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“O Brasil não quebra, mas está condenado a crescer pouco”, diz presidente do conselho da Natura

Publicado 29/10/2026 • 20:05 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Fábio Barbosa avalia que o Brasil não corre risco de quebrar, mas poderá enfrentar baixo crescimento com juros elevados.
  • Ex-presidente do Santander defende controle dos gastos públicos e revisão de benefícios sociais pagos indevidamente.
  • Executivo prevê dificuldades econômicas em 2027 e afirma que o equilíbrio fiscal também favorece a população de baixa renda.

Foto: Linkedin

O Brasil não corre risco de uma crise de insolvência sob um novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas poderá ficar preso a um crescimento econômico baixo caso não enfrente o desequilíbrio das contas públicas. A avaliação é de Fábio Coletti Barbosa, presidente do conselho da Natura e ex-presidente do Santander Brasil e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Em entrevista à BBC, Barbosa afirmou que o país dispõe de fundamentos econômicos que afastam um cenário de ruptura, mas alertou para os efeitos dos gastos públicos e dos juros elevados sobre a atividade. “O Brasil não quebra”, disse o executivo, ao destacar a situação das contas externas, a autonomia do Banco Central e a força dos setores de petróleo, agricultura, energia e mineração.

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A perspectiva, porém, é de dificuldades para o próximo ano. “Mas o Brasil fica condenado a um crescimento medíocre, em função de juros elevados, de uma necessidade muito grande de financiamento”, afirmou. Para Barbosa, a combinação restringe o investimento e compromete o ritmo de expansão da economia.

Críticas aos gastos e à política fiscal

Barbosa criticou a estratégia de ampliar despesas públicas para estimular a economia sem um aumento correspondente da produção. Segundo ele, a expansão do consumo, quando não acompanhada por maior oferta de bens e serviços, pressiona os preços e leva o Banco Central a manter os juros em patamares elevados.

“O que acontece se todo mundo tiver dinheiro para a picanha, mas a produção da picanha não aumentar? O preço vai subir”, disse. O executivo acrescentou que tanto a inflação quanto o crédito mais caro prejudicam principalmente as famílias de menor renda, além de reduzir a capacidade de financiamento de empresas e consumidores.

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O ex-banqueiro observou que a equipe de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia sinalizado cortes de despesas para enfrentar o problema fiscal. Sobre o governo reeleito, afirmou que Lula só passou a mencionar a responsabilidade fiscal depois da votação, por meio de declarações de José Guimarães, ministro das Relações Institucionais.

Programas sociais e revisão de benefícios

Apesar das críticas à expansão das despesas, Barbosa defendeu a manutenção de políticas sociais, acompanhada de uma revisão dos cadastros para identificar pagamentos indevidos. “A esquerda não tem o monopólio do bem-estar social do país. As pessoas que argumentam por um equilíbrio fiscal também buscam o bem-estar social”, afirmou.

O executivo argumentou que a melhora duradoura das condições de vida depende também do crescimento da produção. “Se fosse verdade que gastos públicos maiores são bons para mitigar a pobreza, não haveria pobres no Haiti, no Congo e na Índia”, declarou, ao questionar a eficácia de uma política econômica baseada apenas na ampliação dos gastos.

Cenário para 2027 e diálogo com o governo

Barbosa considera que 2027 será um ano economicamente difícil, embora descarte um cenário catastrófico. Ele citou as contas externas em ordem, a inflação sob controle, o Banco Central independente e a capacidade produtiva do país como fatores de resistência. Também reconheceu que Lula ampliou o acesso do Brasil a mercados internacionais.

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Para o presidente do conselho da Natura, encerrada a disputa eleitoral, a prioridade deve ser o diálogo sobre políticas capazes de melhorar as perspectivas do país. “Ok, o resultado é esse. E o que nós podemos fazer para ajudar a construir o país que sonhamos?”, questionou. “A eleição é página virada”, afirmou.

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