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Economia Brasileira

Instabilidade institucional, incerteza econômica e tensões geopolíticas pressionam investimentos

Publicado 09/09/2026 • 20:47 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Instabilidade institucional, juros elevados e tensões externas aumentam o prêmio de risco e reduzem a previsibilidade para investimentos no Brasil.
  • Wagner Moraes, economista e CEO da A&S Partners, vê uma “tempestade perfeita” formada por insegurança jurídica, cenário macroeconômico incerto e pressão do petróleo sobre a inflação.
  • Investidores estão priorizando proteção, enquanto o capital estrangeiro que entra no país tem se concentrado mais em operações de curto prazo.

A combinação entre instabilidade institucional, incerteza econômica e tensões geopolíticas está aumentando o prêmio de risco do Brasil e dificultando investimentos de longo prazo, afirmou Wagner Moraes, economista e CEO da A&S Partners, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Moraes, o impacto sobre os mercados não vem de um único fator. A crise envolvendo o Banco Master e o STF se soma à guerra no Oriente Médio, à pressão do petróleo sobre a inflação e às incertezas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e no Brasil.

“Essas instabilidades todas acabam afetando diretamente, aumentando o prêmio pelo risco. Então, se de repente um investidor necessita colocar dinheiro aqui no Brasil, ele vai olhar exatamente essa instabilidade, o que é risco Brasil, para que ele possa precificar”, explicou.

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Investimento exige previsibilidade e segurança jurídica

Para Moraes, os efeitos são ainda mais relevantes quando a análise deixa as oscilações de curto prazo e passa para decisões como a construção de uma fábrica ou a expansão de uma empresa no país.

O economista afirmou que dois elementos são fundamentais nesse tipo de decisão: previsibilidade e segurança jurídica. Na avaliação dele, o atual ambiente institucional brasileiro deteriora justamente essas condições.

“O que está ocorrendo hoje está trazendo uma insegurança institucional muito forte, que, mais uma vez, interfere diretamente na precificação do dinheiro”, afirmou.

Moraes classificou o cenário como uma “tempestade perfeita”, formada simultaneamente por insegurança jurídica, instabilidade institucional, incertezas macroeconômicas internacionais e aumento dos custos provocado pelo petróleo.

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“Nós estamos in the perfect storm, ou seja, tempestade perfeita: insegurança jurídica, insegurança institucional, insegurança macroeconômica nos mercados mundiais, o preço do petróleo afetando bastante os custos”, disse.

Petróleo adiciona pressão sobre inflação e juros

O economista destacou que a alta do petróleo representa mais um obstáculo para uma redução consistente dos juros. Se os preços permanecerem elevados por mais tempo, explicou, o impacto deixa de ser apenas uma oscilação pontual e passa a representar um choque de custos para a economia.

“Isso aumenta combustível, aumenta valor do transporte, aumenta alimentos, aumenta a nossa inflação e, mais uma vez, traz essa pressão adicional na não redução de juros”, afirmou.

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Moraes também chamou atenção para a situação fiscal brasileira. Segundo ele, uma dívida pública elevada aumenta a necessidade de captação do governo e dificulta a redução do custo do dinheiro em um ambiente no qual investidores já exigem prêmio maior para assumir riscos.

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BC precisa apertar regulação do crédito

Questionado sobre possíveis mudanças na regulação do mercado de crédito, Moraes defendeu uma atuação mais rigorosa do Banco Central. Para ele, a ampliação da oferta nos últimos anos ocorreu, em parte, sem especialização e estrutura suficientes entre alguns novos participantes do sistema financeiro.

“O que houve foi esse crescimento na oferta de crédito de uma maneira bastante descontrolada. O Banco Central já vem atuando de uma maneira muito forte, acho extremamente necessário”, afirmou.

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Segundo Moraes, porém, endurecer as regras não resolve sozinho o problema. A recuperação da capacidade financeira das famílias também depende de estabilidade econômica, geração de renda e recomposição do orçamento doméstico.

“Necessita apertar mais essa regulação e, principalmente, conter mais o processo de concessão de crédito, deixar muito mais especializado. Então, sim, eu vejo com bons olhos, mas isso não é tudo”, explicou.

Investidores buscam proteção

Diante da combinação de riscos internos e externos, Moraes afirmou que investidores estão priorizando proteção e redução da exposição ao risco, enquanto grandes instituições financeiras também demonstram maior cautela no mercado de crédito.

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Na avaliação do economista, embora o Brasil tenha recebido capital estrangeiro neste ano, uma parcela relevante desses recursos tem caráter especulativo, voltado principalmente para ativos negociados no mercado financeiro e com horizonte de curto prazo.

“O capital especulativo é de curto prazo. Uma hora ele sai. Não sei se ainda dentro desse ano ou se no ano que vem, mas esse capital saindo, voltando para fora, traz uma pressão adicional no câmbio, traz uma pressão na inflação”, afirmou.

O problema, segundo Moraes, é a diferença entre esse fluxo e o investimento destinado à produção, que permanece prejudicado pela percepção de risco e pelo elevado custo de capital.

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“Quando a gente fala de investidores nacionais, as grandes empresas, a conta não fecha também, porque existe o custo de capital, existe o custo de carregamento de investimento, que vai exigir uma taxa de retorno para novos investimentos extremamente elevada”, disse.

Nesse cenário, Moraes considera que empresas e investidores podem preferir manter recursos aplicados no mercado financeiro enquanto aguardam maior estabilidade.

“Então, é melhor não investir. É melhor ficar com esse dinheiro aplicado, hoje, no mercado financeiro. O risco vai ser muito mais baixo até que você esteja com uma maior previsibilidade, uma maior segurança institucional também”, concluiu.

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