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Entenda como classificação de PCC e CV como terroristas pode elevar pressão econômica sobre o Brasil

Publicado 03/06/2026 • 11:25 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas tende a produzir efeitos que vão além da segurança pública, com possíveis reflexos sobre investimentos, operações financeiras e a percepção internacional de risco do Brasil.
  • Segundo especialista em comércio internacional, empresas e instituições financeiras passarão a adotar controles mais rigorosos de compliance para evitar qualquer vínculo, direto ou indireto, com entidades associadas às organizações criminosas.
  • Embora os impactos concretos ainda dependam da aplicação prática da medida, a avaliação é que o novo cenário cria uma camada adicional de pressão econômica sobre o país e pode influenciar decisões de negócios, comércio exterior e investimentos estrangeiros.

A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode ampliar exigências de compliance, afetar a percepção de risco do Brasil e influenciar decisões de investimento internacional, afirmou a advogada especialista em comércio internacional Vera Kanas. Segundo ela, embora os efeitos ainda sejam potenciais, a medida cria um ambiente mais complexo para empresas e instituições financeiras que mantêm relações com o país.

Uma empresa que vai decidir investir no Brasil agora terá um cuidado extra para avaliar com quem fará negócios. Isso inclui investimentos, comércio e diversas outras operações”, explicou a especialista em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quarta-feira (3). Ela destacou que investidores internacionais precisarão reforçar procedimentos de verificação para garantir que não mantenham relações com pessoas ou entidades associadas às organizações classificadas pelos Estados Unidos.

Exigências maiores

De acordo com Vera Kanas, bancos e instituições financeiras sujeitos à legislação americana tendem a transferir parte dessas exigências para seus contratos e operações no Brasil, ampliando a rede de controles e verificações exigidas de empresas locais.

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Essa rede de compliance vai se expandindo muito e aumenta os cuidados específicos na decisão de fazer negócios aqui no Brasil”, afirmou. Segundo ela, quando investidores avaliam diferentes destinos para seus recursos, países que não enfrentam esse tipo de exposição regulatória podem ganhar vantagem competitiva.

A especialista ressaltou que esse é um risco que anteriormente não existia com a mesma intensidade e que pode influenciar desde grandes operações financeiras até decisões comerciais cotidianas.

Debate sobre o Pix

Ao comentar as discussões envolvendo o Pix, Vera Kanas afirmou que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos aparece em diferentes frentes de questionamento por parte dos Estados Unidos. Segundo ela, uma possível interpretação de autoridades americanas poderia associar o mecanismo a riscos de lavagem de dinheiro, embora essa avaliação não corresponda à natureza da ferramenta.

O Pix é uma plataforma pública de pagamentos, mas ele pode ser interpretado por alguma autoridade americana como um facilitador de lavagem de dinheiro e gerar questionamentos sobre as medidas adotadas pelo Brasil para evitar esse tipo de prática”, explicou.

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A advogada observou que essas interpretações acabam ampliando os riscos econômicos associados ao país, afetando não apenas bancos, mas também empresas de diversos setores que passam a enfrentar exigências adicionais em suas relações comerciais e financeiras.

Imagem do país

Na avaliação de Vera Kanas, a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas tem potencial para provocar impacto mais significativo na imagem internacional do Brasil do que outras investigações comerciais recentes abertas pelos Estados Unidos.

Essa talvez tenha um impacto maior na imagem do Brasil”, afirmou. Para ela, outras investigações conduzidas por Washington possuem forte componente político e tendem a produzir efeitos mais limitados sobre a reputação do país perante investidores e parceiros internacionais.

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A especialista acrescentou que a nova classificação pode influenciar até mesmo decisões que não estão diretamente ligadas ao mercado financeiro. “A exposição que o Brasil passa a ter atinge muitas áreas da economia brasileira”, observou.

Novas negociações

Apesar das pressões adicionais, Vera Kanas avalia que o cenário também pode acelerar movimentos de diversificação comercial por parte do Brasil e de outros países afetados por medidas semelhantes.

“O Brasil já começou a buscar novos mercados desde o ano passado e isso é muito positivo. É um movimento que deve continuar”, afirmou. Ela citou o acordo entre Mercosul e União Europeia como exemplo de estratégia voltada à ampliação de parceiros comerciais diante das incertezas envolvendo os Estados Unidos.

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Ainda assim, ressaltou que o mercado americano continuará sendo relevante para a economia brasileira. “Essas medidas geram camadas de pressão econômica sobre o Brasil que a gente não tinha antes. Essa é uma realidade com a qual o país terá de lidar”, destacou.

Reversão difícil

Questionada sobre a possibilidade de o governo brasileiro negociar a reversão da classificação das facções criminosas, Vera Kanas avaliou que o caminho existe, mas não deve produzir resultados rápidos.

Tudo é possível negociar, mas é difícil mudar esse status novamente em um curto espaço de tempo”, afirmou. Segundo ela, eventuais avanços dependeriam da demonstração de cooperação, resultados concretos e construção gradual de confiança entre os dois países.

Para a especialista, a tendência é que a nova classificação se consolide antes de qualquer tentativa bem-sucedida de revisão. “Primeiro essa questão deve se consolidar. Gostaria que não fosse assim, mas acho difícil uma mudança rápida”, concluiu.

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