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Declarações de Trump devem ser ouvidas com cautela, diz especialista
Publicado 13/04/2026 • 12:37 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 13/04/2026 • 12:37 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Brendan Smialowski | AFP | Getty Images
O Conselho da Paz criado por Trump para reconstruir Gaza e resolver conflitos enfrenta problemas legais e sua conta bancária tem saldo zero.
As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível retomada das negociações com o Irã após o fracasso das conversas no Paquistão devem ser vistas com cautela, segundo avaliação do professor de relações internacionais Carlos Gustavo Poggio, em entrevista ao Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC.
Ele afirmou que é necessário diferenciar o discurso público de Trump da dinâmica real das negociações diplomáticas. Segundo ele, falas do presidente frequentemente atendem a objetivos táticos, como pressionar o adversário ou evitar desgaste junto ao público interno.
De acordo com o analista, um eventual acordo entre Estados Unidos e Irã não deve ocorrer no curto prazo. Ele lembra que o entendimento nuclear firmado durante o governo Barack Obama levou anos de negociação e envolveu etapas complexas de construção de confiança e mecanismos de verificação.
Na avaliação de Poggio, no máximo, pode haver acordos pontuais e temporários, sem tensionar questões estruturais. Ele também considera improvável que o Irã aceite eliminar completamente seu programa nuclear, que o país afirma ter fins pacíficos.
O especialista destaca ainda que o cenário geopolítico atual difere de momentos anteriores. Mesmo enfraquecido militarmente, o Irã ampliou sua capacidade de pressão ao exercer maior controle sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
Segundo ele, a condução do conflito pelos Estados Unidos evidencia uma diferença entre capacidade militar e acordos políticos. Embora ações táticas tenham sido bem-sucedidas, os objetivos estratégicos permanecem incertos.
O professor também aponta riscos de escalada prolongada, citando precedentes históricos como a Guerra do Vietnã, em que superioridade militar não garantiu vitória política.
Na análise, o uso de força tende a dificultar concessões por parte do Irã e pode, inclusive, reforçar incentivos para o avanço de seu programa nuclear. O cenário atual, afirma, coloca a administração Trump diante de um impasse, com menor margem de manobra em relação ao período anterior ao conflito.
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