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Durigan defende controle de gastos obrigatórios e revisão de privilégios no serviço público
Publicado 31/08/2026 • 11:13 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 31/08/2026 • 11:13 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: reprodução/Governo Federal.
Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o controle das despesas obrigatórias deverá ocupar posição central na política fiscal dos próximos anos, caso o atual governo seja reeleito. A estratégia, segundo ele, passa por desacelerar o crescimento desses gastos, revisar benefícios tributários e preservar o atual arcabouço fiscal, com ajustes que ampliem sua capacidade de limitar as despesas.
Durante participação em evento na capital paulista, Durigan também apontou a redução dos juros, a reforma administrativa, a implementação da reforma tributária e o combate ao crime organizado entre os temas que considera prioritários.
Na avaliação do ministro, o governo precisa avançar na recuperação da confiança nas instituições. “Precisamos seguir resgatando as instituições brasileiras”, afirmou, ao defender maior coordenação entre os Poderes e os diferentes níveis de governo.
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Durigan afirmou que o governo pretende manter a atual regra fiscal, mas considera necessário aperfeiçoá-la. Um dos principais pontos seria limitar de forma mais efetiva o avanço das despesas obrigatórias, que concentram a maior parte do Orçamento federal. “O gasto obrigatório ainda é um gasto que consome bastante do orçamento e ele precisa crescer menos”, disse.
O ministro mencionou a possibilidade de ampliar mecanismos automáticos de contenção de gastos, semelhantes aos já previstos para as despesas com pessoal. Segundo ele, a adoção de gatilhos pode ajudar no ajuste, desde que preserve alguma previsibilidade para a administração pública.
Outro caminho em discussão envolve mudanças na gestão de programas sociais. Durigan defendeu avaliações permanentes, revisão dos critérios de concessão e acompanhamento dos beneficiários. Para o ministro, a preservação das políticas de transferência de renda precisa ser conciliada com maior controle. “Não dá para fazer política social sem revisão de gasto”, disse.
Durigan reiterou a intenção do governo de cumprir as metas fiscais estabelecidas e afirmou que a expectativa é alcançar superávit primário em 2027. A partir daí, segundo ele, a proposta é produzir resultados positivos de forma recorrente. “De 2027 em diante, nós vamos passar a ter superávits crescentes e recorrentes”, afirmou.
Além do controle das despesas, o ministro defendeu a continuidade da revisão de incentivos tributários. Neste ano, segundo ele, o governo trabalha com um corte de aproximadamente 10% nos benefícios que podem ser alterados por legislação infraconstitucional.
A intenção é transformar a avaliação dessas renúncias em uma política contínua. “Se a gente começou a fazer revisão de benefício fiscal, não pode voltar atrás”, disse Durigan.
O custo do crédito foi apresentado pelo ministro como um dos principais problemas econômicos do país. Segundo ele, os juros elevados afetam o Tesouro Nacional, famílias, empresas e produtores rurais, além de restringirem novos investimentos.
“O desafio de agora do país é reduzir a taxa de juros”, afirmou. Em outro momento, Durigan defendeu que o Brasil avance para um patamar que classificou como de “juros civilizados”. O ministro disse que a redução das taxas depende de uma combinação entre melhora fiscal e mudanças destinadas a ampliar a segurança nas operações de crédito.
Entre as iniciativas mencionadas estão alterações nas regras de recuperação judicial e falências, ajustes na regulação financeira e medidas para diminuir riscos para credores.
Durigan também afirmou que a Fazenda trabalha para reduzir o impacto das disputas judiciais sobre as contas públicas. “Vamos diminuir o risco judicial”, declarou.
Ao abordar os investimentos, Durigan destacou a expansão das concessões federais no atual governo. Segundo ele, o período registrou “recorde de concessões federais para um governo”, com maior participação privada em projetos de infraestrutura.
O ministro também informou que as operações de crédito destinadas a estados e municípios com garantia da União ultrapassaram R$ 270 bilhões durante a atual gestão.
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Siga o Times | CNBCSegundo Durigan, a distribuição dos recursos alcançou governos de diferentes orientações políticas. Ele citou São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará entre os estados beneficiados.
Para o ministro, porém, a expansão do financiamento deve ser acompanhada de compromissos com o equilíbrio das contas. “A gente precisa melhorar a condição fiscal geral do país”, afirmou. Essa melhora, acrescentou, não deve ficar restrita à União, mas envolver estados, municípios e demais instituições públicas.
Outro ponto abordado pelo ministro foi a reforma tributária. Durigan fez uma crítica direta ao modelo atualmente em vigor. “O sistema tributário do Brasil é horroroso”, afirmou.
Segundo ele, a implantação das novas regras deverá ser mantida mesmo diante das dificuldades previstas no período de transição. “Nós temos que fazer a reforma tributária acontecer no país”, disse.
A expectativa do governo é que o novo sistema reduza a complexidade na cobrança de impostos e diminua parte da burocracia enfrentada pelas empresas. Durigan também mencionou o uso de ferramentas digitais e de automação para simplificar procedimentos tributários e a emissão de documentos fiscais.
Durigan defendeu ainda uma reforma administrativa que tenha como ponto de partida a revisão de privilégios no setor público, especialmente remunerações acima do teto constitucional e benefícios classificados como indenizatórios. “Uma reforma administrativa que parta dessa revisão de privilégio”, afirmou o ministro.
Na avaliação de Durigan, a existência de pagamentos muito acima do teto prejudica a legitimidade das próprias instituições públicas. Ele citou remunerações elevadas no Judiciário e em algumas carreiras do Estado como exemplos de distorções que deveriam entrar no debate.
O ministro também defendeu que uma reforma mais ampla inclua avaliação de desempenho, incentivos aos servidores e modernização dos serviços públicos. “Vamos entregar resultado para as pessoas enquanto Estado brasileiro”, declarou.
O enfrentamento ao crime organizado também foi relacionado por Durigan ao ambiente econômico. O ministro defendeu maior participação da União na segurança pública e ampliação da integração de informações entre órgãos federais e estaduais.
Segundo ele, uma das prioridades deve ser atingir estruturas financeiras utilizadas para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Durigan citou a Operação Carbono Oculto como exemplo dessa estratégia. A ação investigou a utilização de empresas, postos de combustíveis e fundos de investimento por organizações criminosas. “Faz um ano que teve a Operação Carbono Oculto”, disse.
Segundo o ministro, as informações obtidas passaram a ser utilizadas para aprimorar sistemas de análise e orientar novas fiscalizações. Ele afirmou ainda que 1.400 CNPJs foram cancelados em São Paulo em uma ação recente relacionada ao trabalho de fiscalização.
Ao longo da entrevista, Durigan também relacionou a agenda econômica ao funcionamento das instituições. Para ele, decisões com impacto relevante sobre as contas públicas precisam ser construídas por meio de diálogo entre Executivo, Congresso, Judiciário, estados e municípios.
O ministro afirmou que pretende manter negociações para evitar a aprovação de medidas sem compensação fiscal e reduzir a insegurança jurídica.
Na avaliação de Durigan, o objetivo para os próximos anos é combinar controle das contas públicas, redução dos juros, atração de investimentos e maior eficiência do Estado, ao mesmo tempo em que o governo preserva as políticas sociais. “Não podemos regredir”, afirmou.
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