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Tarifaço dificulta planejamento de empresas e pode inviabilizar negócios de exportadores

Publicado 03/08/2026 • 15:15 | Atualizado há 4 minutos

KEY POINTS

  • Tarifas já foram parcialmente absorvidas no cenário macroeconômico, mas podem inviabilizar negócios em setores exportadores específicos.
  • Volatilidade do petróleo dificulta o planejamento e pode reduzir margens de empresas sem proteção contratual.
  • El Niño intenso pode elevar custos, reduzir a produção agrícola e afetar investimentos ligados ao agronegócio.

Embora parte dos efeitos das tarifas comerciais já tenha sido absorvida pelo cenário macroeconômico, empresas de setores específicos ainda podem enfrentar forte perda de competitividade e até ter suas operações inviabilizadas. A avaliação é de Gustavo Pozatti Ueda, especialista em gestão empresarial e sócio da Oliveira & Olivi, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo da CNBC, nesta segunda-feira (3).

Segundo Ueda, o impacto varia conforme a exposição de cada companhia ao mercado americano. Ele citou o exemplo de uma fábrica do interior que exportava para os Estados Unidos e passou a enfrentar uma tarifa acumulada de 37,5%.

“Do ponto de vista macroeconômico, uma boa parte já tem sido absorvida. Mas, em alguns setores específicos, para empresas que não estavam sofrendo esse tarifaço, a aplicação efetiva é bem complicada”, afirmou.

O especialista avaliou que o cenário global reúne choques simultâneos provocados pela volatilidade do petróleo, pelas barreiras comerciais e pelo risco de um El Niño mais intenso no fim do ano. Esses fatores podem pressionar os custos, reduzir as margens e dificultar o planejamento das empresas.

Volatilidade pressiona margens

Ueda afirmou que as oscilações recentes do petróleo tornam mais difíceis as projeções de longo prazo. Segundo ele, empresas com contratos contínuos e cláusulas de proteção conseguem atravessar períodos de instabilidade com menor impacto.

“Quem tem uma cláusula para se resguardar consegue atravessar bem. Quem não tiver nenhuma ressalva quanto a isso vai sofrer diretamente na margem”, disse.

O preço do petróleo afeta os custos de transporte, produção e logística, além de pressionar setores dependentes do diesel, como o agronegócio.

Na avaliação do especialista, as empresas precisam reforçar o planejamento, revisar contratos com fornecedores e prestadores de serviços e considerar mecanismos de proteção contra oscilações de preços.

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Apesar da volatilidade atual, Ueda avaliou que o cenário do petróleo pode ficar mais claro até o fim do ano, à medida que avançam as negociações políticas e o conflito no Oriente Médio.

Leia também: Empresas exportadoras devem criar cultura de reação e ampliar diversificação, diz consultor

El Niño pode ampliar pressão sobre o agronegócio

Entre os riscos citados, Ueda afirmou que o comportamento do clima é o fator mais difícil de prever. Um El Niño mais intenso pode atingir o agronegócio em um momento de custos elevados de fertilizantes e outros insumos.

“O produtor provavelmente vai pagar mais caro para produzir no momento em que poderá produzir menos por causa do El Niño”, avaliou.

Segundo ele, o efeito também pode alcançar empresas ligadas à cadeia agrícola e negócios que dependem de financiamento e investimentos associados ao setor.

Apesar da combinação de riscos, Ueda descartou, neste momento, a formação de uma “tempestade perfeita”. Para o especialista, os choques relacionados ao petróleo e às tarifas dependem de decisões políticas e diplomáticas e, por isso, permitem algum nível de preparação.

O clima, porém, continua sendo o componente de maior incerteza nas projeções empresariais para o segundo semestre e o início de 2027.

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