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Economia Brasileira

Brasil pode sentir alívio imediato com queda do petróleo após fim da crise EUA–Irã

Publicado 16/06/2026 • 06:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Acordo entre Estados Unidos e Irã vai reabrir o Estreito de Ormuz, canal em que circula 20% da produção de petróleo global.
  • Cenário geopolítico mais estável deve fazer com que inflação perca fôlego no Brasil, por conta da queda no preço do petróleo.
  • Analistas ainda estão céticos quanto ao acordo a seus impactos reais na economia.
Estados Unidos

Foto: Pexels

A economia brasileira pode ter um alívio inflacionário com o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã e a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. Cerca de 20% do petróleo global passam pelo canal, e o desbloqueio pode baixar o preço dos combustíveis para o mercado interno.

O anúncio acontece na semana em que o Copom decidirá se a trajetória de queda de juros vai continuar ou não. Agentes do mercado acreditam que o Banco Central vai paralisar a queda, que já se prolonga por duas reuniões consecutivas, e preveem uma taxa Selic mais alta no final do ano. 

O bloqueio do Estreito era um fator inflacionário para a economia global como um todo, mas os efeitos imediatos na economia brasileira da normalização da navegação pelo canal ainda são incertos.  

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“A reabertura de Ormuz tende a impactar positivamente a economia brasileira ao reduzir o prêmio de risco geopolítico embutido no petróleo, o que alivia pressões sobre combustíveis, custos logísticos e inflação. Esse efeito melhora a margem de desinflação no curto prazo e reduz a probabilidade de novas altas de juros, favorecendo ativos domésticos mais sensíveis à atividade”, explica Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Ceticismo apesar dos sinais positivos

Apesar do tom positivo na abertura da Bolsa, por exemplo, analistas mantêm uma postura cautelosa e cética nos bastidores em relação ao cenário político-econômico brasileiro. O ceticismo fundamenta-se no histórico recente, visto que, desde fevereiro, diversos anúncios de acordos foram realizados sem que houvesse desdobramentos práticos e efetivos.

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“Desde fevereiro, já vimos anúncios semelhantes que não se concretizaram. Desta vez, embora o discurso pareça mais robusto e encorpado, nós precisamos ver ações práticas. Não basta apenas assinar o papel; as tropas precisam ser efetivamente retiradas e o fluxo de mercadorias e combustíveis restabelecido para que as coisas se acalmem de forma consistente”, afirmou Felipe Sant’Anna especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

Preço do petróleo 

Horas depois do anúncio da assinatura do acordo de paz, o preço do petróleo despencou nos mercados globais. 

Os preços do petróleo bruto despencaram até 5% nesta segunda-feira, com o West Texas Intermediate (WTI) se aproximando de US$ 80 o barril pela primeira vez desde o início de março. O Brent operava em queda de mais de 4%, cotado a cerca de US$ 83,60. É o menor valor desde o início das tensões.

O recuo expressivo nas cotações globais da commodity vai se traduzir, no curtíssimo prazo, em uma redução do custo dos produtos importados, como a gasolina e o diesel, que chegam aos portos do país, fazendo com que haja um alívio na inflação. 

Desde o início do conflito na região, as tradings brasileiras enfrentaram severas dificuldades para adquirir combustíveis de determinadas origens, principalmente de parceiros tradicionais no Oriente Médio. Isso fez com que o país aumentasse a importação do diesel russo. Essa restrição vinha limitando o acesso do país a produtos com preços mais competitivos e atraentes.

“O Brasil ampliou as compras do produto russo, que vinha sendo um produto com maior disponibilidade e, portanto, o mercado brasileiro vinha se aproveitando dessa parceria. O eventual fim do conflito pode se traduzir, no longo prazo, em uma retomada da oferta de produtos petrolíferos por outros players, que resulte em uma maior disponibilidade dessas commodities energéticas que chegam ao Brasil”, afirmou o especialista de inteligência de mercado da Stonex, Bruno Cordeiro. 

Dólar e mercado de ações

Outro ponto que deve ser positivo para o país é a queda do dólar. Com o alívio no preço de produtos importados, a inflação deve ser afetada, rumo ao centro da meta do Banco Central. 

O dólar opera em baixa na manhã desta segunda-feira (14), com maior apetite dos investidores internacionais por ativos de maior risco, dado o cenário geopolítico mais estável.

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“Em momentos de menor tensão geopolítica, os investidores tendem a avaliar os ativos com foco maior nos fundamentos das operações e na qualidade do crédito, reduzindo parte dos prêmios de risco associados ao cenário externo”, disse Vitor Moscatelli, diretor de Administração Fiduciária da Azumi Investimentos.

Queda do petróleo pode pesar na balança comercial

Se por um lado o consumidor e os índices de preços respiram aliviados, por outro, a economia brasileira se consolidou como uma grande exportadora de óleo bruto e pode sentir o peso da desvalorização da commodity.

O país se beneficia das exportações de petróleo a preços elevados. Com o barril em patamares menores, o valor total das exportações desse setor tende a encolher, reduzindo o superávit comercial. 

O governo federal e os estados produtores sofrem um impacto direto na arrecadação. Valores menores por barril significam menos receitas com royalties e participações especiais de exploração do pré-sal, além de pressionar as margens de lucro e dividendos da Petrobras, da qual a União é a principal acionista.

“Durante o período de maior tensão em Ormuz, o Brasil foi visto como alternativa de suprimento, combinando preços mais altos com um prêmio de segurança que beneficiou exportações e reforçou a narrativa de ‘fornecedor estável’ em um ambiente de forte incerteza geopolítica. Com a reabertura de Ormuz, esse ganho extraordinário tende a se normalizar. Para as empresas do setor, o cenário deixa de ser o de euforia típica de crise aguda, mas ainda é compatível com preços suficientemente robustos para sustentar planos de investimento de longo prazo no pré-sal”, apontou Bruno Corano, economista da Corano Capital.

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