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Economia Brasileira

Impulso fiscal de R$ 50 bilhões aumenta pressão sobre inflação e juros no Brasil, avalia economista da FGV

Publicado 28/07/2026 • 10:17 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • Novo indicador aponta forte aceleração dos estímulos do governo no segundo trimestre, puxada principalmente por crédito e uso de restos a pagar.
  • Economista Ricardo Hamud avalia que o estímulo fiscal, combinado com uma economia aquecida e choques de oferta, piorou as expectativas inflacionárias e mantém a necessidade de juros elevados.
  • Segundo Hamud, a deterioração das contas públicas reduz a eficiência da política monetária e aumenta o risco de dominância fiscal.

O impulso fiscal do governo voltou a ganhar força no Brasil e passou a levantar preocupações sobre os efeitos na inflação e na trajetória dos juros. Um novo indicador apontou que o estímulo fiscal mais que dobrou no segundo trimestre, com uma injeção de aproximadamente R$ 50 bilhões na economia, o equivalente a 4,52% do Produto Interno Bruto (PIB).

O movimento foi impulsionado principalmente pela liberação de crédito e pelo uso de restos a pagar, em um momento em que a atividade econômica permanece aquecida e a taxa de juros segue em patamar elevado.

Para analisar os impactos desse cenário sobre a economia brasileira, o programa Pré Market recebeu o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Hamud. Durante a entrevista, o especialista afirmou que a combinação entre estímulo fiscal, economia aquecida e choques externos aumenta a pressão sobre as expectativas de inflação.

Segundo Hamud, a inflação brasileira passou por uma deterioração nas projeções ao longo do ano, influenciada por fatores externos e pelo aumento dos estímulos internos. “Sem dúvida esse estímulo fiscal é a principal causa dessa deterioração das expectativas para esse ano”, afirmou o economista.

Choque de oferta aumenta desafio para o Banco Central

Questionado sobre os efeitos da guerra no Irã e dos choques de oferta sobre a inflação, Hamud explicou que o cenário atual é mais complexo porque a alta de preços não está sendo causada apenas pelo aumento da demanda.

O economista destacou que, quando a economia está aquecida e ocorre um choque de oferta, o impacto pode se espalhar por diversos setores. “Quando você tem uma economia muito aquecida, você tem um choque de oferta, é o pior nos mundos, porque esse choque vai espalhar por todos os setores da economia”, disse.

Ele ressaltou ainda que o grau de indexação da economia brasileira contribui para a propagação dos efeitos inflacionários.

Para Hamud, diante da ausência de uma política fiscal mais restritiva, o Banco Central acaba tendo como principal instrumento a manutenção dos juros elevados. “Não há o que fazer. A gente tem que subir os juros e os juros vão continuar altos”, afirmou.

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Política fiscal e juros altos

O professor explicou que uma política fiscal mais contracionista poderia reduzir a necessidade de aperto monetário, mas que o cenário atual dificulta esse processo.

Segundo ele, a política monetária consegue atuar, mas tem limitações quando as contas públicas apresentam deterioração.

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“Quando a situação fiscal do país é tão ruim, a política monetária passa a ser ineficiente”, explicou.

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Risco de dominância fiscal

Hamud afirmou que o Brasil ainda não entrou completamente em um quadro de dominância fiscal, mas alertou que o problema fiscal reduz a eficiência dos juros no combate à inflação.

“Ainda não estamos completamente numa dominância fiscal. Os juros conseguem segurar um pouco, mas não consegue fazer o trabalho completo porque o fiscal não ajuda”, disse.

Na avaliação do economista, o país vive um período de crescimento acima do potencial, impulsionado por estímulos fiscais e expansão do crédito. Esse cenário, segundo ele, mantém a demanda aquecida e dificulta a convergência da inflação.

“Temos 3 anos de hiato positivo, ou seja, com a economia crescendo acima do potencial. E esse crescimento está sendo alavancado pela política fiscal”, afirmou.

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Subsídios e novas medidas aumentam preocupação fiscal

Durante a entrevista, Hamud também chamou atenção para medidas de apoio e subsídios adotadas pelo governo, que podem aumentar a pressão sobre as contas públicas.

Segundo ele, iniciativas como subsídios relacionados a tarifas, combustíveis, financiamentos via BNDES e programas de renegociação de dívidas podem gerar novos impactos fiscais.

O economista citou ainda a medida provisória de renegociação de dívidas do agronegócio, que pode abrir espaço para a renegociação de valores elevados.

Para Hamud, o desafio atual é equilibrar o estímulo à atividade econômica com a necessidade de preservar a estabilidade dos preços e controlar a deterioração fiscal.

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