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Economia Brasileira

Falta de previsibilidade trava investimentos e limita crescimento da indústria

Publicado 11/09/2026 • 18:52 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Instabilidade institucional se soma a juros elevados, carga tributária e burocracia entre os obstáculos aos investimentos no Brasil.
  • José Ricardo Roriz Coelho afirma que empresários conseguem lidar com riscos, mas precisam de previsibilidade para tomar decisões de longo prazo.
  • Indústria de produtos plásticos cresce entre 2,5% e 3%, mas perspectiva de melhora para o segundo semestre é considerada fraca.

A falta de previsibilidade no ambiente de negócios brasileiro tem dificultado decisões de investimento de longo prazo, em um cenário marcado também por juros elevados, carga tributária, burocracia e insegurança jurídica, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Conselho da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Em entrevista nesta sexta-feira (11) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Roriz Coelho defendeu que o debate político e econômico avance para a construção de um projeto de crescimento de longo prazo para o Brasil, em vez de permanecer concentrado nas atuais disputas institucionais. A Abiplast está entre as signatárias do “Manifesto à Nação Brasileira”.

“O importante é que nós agora deveríamos estar discutindo um projeto de país. Infelizmente, o foco de todas essas discussões não tem sido trazer o que queremos do Brasil daqui a cinco ou dez anos”, afirmou.

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Segundo o presidente do Conselho da Abiplast, o potencial econômico brasileiro é conhecido, mas o desafio permanece em transformá-lo efetivamente em desenvolvimento e crescimento.

“O Brasil precisa voltar a crescer. Esse é o grande problema e é o que falta hoje ser discutido em maiores detalhes: um projeto crível de crescimento para o Brasil, de desenvolvimento, para que a gente enxergue o país lá na frente numa condição muito melhor”, disse.

Insegurança jurídica pesa nas decisões

Ao tratar dos fatores que afastam investimentos, Roriz Coelho apontou custo elevado de capital, carga tributária complexa e insegurança jurídica como alguns dos principais problemas identificados por empresários no momento de decidir pela expansão dos negócios.

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Segundo ele, as atuais discussões institucionais precisam chegar a uma solução que permita ao setor produtivo recuperar maior previsibilidade para planejar investimentos.

“É fundamental que toda essa discussão que nós estamos tendo hoje chegue a uma solução para que a gente tenha uma esperança de que essa questão da segurança jurídica seja bem encaminhada e que, a médio prazo, melhore e traga mais previsibilidade para o empresariado”, afirmou.

O problema, segundo Roriz Coelho, atinge tanto empresas brasileiras quanto potenciais investidores estrangeiros. Diante das condições atuais, companhias podem adiar projetos ou concluir que não é o momento adequado para investir no país.

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‘O problema do empresário é a falta de previsibilidade’

Para destravar investimentos, o presidente do Conselho da Abiplast colocou a recuperação da responsabilidade fiscal entre as prioridades e voltou a chamar atenção para o elevado custo de capital no país.

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Roriz Coelho também defendeu instituições mais fortes e confiáveis, além do combate ao crime organizado, melhorias na educação, redução da burocracia e avanços em infraestrutura.

“Precisamos fortalecer as instituições. Precisamos ter uma credibilidade muito maior e que essas instituições estejam bem organizadas, num caminho que dê tranquilidade ao brasileiro de que funcionem da melhor maneira possível”, afirmou.

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Na avaliação do executivo, essas mudanças precisam fazer parte de um plano estrutural e crível, capaz de melhorar as expectativas da população e devolver às empresas confiança suficiente para ampliar investimentos.

“O problema do empresário não é risco, ele enfrenta risco. O grande problema do empresário é a falta de previsibilidade. Se não tiver previsibilidade, a decisão de investimento não sai”, destacou.

Roriz Coelho lembrou que projetos industriais exigem uma visão muito mais longa do que o cenário econômico imediato. Uma nova fábrica, por exemplo, pode levar quatro ou cinco anos para ficar pronta e permanecer em funcionamento por duas décadas ou mais.

“Você tem que olhar para a frente com otimismo e saber que a gente está caminhando no rumo certo”, afirmou.

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Indústria do plástico cresce, mas ritmo é considerado baixo

Sobre o desempenho da indústria de produtos plásticos, Roriz Coelho afirmou que o setor registra atualmente crescimento entre 2,5% e 3%, acompanhando o comportamento mais amplo da economia brasileira.

O presidente do Conselho da Abiplast destacou que produtos plásticos estão presentes em 95% dos setores da economia, o que faz com que o desempenho da indústria esteja diretamente relacionado à atividade econômica do país. “Hoje a gente fala até que onde tem plástico, tem PIB. Ele está caminhando na faixa de crescimento de 2,5% a 3%. Mas isso é muito pouco”, afirmou.

Para Roriz Coelho, o Brasil precisaria crescer entre 3,5% e 4,5% para avançar de forma mais consistente na geração de empregos de qualidade e no enfrentamento de seus principais problemas econômicos.

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“O que o plástico faz é acompanhar o crescimento do PIB brasileiro, acompanhar a performance da economia. E não tem sido muito bom, principalmente agora neste segundo semestre. A perspectiva de melhora está muito ruim”, concluiu.

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