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“O Brasil não quebra, mas está condenado a crescer pouco”, diz presidente do conselho da Natura
Publicado 29/10/2026 • 20:05 | Atualizado há 1 hora
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Foto: Linkedin
O Brasil não corre risco de uma crise de insolvência sob um novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas poderá ficar preso a um crescimento econômico baixo caso não enfrente o desequilíbrio das contas públicas. A avaliação é de Fábio Coletti Barbosa, presidente do conselho da Natura e ex-presidente do Santander Brasil e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Em entrevista à BBC, Barbosa afirmou que o país dispõe de fundamentos econômicos que afastam um cenário de ruptura, mas alertou para os efeitos dos gastos públicos e dos juros elevados sobre a atividade. “O Brasil não quebra”, disse o executivo, ao destacar a situação das contas externas, a autonomia do Banco Central e a força dos setores de petróleo, agricultura, energia e mineração.
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A perspectiva, porém, é de dificuldades para o próximo ano. “Mas o Brasil fica condenado a um crescimento medíocre, em função de juros elevados, de uma necessidade muito grande de financiamento”, afirmou. Para Barbosa, a combinação restringe o investimento e compromete o ritmo de expansão da economia.
Barbosa criticou a estratégia de ampliar despesas públicas para estimular a economia sem um aumento correspondente da produção. Segundo ele, a expansão do consumo, quando não acompanhada por maior oferta de bens e serviços, pressiona os preços e leva o Banco Central a manter os juros em patamares elevados.
“O que acontece se todo mundo tiver dinheiro para a picanha, mas a produção da picanha não aumentar? O preço vai subir”, disse. O executivo acrescentou que tanto a inflação quanto o crédito mais caro prejudicam principalmente as famílias de menor renda, além de reduzir a capacidade de financiamento de empresas e consumidores.
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Siga o Times | CNBCO ex-banqueiro observou que a equipe de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia sinalizado cortes de despesas para enfrentar o problema fiscal. Sobre o governo reeleito, afirmou que Lula só passou a mencionar a responsabilidade fiscal depois da votação, por meio de declarações de José Guimarães, ministro das Relações Institucionais.
Apesar das críticas à expansão das despesas, Barbosa defendeu a manutenção de políticas sociais, acompanhada de uma revisão dos cadastros para identificar pagamentos indevidos. “A esquerda não tem o monopólio do bem-estar social do país. As pessoas que argumentam por um equilíbrio fiscal também buscam o bem-estar social”, afirmou.
O executivo argumentou que a melhora duradoura das condições de vida depende também do crescimento da produção. “Se fosse verdade que gastos públicos maiores são bons para mitigar a pobreza, não haveria pobres no Haiti, no Congo e na Índia”, declarou, ao questionar a eficácia de uma política econômica baseada apenas na ampliação dos gastos.
Barbosa considera que 2027 será um ano economicamente difícil, embora descarte um cenário catastrófico. Ele citou as contas externas em ordem, a inflação sob controle, o Banco Central independente e a capacidade produtiva do país como fatores de resistência. Também reconheceu que Lula ampliou o acesso do Brasil a mercados internacionais.
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Para o presidente do conselho da Natura, encerrada a disputa eleitoral, a prioridade deve ser o diálogo sobre políticas capazes de melhorar as perspectivas do país. “Ok, o resultado é esse. E o que nós podemos fazer para ajudar a construir o país que sonhamos?”, questionou. “A eleição é página virada”, afirmou.
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