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Alckmin chama tarifaço de “injusto” e diz que Brasil não deixará mesa de negociação com os EUA
Publicado 31/08/2026 • 10:17 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 31/08/2026 • 10:17 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Valter Campanato / Agência Brasil
Alckmin disse que o governo tem mantido diálogo com os Estados, mas ressaltou que não pode obrigá-los a reduzir o ICMS sobre o diesel importado
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta segunda-feira (31) que o Brasil pretende aprofundar as negociações com os Estados Unidos em busca de uma redução das barreiras tarifárias impostas aos produtos brasileiros. A declaração foi realizada em evento na capital paulista.
A retomada formal das conversas ocorre nesta segunda. Uma videoconferência entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em exercício, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, deve recolocar as tarifas no centro da agenda bilateral.
Alckmin classificou o tarifaço americano como “injusto” e argumentou que a relação comercial entre os dois países não justificaria a medida. “Os Estados Unidos têm déficit na balança comercial praticamente com o mundo inteiro e têm superávit com o Brasil”, disse. “O Brasil não é problema”, completou.
Segundo o vice-presidente, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é permanecer nas tratativas, mesmo que não haja garantia de uma solução imediata. “Nós não vamos sair da mesa de negociação”, afirmou.
Leia também: Tarifaço: representantes de Brasil e EUA vão retomar negociações para ampliar lista de exceções nesta segunda-feira
Alckmin indicou que a estratégia brasileira será ampliar a discussão para questões que ultrapassam diretamente as alíquotas cobradas sobre as exportações. Segundo ele, a reunião deve servir para “manter a mesa de negociação” e “aprofundar o debate, tanto do ponto de vista tarifário como não tarifário”.
O vice-presidente afirmou ainda que “não tem tema proibido” nas conversas com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Entre os assuntos que podem entrar no diálogo, Alckmin mencionou o Redata, programa voltado à instalação de data centers no país e que está entre as propostas com expectativa de votação no Congresso. Na avaliação do vice-presidente, a iniciativa pode atrair empresas americanas interessadas na expansão desse tipo de infraestrutura no Brasil.
A possibilidade de ampliar investimentos aparece como um dos pontos de convergência buscados pelo governo. Alckmin lembrou que, embora a China seja o principal destino das exportações brasileiras, os Estados Unidos têm peso relevante na compra de produtos industrializados do Brasil e nos investimentos realizados no país. “Precisamos ir para um ganha-ganha”, disse.
Ao comentar a relação entre Lula e o presidente americano, Donald Trump, Alckmin evitou atribuir as dificuldades recentes a um conflito pessoal entre os dois chefes de Estado. O vice-presidente concentrou a resposta na defesa de regras multilaterais para as relações comerciais.
“No livre comércio ganha a sociedade”, disse. Segundo ele, porém, a abertura comercial precisa estar acompanhada de normas comuns. “Precisa ter regras, por isso nós defendemos a OMC.” O vice-presidente afirmou que o governo espera chegar a um entendimento com Washington, ainda que as negociações não produzam uma solução no curto prazo.
Fora da agenda com os Estados Unidos, Alckmin também comentou as votações previstas no Congresso nesta semana. Entre elas está a proposta relacionada à chamada “taxa das blusinhas”, cobrada sobre compras internacionais de pequeno valor.
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Siga o Times | CNBCAo tratar do assunto, o vice-presidente ressaltou que a cobrança não existia anteriormente e foi introduzida pelo Congresso durante a tramitação de outra proposta. Ao mesmo tempo, voltou a apontar uma diferença tributária entre mercadorias nacionais e importadas. “O produtor nacional paga uma uma tarifa que o importado não paga”, afirmou.
Alckmin disse acreditar que o tema será votado nesta semana. Também citou a expectativa de avanço do Redata, de propostas sobre minerais críticos e da PEC da Segurança Pública.
Questionado sobre a proposta relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1, Alckmin afirmou enxergar uma tendência de diminuição das jornadas diante dos ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia. “Há uma tendência natural no mundo de redução de jornada, porque a tecnologia permite você fazer mais com menos gente”, declarou.
Ele citou a mecanização no campo, a automação industrial e a inteligência artificial no setor de serviços como fatores que alteram a organização do trabalho.
Sobre as chances de aprovação, Alckmin evitou fazer uma previsão definitiva. “Acho que é possível que aprove”, disse, acrescentando que decisões no Congresso frequentemente são definidas perto das votações.
O vice-presidente também foi questionado sobre pesquis eleitoral mais recente que apontou cenário equilibrado na disputa presidencial. Alckmin minimizou a possibilidade de uma vantagem consolidada de qualquer candidatura.
“Não existe eleição disparada”, afirmou. Para ele, disputas presidenciais tendem a ser competitivas e o desempenho do governo será submetido à comparação pelos eleitores.
Ao abordar o ambiente político e econômico, Alckmin também relacionou a estabilidade institucional à capacidade do país de receber investimentos. “O que atrai investimento é previsibilidade, eficiência, regras claras, segurança jurídica”, disse.
Na área econômica, Alckmin defendeu que o governo busque reduzir a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB), combinando controle das despesas com medidas que sustentem o crescimento da economia. “Há que se fazer um esforço de melhorar a relação dívida sobre PIB”, afirmou.
Segundo o vice-presidente, um ajuste baseado exclusivamente em cortes pode comprometer a atividade econômica e, consequentemente, dificultar a redução do endividamento proporcional ao tamanho da economia.
Alckmin também voltou a criticar o nível dos juros. Questionado se o Banco Central havia exagerado na política monetária, respondeu: “Claro que entendo. Isso é um problemão para a economia, custo de capital.”
Ele ponderou, porém, que a trajetória dos juros deve estar associada à situação fiscal. Para Alckmin, o desafio será controlar os gastos, buscar resultados primários positivos e, ao mesmo tempo, preservar investimentos capazes de ampliar a atividade econômica.
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