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Trajetória da dívida pública exigirá medidas estruturais do próximo governo
Publicado 03/08/2026 • 16:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/08/2026 • 16:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A trajetória de crescimento da dívida pública brasileira exigirá medidas estruturais do próximo governo para evitar uma deterioração das contas públicas, segundo César Bergo, economista e professor de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB). Em entrevista nesta segunda-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que o principal problema não é o nível atual da dívida, mas a velocidade com que ela vem crescendo e os impactos que isso pode provocar sobre a economia.
Dados apresentados durante a entrevista mostram que a Instituição Fiscal Independente (IFI) projeta que a dívida bruta encerrará 2026 em 82,5% do PIB, ultrapassará a marca de 100% do PIB em 2032 e poderá atingir 115% do PIB em 2036, caso não haja mudanças na trajetória dos gastos públicos.
Segundo Bergo, esse movimento exige ações imediatas, já que políticas voltadas ao equilíbrio fiscal costumam produzir efeitos apenas no médio e no longo prazo.
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Na avaliação do economista, o problema central não é o patamar atual da dívida, mas sua evolução contínua. “O importante não é a dívida. A dívida até que não é tão alta. O problema é a trajetória dela. As medidas precisam ser tomadas agora, porque contas públicas são questões de médio e longo prazo”, afirmou.
Segundo ele, o governo tem registrado arrecadação recorde, mas as despesas crescem em ritmo superior, comprometendo o equilíbrio fiscal e reduzindo a capacidade de investimento do Estado.
Para Bergo, a continuidade dessa tendência aumenta os riscos de contingenciamento, dificulta o cumprimento das metas do arcabouço fiscal e amplia a preocupação dos investidores em relação ao futuro das contas públicas.
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O economista afirmou que o controle dos gastos costuma ser um assunto evitado por candidatos durante campanhas eleitorais por seu potencial desgaste político.
Segundo ele, muitos governantes acabam utilizando as contas públicas para ampliar benefícios de curto prazo, o que contribui para elevar o endividamento do país. “Os candidatos não gostam de falar de dívida pública porque isso tem peso nos votos. Mas estamos cuidando da nação, não apenas de um governo”, disse.
Bergo destacou que áreas como Previdência, Saúde e Educação concentram grande parte das despesas públicas e exigem uma gestão mais eficiente para evitar que o aumento dos gastos comprometa serviços essenciais e reduza investimentos.
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O professor também rebateu comparações entre o endividamento brasileiro e o de economias desenvolvidas, como os Estados Unidos, cuja dívida supera 100% do PIB.
Segundo ele, cada país possui características econômicas próprias, o que impede uma comparação direta apenas pelos percentuais.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBC“Não dá para comparar Brasil com Estados Unidos. O Brasil ainda é uma economia emergente, com necessidades sociais muito maiores e menor capacidade de geração de receitas”, afirmou.
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Na avaliação do economista, o país precisa continuar investindo na área social, mas dentro de um ambiente de maior responsabilidade fiscal para evitar que o aumento da dívida comprometa o crescimento econômico.
Bergo defendeu que o próximo governo terá de enfrentar uma agenda de reformas para melhorar o perfil das contas públicas.
Entre os temas apontados estão a Previdência, a implementação da reforma tributária, mudanças na tributação sobre a renda e, principalmente, maior eficiência na utilização dos recursos públicos.
“O candidato precisa buscar eficiência no uso dos recursos. O que estamos vendo é um gasto mal feito, e isso compromete a capacidade de investimento do país”, afirmou.
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Segundo ele, sem mudanças estruturais, a tendência é que o crescimento da dívida continue restringindo investimentos públicos nos próximos anos.
Outro fator de preocupação, segundo Bergo, é o elevado nível da taxa Selic, que aumenta significativamente o custo do endividamento público.
O economista afirmou que cada aumento de 1 ponto percentual na Selic representa aproximadamente R$ 40 bilhões adicionais em despesas com juros para o governo.
Para ele, o Brasil precisa combinar uma política fiscal responsável com uma política monetária capaz de reduzir gradualmente os juros.
“A taxa de juros atual aumenta o endividamento do país, reduz os recursos para investimento e estimula aplicações em renda fixa em vez de investimentos produtivos. Os próximos governantes precisarão enfrentar esse desafio”, concluiu.
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