CNBC
Após IPO recorde, mercado debate se avaliação da SpaceX é sustentável

Ações da SpaceX se recuperam e se aproximam do preço do IPO de US$ 135

Notícias do Brasil

Crédito do Plano Safra dispara no início da temporada, mas acesso segue seletivo

Publicado 10/08/2026 • 15:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A corrida pelo crédito rural ganhou força nos primeiros dias de operação do Plano Safra 2026/27.
  • Foi aprovado R$ 7,1 bilhões em financiamentos em apenas oito dias, com quase 30 mil operações fechadas desde a abertura do protocolo.
  • A maior parte dos recursos foi direcionada a linhas de investimento em máquinas e instalações.

A corrida pelo crédito rural ganhou força nos primeiros dias de operação do Plano Safra 2026/27. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 7,1 bilhões em financiamentos, com quase 30 mil operações fechadas desde a abertura do protocolo. A maior parte dos recursos foi direcionada a linhas de investimento em máquinas e instalações.

Para Rodrigo Costa Dutra, analista da Consultoria Pasto & Mercado, a demanda acelerada reflete, entre outros fatores, a necessidade de investimento dos produtores em um cenário de juros elevados. A Selic está em 14% ao ano, o que aumenta o custo do crédito e leva as instituições financeiras a adotar critérios mais rígidos para a concessão dos recursos.

“A gente está falando de 14% de Selic. Isso não é, ou pelo menos não poderia ser, tratado de forma normal e isso acaba impactando muito na seletividade dos bancos com relação ao crédito ao produtor”, afirmou.

O cenário é ainda mais desafiador para produtores que já enfrentam dificuldades financeiras. Segundo Rodrigo, mais de 1.273 CNPJs de produtores rurais estavam em recuperação judicial ao final do primeiro semestre de 2026. Na comparação de 12 meses, o número de recuperações judiciais no Brasil cresceu 66%, com impacto principalmente sobre pequenos e médios produtores.

“Esses produtores que conseguem antecipar para investir justamente em maquinário, tecnologia e expansão de área são justamente produtores aonde a gente fala que eles realmente são muito profissionais, o que não é a maioria”, disse.

Segundo o analista, produtores que conseguiram manter um fluxo de caixa saudável e organizar as contas têm mais facilidade para acessar os recursos. Já os mais endividados podem sequer procurar financiamento ou ter o pedido negado pelas instituições financeiras. “Alguns tentam até por uma questão de sobrevivência. Agora, a garantia de que ele estará habilitado a conseguir o crédito, aí já é uma outra página, uma outra história”, afirmou.

Leia também: Novas exigências da UE pressionam agronegócio brasileiro por rastreabilidade e controle ambiental

Inadimplência preocupa pequenos e médios produtores

A dificuldade de acesso ao crédito também está relacionada ao nível de inadimplência no setor. Costa afirma que o indicador varia conforme o perfil do produtor e a região do país. Entre produtores sem registro rural formal, a inadimplência estava em torno de 11% no primeiro trimestre de 2026. Entre grandes proprietários rurais, o índice era de 9,9%; entre médios produtores, de 8,6%; e entre pequenos produtores, de 8,3%.

Na divisão regional, o Norte apresentava a maior taxa, de 13,2%, seguido pelo Nordeste, com 10,2%, Centro-Oeste, com 10,1%, Sudeste, com 7,3%, e Sul, com 6,2%.

O analista também chama atenção para os efeitos dos eventos climáticos sobre a atividade rural. Para Costa, a combinação de dificuldades financeiras, eventos climáticos e preços pressionados pode levar parte dos produtores a reduzir investimentos. “Então, ao invés de dar um passo para frente, ele acaba dando dois ou três mais passos para trás”, disse.

Leia também: Agronegócio vive combinação inédita de fatores de crise, avalia vice-presidente da ABAG

Safra recorde convive com necessidade de investimento

Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas por parte do setor, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sinaliza uma nova safra recorde. No décimo levantamento, a estimativa aponta para uma produção superior a 360 milhões de toneladas de grãos.

Costa pondera, porém, que os efeitos climáticos podem provocar perdas em algumas regiões, especialmente no Sul e no Centro-Oeste. Nesse contexto, a necessidade de recursos para recuperação e investimento aumenta justamente em um momento de crédito mais restrito.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Embora as taxas do Plano Safra sejam inferiores à Selic, o custo ainda é elevado para pequenos e médios produtores, que chegam ao novo ciclo carregando dificuldades de safras anteriores. “Dificuldade de comercialização, preços pressionados da sua commodity acabam dificultando e desincentivando a sua expansão”, afirmou.

Máquinas e tecnologia concentram recursos

A predominância de investimentos em máquinas e instalações entre as primeiras operações do Plano Safra indica, na avaliação de Costa, que os produtores mais capitalizados estão aproveitando o momento para ampliar a produtividade. Segundo o analista, investimentos em máquinas, tecnologia, sementes de melhor qualidade, fertilizantes e melhorias nas condições de trabalho podem gerar ganhos expressivos de produtividade.

O custo de produção, entretanto, também aumentou. Além disso, máquinas agrícolas modernas são ativos dolarizados, o que torna os investimentos mais sensíveis às oscilações do câmbio. “Qualquer momento, qualquer sintoma de alta no câmbio dificulta um pouquinho mais o investimento no setor”, disse.

Cooperativas ganham espaço no crédito rural

As cooperativas de crédito também aparecem como um canal relevante para o financiamento dos produtores. De acordo com Costa, essas instituições mantêm uma relação mais próxima com o setor, atuando não apenas na concessão de crédito, mas também na comercialização da produção.

“Muitas das vezes, o acesso ao crédito, entre aspas, ele é um pouco mais facilitado, talvez, pelo relacionamento um pouco mais estreito que o produtor tem com as suas cooperativas de forma mais regional”, explicou.

Para o analista, essa proximidade pode simplificar o acesso aos recursos, especialmente pela relação construída entre produtor e cooperativa ao longo do tempo.

Leia também: O detalhe da tarifa dos EUA que ainda preocupa o agronegócio brasileiro; veja

Demanda deve continuar, mas com maior seletividade

A expectativa de Costa é de que a procura pelo crédito permaneça elevada durante a temporada, mas com uma seleção mais rigorosa por parte de produtores e instituições financeiras.

Segundo ele, houve atrasos na aprovação de alguns financiamentos em razão de discussões envolvendo juros, cálculos e destinação dos recursos. Ainda assim, a tendência é de que a demanda continue forte. “A corrida ao dinheiro vai se manter firme. Mas vai ser, de novo, muito seletivo. O produtor vai pensar duas vezes antes de tomar o crédito”, afirmou.

Do lado das instituições financeiras, a tendência também é de maior cautela. “Assim como na parte da instituição financeira, ela vai fazer uma análise muito mais criteriosa sobre o quanto e para quem ela vai destinar esse crédito”, disse.

Costa ressalta ainda que os recursos do Plano Safra tradicionalmente são disputados ao longo da temporada e podem se esgotar diante da demanda. O principal alerta, segundo ele, está na concentração dos financiamentos entre produtores de maior porte.

“É importante destacar que a maior parte da destinação desse dinheiro é para o médio e grande produtor. Então, o pequeno produtor sempre fica um pouco mais prejudicado com relação ao acesso a esse dinheiro bancário”, afirmou.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil