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Lula 4 terá R$ 230 bilhões em concessões, mas juros ameaçam tirar projetos do papel

Publicado 02/11/2026 • 10:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A carteira reúne 11 leilões de rodovias, oito de ferrovias e ao menos 17 arrendamentos portuários.
  • As ferrovias concentram cerca de R$ 160 bilhões e dependem de recursos públicos para viabilizar parte dos projetos.
  • Juros elevados, financiamentos caros e incertezas fiscais podem dificultar a atração de novos investidores.
Trem de carga circula por conjunto de trilhos ferroviários

Andrey Karpov/Pexels

Projetos ferroviários concentram cerca de R$ 160 bilhões dos investimentos previstos na carteira de concessões.

O governo Lula terá uma carteira de até R$ 230 bilhões em concessões de infraestrutura nos próximos anos. O valor inclui projetos de rodovias, ferrovias e portos.

Para 2027, o Ministério dos Transportes prevê 11 leilões de rodovias e oito de ferrovias, com investimentos estimados em R$ 214 bilhões. Outros 17 projetos de arrendamentos portuários, com potencial de ao menos R$ 16 bilhões, estão em estudo na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Apesar do volume anunciado, especialistas e representantes empresariais ouvidos pelo Valor Econômico avaliam que os juros elevados, as incertezas fiscais e a necessidade de recursos públicos podem dificultar a execução de parte da carteira.

As ferrovias, que concentram cerca de R$ 160 bilhões dos investimentos, representam o principal desafio.

Leia também: Próximo governo deve leiloar rodovias e ferrovias no início de 2027

Ferrovias precisam de recursos públicos

Os projetos ferroviários exigem grandes desembolsos antes de começarem a gerar receita. Parte da carteira envolve linhas construídas do zero ou trechos que precisam de ampla recuperação, o que aumenta o prazo para o retorno do investimento.

Daniel Keller, sócio da Una Partners, avalia que essas características tornam necessária a participação do poder público. Sem aportes governamentais, projetos ferroviários de grande porte dificilmente avançariam nas condições atuais.

O governo estuda usar recursos obtidos com a renovação antecipada de concessões existentes para financiar novos trechos. O mecanismo de investimento cruzado está em análise no Tribunal de Contas da União (TCU).

A proposta permite direcionar valores pagos nas renegociações contratuais para projetos que não se sustentariam apenas com as receitas futuras da concessão. A definição da origem dos recursos é considerada decisiva para o avanço da agenda ferroviária.

EF-118 está mais avançada

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O Anel Ferroviário do Sudeste, conhecido como EF-118, está entre os projetos mais próximos de chegar a leilão. A ferrovia deve conectar a malha nacional aos portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

A modelagem prevê o uso de recursos públicos provenientes das renegociações dos contratos da MRS e da Rumo. A expectativa do setor é que o investimento cruzado aumente as chances de sucesso da licitação.

Além das oito concessões, a carteira ferroviária mais ampla apresentada pelo Ministério dos Transportes inclui nove chamamentos públicos para autorizações e uma oferta permanente de terminais e trechos ociosos.

Juros encarecem projetos

A taxa de juros elevada aumenta o custo das dívidas e o retorno exigido pelos investidores para participar dos leilões. Parte das empresas que participaram da rodada recente de concessões já está comprometida com outros projetos e com dívidas de custo elevado.

Nesse cenário, a manutenção do ritmo das licitações pode depender da entrada de novos grupos. A capacidade de atrair esses investidores será influenciada pelo custo do capital, pela política fiscal e pela previsibilidade das regras.

Projetos ficaram para 2027

Ao menos R$ 204 bilhões em projetos de infraestrutura inicialmente previstos para 2026 foram adiados para 2027 ou anos posteriores.

Os adiamentos atingiram concessões de rodovias, ferrovias, portos e hidrovias. Entre os fatores estão a complexidade dos estudos, a necessidade de análise pelos órgãos de controle e as dificuldades para concluir as modelagens dentro do calendário original.

O desafio do novo mandato será transformar a carteira de projetos em leilões e obras, em um ambiente de crédito caro e espaço limitado para aportes do Orçamento.

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