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Mercado de canetas emagrecedoras deve chegar a US$ 150 bilhões até 2030, diz executiva da EY
Publicado 12/05/2026 • 23:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 12/05/2026 • 23:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O mercado de medicamentos GLP-1 deve chegar a US$ 150 bilhões até 2030, em meio ao avanço das chamadas canetas emagrecedoras e à mudança nos hábitos de consumo, afirmou Cristiane Amaral, sócia da EY e líder dos segmentos de consumo, produtos, varejo, health e life sciences para a América Latina.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Amaral disse que os medicamentos antiobesidade já provocam efeitos em diferentes setores da economia, especialmente alimentos, bebidas, saúde, academias, tecnologia e varejo.
Segundo a executiva, há dois mercados em transformação. O primeiro é o dos medicamentos GLP-1, que já representam cerca de 8% do faturamento das empresas produtoras. O segundo é o mercado de saudabilidade, com potencial estimado em US$ 8 trilhões até 2030.
“O mercado dos medicamentos GLP-1 está estimado para chegar a US$ 150 bilhões em 2030. E um outro mercado é o de saudabilidade, em que estamos falando de um potencial de US$ 8 trilhões em 2030”, afirmou.
Amaral disse que o uso dos medicamentos avançou primeiro nos Estados Unidos e deve seguir trajetória semelhante no Brasil. Segundo ela, a tendência saiu de uma aplicação médica mais direcionada ao tratamento de diabetes para um uso mais amplo, ligado a controle de peso e mudanças no estilo de vida.
Nos Estados Unidos, a expectativa é que cerca de 20% da população adulta use medicamentos GLP-1 até 2030, afirmou a executiva. No Brasil, a busca por saudabilidade já influencia decisões de consumo.
“Hoje no Brasil, 35% dos consumidores dizem que o fator de saudabilidade é decisivo no momento de compra de alimentos e bebidas.”
A transformação também aparece nos hábitos de alimentação e atividade física. De acordo com Amaral, pesquisa recente da EY mostra que 71% da população já direciona hábitos para alimentos e bebidas mais saudáveis, enquanto 69% mudou práticas relacionadas a exercícios físicos.
Segundo ela, o movimento amplia o mercado para academias, espaços de bem-estar, suplementos, saúde preventiva e serviços de acompanhamento.
“Não é só uma população que passa a fazer mais exercício físico. É uma população que demanda um tipo de academia e espaços de saudabilidade diferentes, em que o grande atrativo muitas vezes é o redirecionamento em torno de medicamentos, suplementos e saúde preventiva”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCA executiva disse ainda que o monitoramento de saúde deve ganhar espaço no Brasil. O segmento inclui clínicas de longevidade, wearables, anéis e pulseiras de medição, com foco em indicadores biológicos e qualidade de vida.
“Depois de contar passos, o consumidor passa a olhar qual é a sua saúde biológica, não a cronológica, e como reduzi-la com vistas a uma longevidade não só em termos de idade, mas de qualidade de vida e saudabilidade”, disse.
No varejo, Amaral afirmou que supermercados já começam a reorganizar categorias para atender consumidores mais atentos a restrições e objetivos de saúde. Além de áreas light, ganham espaço produtos sem lactose, sem glúten, com menos açúcar e bebidas com baixo ou zero teor alcoólico.
Segundo ela, 48% dos consumidores no Brasil já redirecionam compras de bebidas para águas saborizadas, em substituição a bebidas alcoólicas, ou para opções com baixo ou zero teor alcoólico.
Leia também: Anvisa apreende lotes falsificados de Mounjaro e proíbe uso de medicamentos irregulares
Para a indústria, a mudança exige revisão de portfólio, investimento em pesquisa e desenvolvimento e maior transparência com o consumidor.
“Uma das grandes mudanças para a indústria é justamente trabalhar pesquisa, desenvolvimento, mudanças de produto e revisitar portfólios. E um ponto extremamente importante é transparência com o consumidor: o que eu tenho, o que eu ofereço e a garantia de que o que estou oferecendo é adequado.”
Amaral disse que a transformação provocada pelos medicamentos GLP-1 vai além da alimentação. Segundo ela, os efeitos se distribuem em quatro frentes: hábitos de alimentos e bebidas, monitoramento de saúde, longevidade e saúde neurológica.
Para a executiva, empresas de alimentos, bebidas, consumo e vestuário terão de acompanhar a mudança no comportamento do consumidor para adaptar produtos, experiências e ecossistemas de relacionamento.
“A indústria precisa acompanhar para conseguir trabalhar sua pesquisa e desenvolvimento, seu ecossistema e atender gradualmente as mudanças que o consumidor vem tendo.”
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