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Economia Brasileira

Crise política pressiona mercado e aumenta risco de desaceleração em 2027

Publicado 11/09/2026 • 22:27 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Sergio Vale avalia que novas revelações do caso Master devem manter a volatilidade do mercado e ampliar a incerteza política até as eleições.
  • Economista não vê, neste momento, risco relevante de contágio do caso Master para outros bancos, mas alerta para a deterioração da economia.
  • Juros elevados, inadimplência e menor atividade podem atingir bancos médios e tornar a economia de 2027 significativamente mais fraca, segundo Vale.

A crise política e institucional envolvendo o caso Master e o Supremo Tribunal Federal (STF) deve continuar pressionando os mercados, enquanto investidores tentam antecipar os efeitos de novas revelações sobre a eleição e a economia brasileira, afirmou Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Em entrevista nesta sexta-feira (11) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Vale disse que a incerteza não está relacionada apenas ao que já veio a público, mas principalmente à possibilidade de novas informações alterarem o cenário político e eleitoral nas próximas semanas.

Segundo o economista, o ambiente tende a permanecer volátil diante das dúvidas sobre quais informações ainda poderão surgir do caso Master e de como eventuais revelações poderão atingir os principais candidatos à Presidência.

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“Isso para o mercado é a pior coisa possível. Coloca um cenário de incerteza e a gente só vai saber no final de outubro, com o resultado final da eleição”, afirmou Vale.

Mercado tenta antecipar impacto de novas revelações

Vale afirmou que os ativos já respondem ao conteúdo conhecido do caso, mas também incorporam o risco de informações ainda desconhecidas. A preocupação é que novas divulgações tenham consequências sobre a disputa presidencial e, por consequência, sobre as expectativas para a política econômica de 2027.

O economista citou especificamente a possibilidade de revelações afetarem a candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, diante da percepção do mercado sobre a condução fiscal no próximo governo, um eventual enfraquecimento do candidato poderia modificar as expectativas para as contas públicas a partir do próximo ano.

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Para Vale, porém, o principal risco econômico neste momento vai além das oscilações provocadas pelo caso Master. O país combina inflação ainda preocupante, juros reais elevados e aumento das dificuldades financeiras de empresas e famílias.

Risco maior está na desaceleração da economia

Questionado sobre a possibilidade de o caso Master provocar contágio entre bancos médios, Vale disse não enxergar esse como o principal risco neste momento. A preocupação maior, segundo ele, está nas consequências de um período prolongado de juros elevados sobre toda a economia.

O economista afirmou que o Brasil caminha para praticamente três anos consecutivos com juros reais próximos de 10%, situação que, segundo ele, não ocorre há duas décadas. Os efeitos já começam a aparecer no aumento das dificuldades enfrentadas pelas empresas e na alta da inadimplência das famílias, principalmente entre a população de menor renda.

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Esse conjunto de fatores pode criar, na avaliação de Vale, um círculo de enfraquecimento da atividade econômica. Ele evitou falar em recessão neste momento, mas prevê uma economia significativamente menos dinâmica no próximo ano.

“Não dá para dizer ainda uma recessão, mas certamente a gente vai ter uma economia em 2027 bem mais fraca do que a gente está vivenciando agora em 2026”, afirmou.

Nesse cenário, os bancos médios poderiam acabar atingidos pela própria deterioração da economia, e não necessariamente por uma contaminação direta decorrente do caso Master, explicou o economista.

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Investidor estrangeiro pode reduzir exposição no curto prazo

Vale também afirmou que a instabilidade institucional pode provocar saída de capital estrangeiro no curto prazo, principalmente diante da repercussão internacional das tensões envolvendo o Supremo e da percepção de que o Brasil entrou em um período de maior turbulência política.

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No médio e longo prazo, entretanto, o economista considera que o país continua oferecendo ativos relevantes e oportunidades para investimento estrangeiro direto, como recursos destinados à abertura de fábricas e empresas. Para ele, esse quadro estrutural permanece relativamente positivo, embora esteja longe de ser excepcional.

O problema está no caminho até uma eventual recuperação. Vale prevê um período mais difícil para a economia em 2027, durante o qual investidores externos podem reduzir posições no país diante da combinação de desaceleração e incerteza política.

Eleição será decisiva para juros e atividade

Na avaliação do economista, o principal fator a ser acompanhado nos próximos meses é o resultado da eleição presidencial e a composição da equipe econômica do próximo governo. No caso de vitória de Lula, Vale destacou como especialmente importantes as escolhas para a Casa Civil e o Ministério da Fazenda.

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Em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, segundo Vale, a expectativa seria de uma orientação econômica mais liberal, mas permaneceriam dúvidas sobre a relação do novo governo com o Congresso e sobre o peso que questões políticas teriam diante da agenda econômica.

Uma sinalização fiscal considerada consistente pelo mercado poderia abrir espaço para redução dos juros e normalização gradual da economia, afirmou Vale. Para ele, esse será um dos elementos centrais para determinar a trajetória econômica depois das eleições.

O economista comparou a atual tensão, com ressalvas, aos momentos mais críticos da Lava Jato, quando a crise política contribuiu para uma paralisia mais ampla do país. O risco agora, segundo ele, é que os conflitos envolvendo Executivo, Legislativo e, especialmente, o Judiciário produzam um novo grau de paralisia institucional.

Estados Unidos também ampliam incerteza

Vale afirmou ainda que os riscos não estão concentrados no Brasil. Para ele, a combinação de inflação, juros e deterioração fiscal nos Estados Unidos tornou o ambiente externo mais difícil e aumentou a insegurança dos investidores.

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Segundo o economista, os Estados Unidos já não oferecem o mesmo grau de segurança que historicamente proporcionavam em períodos de estresse. Ele apontou como exemplo o comportamento do câmbio brasileiro, que permanece próximo de R$ 5 apesar das turbulências. Em crises anteriores, afirmou, a procura pela moeda americana teria provocado uma desvalorização muito maior do real.

Para Vale, o investidor passou a procurar onde existe menos incerteza, tanto no Brasil quanto no exterior. No caso brasileiro, essa incerteza tende a diminuir apenas depois das eleições e dependerá das decisões econômicas tomadas pelo próximo governo.

Caso o país escolha um caminho fiscal inadequado, alertou o economista, a combinação poderá resultar em câmbio mais depreciado, inflação e juros maiores e uma recessão mais intensa em 2027.

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