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Oncoclínicas: Centaurus abre disputa com Latache antes de decisão da CVM sobre OPA
Publicado 24/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Oncoclínicas/Divulgação
A CVM julga nesta terça-feira (25) se a Centaurus deve realizar uma oferta pública de aquisição pelas ações da companhia.
A Centaurus Capital abriu uma nova frente na disputa envolvendo a Oncoclínicas às vésperas do julgamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a eventual obrigação de a gestora realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) para os demais acionistas da companhia.
A gestora americana protocolou no sábado (22) um pedido de arbitragem contra a Latache Capital, que também é acionista da empresa.
O procedimento arbitral ocorre paralelamente à análise da CVM e, em princípio, não interfere no julgamento marcado para terça-feira (25). A discussão na autarquia envolve a interpretação das regras do estatuto da Oncoclínicas sobre a aquisição de uma participação superior a 15% do capital após a abertura de capital da companhia, em 2021.
Leia também: CVM confirma data para julgamento sobre OPA da Oncoclínicas
A área técnica da CVM concluiu, em junho, que não haveria obrigação de OPA por parte da Centaurus. A Latache e representantes de acionistas minoritários, porém, recorreram da avaliação, levando o caso ao colegiado da autarquia. A expectativa em torno da decisão ajudou a impulsionar as ações da Oncoclínicas, que acumulam alta superior a 40% em cinco pregões.
Segundo informações do InvestNews, a disputa também está relacionada à reorganização da participação que pertencia a fundos administrados pelo Goldman Sachs. Entre novembro de 2024 e março de 2025, esses veículos foram desmembrados, processo que resultou na transferência de uma fatia de aproximadamente 16% da Oncoclínicas para a Centaurus.
A Centaurus é atualmente a única cotista do fundo Josephina III, que detém 9,91% da Oncoclínicas, conforme o formulário de referência mais recente da companhia, de 22 de julho. A discussão na CVM, contudo, considera a trajetória dessa participação e sua relação com os fundos anteriormente controlados pelo Goldman Sachs.
Antes da reorganização, o banco americano chegou a concentrar 72,5% do capital da Oncoclínicas. O Goldman começou a investir na empresa em 2015, seis anos antes da estreia da companhia na B3. Na cisão dos fundos, o banco permaneceu com cerca de 20%, enquanto a participação atribuída à Centaurus passou a ser mantida separadamente.
O ponto central da análise da CVM é se essa transferência pode ser considerada uma nova aquisição capaz de acionar a regra estatutária que prevê a OPA. A área técnica entendeu que não, porque a Centaurus já participava dos fundos do Goldman desde 2018.
Leia também: CVM abre inquérito sobre aplicação de R$ 1,5 bilhão da Oncoclínicas no Banco Master
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Siga o Times | CNBCO estatuto da Oncoclínicas determina que o acionista que ultrapassar 15% do capital da companhia depois do IPO deve fazer uma oferta para adquirir as demais ações. A regra também estabelece um critério específico para o preço da operação: 120% da maior cotação registrada pelo papel nos 12 meses anteriores à divulgação da aquisição.
A interpretação defendida por Bruno Ferrari, fundador e ex-presidente da Oncoclínicas, é diferente. Em manifestação enviada à CVM em junho, ele argumentou que a Centaurus não figurava como acionista relevante da companhia antes da abertura de capital e, por isso, deveria estar sujeita à obrigação prevista no estatuto.
A Latache, que possui atualmente 14,59% da Oncoclínicas e é a maior acionista individual da empresa, também contesta a conclusão da área técnica da CVM. Entidades que representam investidores minoritários se posicionaram no mesmo sentido.
A discussão também envolve a identificação dos acionistas que já tinham exposição à Oncoclínicas antes da listagem em Bolsa. Um dos elementos considerados por pessoas próximas ao caso é a participação de Allen McMichael Gibson, diretor de investimentos da Centaurus, no conselho da companhia desde antes do IPO.
Pessoas familiarizadas com a empresa afirmam que a participação da gestora na estrutura acionária era conhecida internamente, inclusive por Ferrari. Esse argumento é usado para sustentar que a presença da Centaurus não surgiu apenas com a reorganização dos fundos do Goldman.
Leia também: Oncoclínicas vende participação em empresa saudita por R$ 33,3 milhões em meio à reestruturação financeira
Atualmente, além da Centaurus e da Latache, o BRB aparece como outro acionista relevante, com 8,66% das ações. A participação foi incorporada a partir de ativos que anteriormente estavam ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. As demais ações estão distribuídas entre investidores do mercado.
Embora a área técnica da CVM tenha se manifestado contra a exigência de OPA, a palavra final será do colegiado. O histórico do processo inclui interpretações divergentes dentro da autarquia, o que mantém a definição em aberto.
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