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Caso Master: CPI aponta indícios graves em contrato de R$ 129 milhões ligado à mulher de Alexandre de Moraes
Publicado 05/02/2026 • 10:00 | Atualizado há 6 dias
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Publicado 05/02/2026 • 10:00 | Atualizado há 6 dias
KEY POINTS
Em um novo episódio da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), sustenta haver “fundadas suspeitas” de que o contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes seja resultado direto de lavagem de dinheiro.
Viviane é esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
As suspeitas embasam requerimentos protocolados por Vieira para quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático dos escritórios Barci de Moraes Sociedade de Advogados e Barci e Barci, além da empresa Lex Instituto de Estudos Jurídicos.
Leia também: CPMI do Master: investigações podem ser dificultadas por suposta relação entre cúpula do Congresso e Vorcaro
O senador pediu ainda a convocação da advogada para prestar esclarecimentos à CPI do Crime Organizado, presidida por Fabiano Contarato (PT-ES) e que tem Hamilton Mourão (Republicanos-RS) como vice-presidente.
Os requerimentos ainda precisam ser aprovados pela maioria dos 11 integrantes do colegiado.
Segundo Vieira, o valor pago pelo Master “desafia a lógica econômica de mercado” e seria incompatível até com grandes bancas internacionais envolvidas em fusões bilionárias.
Os pedidos de quebra de sigilo citam negociações entre o Banco Master e a empresa Reag, alvo da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal.
O requerimento aponta que fundos administrados pela Reag teriam sido usados para internalizar recursos oriundos do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Banco Master, por meio da compra massiva de certificados de depósito bancário.
Segundo Vieira, esse mecanismo levanta suspeitas de que os honorários pagos ao escritório não teriam origem lícita.
“Há fundadas suspeitas de que os R$ 129 milhões não constituiriam mera receita operacional, mas o produto direto da lavagem de dinheiro”, escreveu o parlamentar.
Leia também: Fundador da Reag investigado no caso Master tem participação no BRB
Outro ponto citado pelo relator é a abertura do escritório Barci e Barci em setembro de 2025, apenas dois meses antes da liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central do Brasil.
Para Vieira, a criação da nova empresa nesse contexto pode indicar tentativa de blindagem patrimonial ou redistribuição de recursos.
“Na tipologia clássica de lavagem de dinheiro, a abertura de empresas sucessoras serve para dissociar patrimônio e confundir o rastreamento financeiro”, argumenta o senador.
O parlamentar também pediu quebra dos sigilos do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, entidade ligada à família Barci de Moraes que, segundo reportagens citadas pela coluna, é dona de diversos imóveis e veículos de alto valor.
Vieira afirma que o instituto aparenta funcionar como uma “holding patrimonial disfarçada de entidade acadêmica” e que a aquisição de imóveis de luxo poderia caracterizar a fase de integração de recursos ilícitos ao sistema formal.
Desde que o contrato foi revelado, em dezembro de 2025, nem Viviane Barci nem o ministro Alexandre de Moraes detalharam os serviços prestados nem justificaram os valores pagos.
Para Vieira, a análise de eventuais coincidências entre transferências ao instituto e quitações imobiliárias poderia servir como prova material de lavagem de dinheiro, caso confirmada.
O avanço dos requerimentos ocorre em meio à instalação de diferentes frentes parlamentares para apurar a atuação do Banco Master, incluindo uma CPMI que ainda aguarda data para começar.
No Congresso, a leitura é que as suspeitas envolvendo contratos milionários e ligações com investigações criminais ampliam a pressão por esclarecimentos públicos e podem transformar o caso em um dos temas mais sensíveis do ano legislativo.
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