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Marcos legais em marcha lenta ameaçam o potencial econômico da transição energética no Brasil, aponta executiva

Publicado 12/08/2026 • 13:45 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • Executiva explica que o desafio atual não é apenas manter a posição do Brasil como líder em transição energética, mas destravar os gargalos necessários para que essa vantagem ambiental se converta em investimentos.
  • Com o aumento das exigências globais por produtos descarbonizados — especialmente por parte do mercado europeu —, o Brasil tem a chance de elevar o valor de suas exportações.
  • O potencial se estende a setores como a produção de fertilizantes verdes, que reduziria a dependência externa do agro, e a atração de data centers.

O Brasil vive um momento decisivo na sua trajetória de transição energética. Com mais de 90% de sua matriz elétrica já composta por fontes renováveis, o país consolidou-se como um player global no setor. No entanto, o desafio atual não é apenas manter essa posição, mas destravar os gargalos necessários para que essa vantagem ambiental se converta em um novo ciclo de desenvolvimento econômico.

O tema foi central na sessão de debates no Senado Federal desta semana, que discutiu a necessidade de agilizar a tramitação de projetos de lei voltados para energia solar, eólica offshore, hidrogênio verde e sistemas de armazenamento. Em entrevista ao Real Time, Natália Oliveira, head de policy e advocacy para a América Latina na Global Renewables Alliance, destacou que o ritmo legislativo precisa acompanhar a urgência da agenda climática e as exigências do mercado internacional.

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Descarbonização como vantagem competitiva

A transição energética, para Natália, é uma estratégia de sobrevivência econômica. Com o aumento das exigências globais por produtos descarbonizados — especialmente por parte do mercado europeu —, o Brasil tem a chance de elevar o valor de suas exportações. “O Brasil tem o potencial gigantesco de produzir bens e serviços que podem ser exportados. O que precisamos garantir é que nossas commodities estejam alinhadas com a cadeia de descarbonização para que efetivamente cheguem aos mercados exteriores”, explica.

O potencial se estende a setores como a produção de fertilizantes, com o hidrogênio verde, que reduziria a dependência externa do agro, e a atração de data centers, que buscam energização via fontes renováveis.

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O próximo passo: além da geração

Segundo Natália, o Brasil superou a fase de expansão da matriz, mas agora enfrenta desafios operacionais. “Estamos discutindo a próxima etapa. Enfrentamos desafios com o planejamento do sistema elétrico, que têm levado a cortes de geração em fontes eólicas e solares”, pontua.

Para a especialista, a prioridade para os próximos anos exige, primeiramente, focar na modernização da infraestrutura de rede para comportar a nova carga. Além disso, é essencial investir no setor de armazenamento de energia, garantindo a estabilidade e a segurança do sistema diante da intermitência de fontes renováveis. Por fim, o país precisa de uma política industrial integrada que consiga conectar a oferta de energia limpa com a demanda de setores estratégicos.

Marcha lenta no Legislativo

Questionada sobre a celeridade do Congresso, Natália avalia que o país avança, mas ainda opera abaixo da velocidade necessária. Projetos fundamentais para viabilizar novos modelos de negócio continuam travados. “Apesar dos grandes avanços legislativos, ainda precisamos de muita regulamentação para destravar esse segundo passo. O objetivo do debate no Senado foi justamente levar essa preocupação aos parlamentares: precisamos de mais agilidade para que a vantagem natural do Brasil se transforme, de fato, em vantagem econômica”, conclui a especialista.

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