domiciliar quando foi informado de que deveria entregar seus passaportes em até 24 horas.
Pouco depois, o senador publicou um vídeo dizendo que cumpriria a determinação e que nunca havia pensado em deixar o país. Horas mais tarde, desapareceu do radar público e reapareceu em Miami cerca de 42 horas depois.
A rota teria passado por Equador e Argentina antes da chegada aos Estados Unidos. O jornal afirma que um assessor de alto escalão do presidente argentino Javier Milei chegou a encontrar Flávio em um aeroporto durante o trajeto.
Questionado sobre eventual auxílio externo, Flávio negou. Segundo ele, a decisão teria sido tomada apenas com sua mulher e não houve participação de governos.
A versão se soma a declarações recentes do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Ele afirmou que o governo dos Estados Unidos não participou diretamente da saída de Flávio do Brasil, mas confirmou que Trump decidiu permitir sua entrada no país depois de sua chegada.
Flávio afirmou que decidiu deixar o país por acreditar que acabaria preso caso permanecesse no Brasil. “Eu já sei que o resultado final será minha prisão”, disse na entrevista.
O senador é investigado por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro e nega irregularidades. Após a eleição, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que ele entregasse os passaportes diante da avaliação de risco de fuga. Flávio não cumpriu o prazo, e os documentos foram cancelados.
Ao explicar a decisão de sair do país, Flávio também voltou a criticar o Judiciário e citou a situação do pai, condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe após a derrota eleitoral de 2022.
Flávio, a mulher e as duas filhas foram autorizados a permanecer nos Estados Unidos sob humanitarian parole, mecanismo migratório temporário que, neste caso, permite a permanência por até um ano.
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Siga o Times | CNBCFlávio voltou a contestar a eleição presidencial vencida por Lula. Na entrevista, classificou o resultado como “matematicamente impossível” e levantou suspeitas sobre a votação e a apuração.
Lula venceu o segundo turno com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041, equivalentes a 48,21%. A diferença foi de pouco mais de 4,4 milhões de votos.
Uma das principais contestações de Flávio envolve a extensão do horário de votação em seções que ainda estavam funcionando às 17h. A medida foi autorizada depois que as duas campanhas relataram dificuldades no transporte de eleitores no dia da votação.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 34.393 votos foram registrados após as 17h, o equivalente a cerca de 0,03% do total, número muito inferior à diferença entre Lula e Flávio. Não foram apresentadas evidências de fraude capaz de alterar o resultado da eleição.
Mesmo assim, Flávio afirmou que pretende buscar meios jurídicos para contestar a vitória de Lula. Ele próprio reconheceu que a iniciativa tem poucas chances de prosperar.
A saída do Brasil não deve interromper a atuação política de Flávio. O senador afirmou que pretende continuar apoiando aliados e pautas de seu grupo político, entre elas a redução da maioridade penal e a anistia para Jair Bolsonaro e para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Ele evitou dizer se pretende buscar junto ao governo Trump novas medidas contra autoridades ou instituições brasileiras.
Donald Trump já afirmou que Flávio pode permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejar. O presidente americano também criticou a eleição brasileira, sem apresentar evidências de irregularidades, e disse que não tinha planos imediatos de se reunir com o senador.
Mesmo instalado nos Estados Unidos, Flávio não descartou uma nova candidatura à Presidência.
“Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.
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