CNBC

CNBCOpenAI amplia iniciativa Daybreak de cibersegurança à medida que ameaças de agentes de IA evoluem

Economia Brasileira

Selic menor não elimina riscos e pede cautela na bolsa, diz Fernanda Rocha

Publicado 10/08/2026 • 18:35 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Mesmo com a perspectiva de novos cortes da Selic, juros futuros mais altos e incertezas fiscais ainda recomendam cautela na exposição à bolsa e aos prefixados.
  • Fernanda Rocha vê espaço para investimentos em ações no Brasil e no exterior, mas defende proteção parcial da carteira diante da elevada volatilidade dos mercados.
  • Na bolsa brasileira, empresas resilientes e setores como energia elétrica e saneamento podem atravessar melhor o cenário, enquanto o varejo permanece mais vulnerável.

A perspectiva de novos cortes da Selic não significa que seja o momento de abandonar a renda fixa e ampliar de forma agressiva a exposição à bolsa, principalmente diante da alta dos juros futuros, das incertezas fiscais e da volatilidade global, avalia Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Ela afirmou que a estratégia neste momento deve privilegiar cautela e diversificação, mesmo diante da expectativa do mercado de que a Selic termine o ano em 13,75%. Na renda variável, ela defende exposição tanto ao mercado brasileiro quanto ao exterior, acompanhada de algum nível de proteção.

A especialista destacou que a última reunião do Copom e a ata mais enxuta divulgada pelo colegiado aumentaram as incertezas. Embora a taxa básica de juros tenha caído e exista expectativa de um novo corte, a curva de juros futuros subiu, movimento que eleva o custo do dinheiro ao longo do tempo e afeta a avaliação das empresas na bolsa.

Leia também: Queda da Selic para 14% traz alívio sutil, mas agro e cadeias produtivas continuam sob pressão

Juros futuros exigem cautela

A queda de juros da Selic, que é o juro à vista, acabou ocasionando uma alta do juro futuro. Isso acaba sendo negativo”, afirmou Rocha.

Segundo ela, parte da realização observada recentemente nos ativos está relacionada às expectativas desancoradas em relação ao cenário fiscal brasileiro. A aproximação do período eleitoral também tende a adicionar volatilidade aos mercados nos próximos meses.

Nesse ambiente, Rocha afirmou que adotou uma postura mais conservadora em relação aos títulos prefixados, reduzindo a exposição a esses papéis e aumentando a participação de ativos pós-fixados.

Leia também: Selic cai para 14%: o que muda nos seus investimentos a partir de agora?

“Estamos diminuindo um pouco da nossa exposição em prefixado justamente com esse receio. Aumentamos a nossa fatia pós-fixada, e o prefixado, curtinho, no máximo de quatro anos”, explicou.

A especialista ressaltou que, mesmo com a Selic eventualmente chegando a 13,75%, o Brasil continuará oferecendo juros reais elevados, o que preserva a atratividade da renda fixa para investidores que buscam retorno com menor risco.

Bolsa pede proteção

Na renda variável, Rocha considera adequado manter exposição tanto ao Brasil quanto aos mercados internacionais, mas recomenda algum mecanismo de proteção, ainda que parcial. “Em bolsa, a gente está a favor de ter uma exposição tanto no Brasil como offshore com um pouco de proteção”, afirmou.

Leia também: Corte da Selic já era esperado, mas o comunicado foi a maior surpresa positiva da decisão, que deixa novo corte no radar, diz chefe de estratégia da Warren

A cautela se deve, entre outros fatores, à valorização já acumulada pelos mercados e ao risco de movimentos adicionais de realização. Na renda fixa, a preocupação está principalmente nos prefixados de prazos mais longos, que podem sofrer com a marcação a mercado caso as condições fiscais se deteriorem.

“O prefixado, num cenário de dominância fiscal, sofreria demais. Quando essa exposição está mais atrelada ao IPCA, à inflação, isso acaba sendo mais protetivo”, explicou.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Energia e saneamento ganham preferência

Na seleção de ações, Rocha defende a busca por empresas com fluxo de caixa resiliente e capacidade de atravessar diferentes cenários econômicos, em vez de simplesmente privilegiar companhias mais alavancadas, que tendem a reagir mais rapidamente à queda dos juros.

“É óbvio que aquela mais exposta, mais alavancada, acaba tendo uma resposta mais rápida, mas não significa que essa resposta vai ser resiliente”, afirmou.

Entre os segmentos que apresentam essas características, ela destacou energia elétrica e saneamento, por considerar que as empresas dessas áreas possuem maior capacidade de resistência em diferentes ambientes econômicos.

Leia também: Selic deve ter novo corte em setembro e pausa no fim do ano, diz economista-chefe da Austin Rating Alex Agostini

O varejo, por outro lado, exige maior atenção. Rocha lembrou que o setor pode ser bastante afetado em cenários recessivos e também é sensível às oscilações do dólar. “Quando a gente vai mais para varejo, a gente sabe que isso é muito delicado e pode sofrer muito em cenários de recessão”, disse.

Volatilidade global aumenta risco

A cautela não se restringe ao mercado brasileiro. Segundo Rocha, juros elevados no Brasil e no exterior permitem atualmente obter retornos sobre o capital com riscos relativamente baixos, reduzindo a necessidade de assumir exposições excessivas para buscar rentabilidade.

“Hoje, seja no Brasil ou fora do Brasil, a gente está vendo retorno sobre o capital que há muito tempo não se via, juros realmente muito altos”, afirmou.

Quem pretende buscar retornos maiores, porém, precisa estar preparado para enfrentar oscilações mais intensas. Rocha destacou que a elevada alavancagem do mercado global aumenta a vulnerabilidade dos preços a mudanças bruscas de cenário.

Leia também: Indústria elogia corte da Selic, mas critica juros restritivos que travam crédito e investimentos

As tensões geopolíticas são um exemplo. A especialista citou as mudanças recentes nas expectativas para os juros americanos e a retomada das preocupações envolvendo o Estreito de Ormuz, com reflexos sobre petróleo, energia e inflação.

A gente tem que enfrentar muita volatilidade. Se você está disposto a esse ganho, tem que colocar uma fatia confortável para você, que você aguente sem sofrer”, afirmou.

Para os próximos meses, Rocha reforçou a necessidade de acompanhar os indicadores econômicos e evitar movimentos excessivamente agressivos na carteira. Na avaliação da especialista, a volatilidade também poderá criar oportunidades para investidores que preservarem espaço para aproveitá-las.

“Agora, com as eleições, fique um pouco mais cauteloso, entenda mais esse cenário, porque podem abrir muitas oportunidades nos próximos dois meses”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Economia Brasileira